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50 Tons de alienação

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“Porque as mulheres do mundo inteiro ficaram fascinadas com um cara que bate nelas?”

 

Essa talvez tenha sido a pergunta de 2012, 2013, 2014 e agora com o filme, a de 2015.

Já fazia um tempo que eu queria trazer esse assunto pro blog para debater e expressar a minha opinião sincera sobre esse assunto. E eu vou falar porque eu li o primeiro volume dos 50 Tons de Sacanagem e parei por ai. Parei porque achei boring, mas acima de tudo, parei porque entendi.

A moral de ler um livro é mergulhar em um universo fantasioso, seja ele uma fantasia ou uma história real, porque até uma história real, se não for a minha, vira fantasia. É assim que funciona pra mim, eu quero conhecer aquele mundo, quero viver aquele momento, imagino os personagens na minha cabeça, invento rostos, cenários e evito tudo que pareça REAL, TRÁGICO e MIMIMI demais. Não gosto de Nikolas Sparks, não adianta. Gosto de fantasias épicas, de distopias, de ficção e também de livros que são mais leves, como os do John Green ou Rainbow Rowell, adoro coisas sobrenaturais, vampiros, bruxas.

A literatura de forma geral serve para alimentar a imaginação, contar histórias reais, mas também criar coisas que a gente sabe que não são reais ou possíveis e mesmo não reais, são possíveis, através do livro, de se mergulhar de cabeça. Com isso fazemos livros como Crepúsculo, que não acrescenta em nada numa olhada superficial, bestsellers. Eu também li a Saga Crepúsculo, também fiquei encantada pelo Edward por uns 10 minutos e depois passou, passou porque apesar de eu saber que é FANTASIA, eu não consigo gostar de um personagem que me abandonaria em um momento difícil, não gostaria de alguém que para que eu pudesse viver um amor pleno teria de mudar toda a minha essência.

EU SOU ASSIM. Nem sempre o livro é politicamente correto e eu gosto dele do mesmo jeito, às vezes eu até torço pro vilão. Dexter é testemunha. O assassino que todo mundo ama. O que importa é enxergar por trás dessas coisas. E eu acho que é ai que está a moral da história sobre os 50 Tons de Cinza.

Eu não acredito que as mulheres queiram homens trogloditas e que batem nelas por prazer, também não acho que elas vão sentir prazer se forem agredidas sempre. Mas é por essa fantasia de “ser”, de poder entrar naquele universo por algumas páginas que esses livros tem feito tanto sucesso. O problema da sociedade é que em sua maioria, ela é alienada e não raciocina ou pensa sobre as coisas assim, mais profundamente. É só uma história de um vampiro que brilha. Não, me desculpe, mas não é. E assim, não refletindo sobre o conteúdo, não considera nada demais denominar livros de sadomasoquismo como seus mais vendidos, e com orgulho.

Isso tudo entra em conflito com o feminismo. Vejo muita gente debatendo como é possível que frente a tantos atos de protestos e lutas para igualar as mulheres frente a sociedade, livros como 50 Tons de Cinza ganharem essas proporções imensas. A questão é que uma coisa está ligada a outra e ao mesmo tempo não está. O problema nunca está no livro. O problema está na forma como as pessoas o interpretam e isso vai da cultura, da forma de criação, da vivência. Pessoas que leram o livro e gostaram da “literatura” é uma coisa. Mulheres que dizem por ai que queriam um Grey pra ter em casa, é outra. Isso, como todo o respeito, é comportamento de mulher mal comida e infeliz. Mulher que não sabe o que quer. Mulher burra. Mulher alienada. Mulher que não pensa por si, pensa com a massa.

Na minha opinião e o que eu acho que deveria ser o entendimento geral, esses livros são uma fantasia que milhões de mulheres querem – ou pensam que querem – viver por uma transa, é uma experiência que milhões de mulheres talvez queiram ter uma vez na vida de forma prazerosa. Não é algo que queiram que SE TRANSFORME em sua vida e é por isso que essa fuga de realidade é tão grande. E não me venha com “eu não quero isso nunca” porque na sua cabecinha de porongo, por mais bem resolvida que você seja, em algum momento, você JÁ IMAGINOU SIM uma transa mais selvagem. Caso contrário, sorry amiga, mas você precisa sair do papai e mamãe right now.

Essa fuga da realidade, para um universo onde você pode ser quem quiser que os livros proporciona tem que parar de gerar tanto auê, tem que deixar de ser problema, tem que parar de interferir no pensamento real das pessoas. A culpa não é do livro, nunca vai ser. A culpa também não é das estrelas minha querida. A culpa é sua, que não é mulher de verdade. Enquanto existem milhares de mulheres por ai lutando por seus direitos, há outras, que não são poucas, que destroem as paredes ja erguidas se tornando cegas frente a algo que é ficcional e possui cunho de entretenimento e não de realidade, tornando 50 Tons de Cinza algo com proporções muito maiores do que deveria ter.

Se você perguntar a uma fã o porque ela gosta daquele livro e ela te responder que é porque o Christian Grey é rico, famoso e fino e que ela adoraria que esse cara super gostoso desse uma surra nela durante o sexo, sugiro que desconsidere a resposta, porque aparentemente essa criatura abençoada por Deus não consegue enxergar além da superfície.

12 de fevereiro o filme chega aos cinemas e eu não tenho vergonha nenhuma de dizer que vou ir ver. Estou curiosa, quero saber como o cinema retratou algo que virou uma grande polêmica. Enquanto dia 12 não chega e você tá ai sendo extremista e burra querendo barrar o filme, eu to aqui de boas, curtindo a trilha sonora com o hino da Queen B, Crazy in Love. Quem se sentir a vontade, é bem vindo a se juntar comigo, caso contrário, nem venha comentar abobrinhas sobre feminismo e blá blá blá.

Aliás, aposto que os haters e mestres da revolta e do extremismo vão baixar o filme e assistir na surdina. Também é bem é provável que nos 20 minutos prometidos de sexo fiquem todos excitadinhos e obviamente, não vão admitir pra ninguém. Bom, mas essa sou só eu pensando alto e pisando em alguns calos.

 

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.