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A Boa Filha – Karin Slaughter

A Boa Filha é da autora Karin Slaughter e foi lançado em 2018 pela HarperCollins Brasil.

Sobre o livro

Em 1989, na pequena cidade de Pikeville, no estado da Geórgia, viviam as irmãs Charlotte e Samantha Quinn. As duas estão passando por dificuldades desde que a população decidiu odiar o seu pai. Rusty é um advogado conhecido por pegar casos perdidos. Toda essa sua propensão a defender esse tipo de pessoa rendeu a ele vários inimigos e a carinhosa alcunha de “a mão direita de Satanás”.

“O disparo da espingarda tinha aberto o peito, o pescoço e o rosto dela. O lado esquerdo do queixo tinha desaparecido. Parte do crânio. Seu cérebro lindo e complicado. Suas sobrancelhas arqueadas com indiferença. Ninguém mais explicaria as coisas para Samantha. Ninguém se importaria se ela entendia ou não.”

Suas vidas viram de ponta cabeça quando a mãe é brutalmente assassinada na frente delas. Gamma, que era uma mulher deslumbrante e inteligente, deixa a vida cedo demais. As garotas tentam fugir dos assassinos, mas Sam acaba levando um tiro na cabeça. Elas acabam sobrevivendo, mas as marcas deixadas pelos bandidos vão além das cicatrizes.

Após 28 anos, as irmãs perderam o contato. Charlie agora é uma advogada de defesa e continuou vivendo na mesma cidade que o pai, ela está passando por problemas pessoais e seu passado turbulento nunca foi esquecido totalmente. Mas uma nova tragédia aproximará essas irmãs e fará com que elas compreendam o que realmente aconteceu naquela noite tão terrível.


Minha opinião

Este é um livro que me deixou sem palavras. Eu já adorava a autora pelo livro Flores Perdidas – que tem resenha aqui no blog. Considerava ele um livro forte, mas aceitável. Após terminar este, fiquei dividida. Ao mesmo tempo que quero recomendar para todos essa história incrível, também me sinto incomodada em indicar um livro tão forte. É sério. Há muito tempo que eu não sentia isso. Não sou de me impressionar com qualquer coisa, mas nesse eu precisei parar e respirar antes de retornar à narrativa. Então, deixo esse aviso: não é um livro pra qualquer um. Se você é facilmente impressionável e não tem o estômago forte, não leia este livro.

As primeiras palavras que vêm a minha cabeça para descrever essa histórias são: brutalidade e perdão. Elas parecem tão opostas, não é mesmo? Mas se encaixam perfeitamente aqui. O trauma passado por essas irmãs ainda quando crianças é abominável. Não consigo expressar o quanto fiquei impactada e incomodada com as cenas totalmente explícitas que a autora descreveu. Mas elas servem para lembrar que estamos em um mundo onde existem os piores monstros: o próprio ser humano. Esse é um daqueles livros que nos lembram da nossa condição e do quanto estamos vulneráveis ao lado dos nossos semelhantes.

“Os olhos dela travaram nos dele. O silêncio que seguia a ameaça foi ensurdecedor. Sam não podia desviar o olhar. O medo passava como navalha pelo coração dela. Nunca na sua vida conhecera alguém tão cruel, tão profundamente desalmado.”

Duas crianças lutando pelas suas vida. A crueldade com as quais elas são expostas logo no começo das suas vidas, parece uma preparação para o que está por vir. É interessante analisar o quanto elas são diferentes. Sam é mais retraída e dependente, já Charlie mais eloquente e independente. Creio que tudo que elas passaram na infância serviu para ajudar a moldar o que elas se transformaram na vida adulta.

Outros detalhes que não escaparam aos meus olhos foram as críticas ao despreparo dos policiais frente a uma tragédia, no abuso de poder e no quanto existe corrupção no meio jurídico. Além disso, a autora também levanta uma antiga questão: até que ponto um criminoso merece um julgamento? Por que as pessoas não podem fazer justiça com as próprias mãos quando está na cara que ele é culpado? Lembrando que na Geórgia existe a pena de morte. Esse é outro detalhe que a autora coloca em questão. 

“Nada nunca desaparecia de verdade. O tempo apenas amortecia as dores.”

Esse é aquele tipo de livro que nos mostra que família não se escolhe, e por mais defeitos que eles tenham, ainda podemos buscar amparo uns nos outros – na maioria das vezes. Esse é outro motivo que me leva a acreditar que a palavra “perdão” se encaixa aqui. Entre tantas frases não ditas, questões não resolvidas e separações, elas aprendem a se perdoar, perdoar o pai e a si mesmas. Sobre um perdão não apenas destinado aos outros, mas a nós mesmos. Essas duas irmãs, separadas mais que fisicamente aprendem o verdadeiro significado de amor fraterno e família.

É difícil não se conectar com os personagens. Todos possuem algo especial que faz com que eles sejam únicos. Rutsty, o pai das garotas, é o clássico personagem que amamos odiar, Gamma, a mãe, é aquelas que admiramos e pensamos: “quero ser assim quando eu crescer”. Juntos eles mostram porque combinam tanto. Isso sem citar outros que ajudam a fazer essa trama ser tão magnífica.

Apesar de maravilhoso, não creio que possa indicar para todos. Se você tem fôlego pra ele, não deixe de ler. A história é incrível, os personagens são maravilhosos e os plots que você encontrará vão te deixar de queixo caído. Mas se apesar de amar esses suspenses com uma investigação policial, você não acha que aguenta tantas passagens explícitas, pense bem. E se mesmo assim, você desejar encarar, leia e reflita sobre tudo que a autora levanta. As críticas estão aí, resta a você ler e debater sobre elas.

 

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A BOA FILHA

Autor: Karin Slaughter

Editora: HarperCollins Brasil

Ano de publicação: 2018

Quando eram adolescentes, a vida tranquila de Charlotte e Samantha Quinn foi destruída por um terrível ataque em sua casa. Sua mãe foi assassinada. Seu pai um famoso advogado de defesa de Pikeville, Geórgia ficou arrasado. E a família foi dividida por anos, para além de qualquer conserto, consumida pelos segredos daquela noite terrível. Vinte e oito anos depois, Charlie seguiu os passos de Rusty, seu pai, e se tornou advogada mas está determinada a ser diferente dele. Quando outro caso de violência assombra Pikeville, Charlie acaba embarcando em um pesadelo que a obriga a olhar para trás e reviver o passado. Além de ser a primeira testemunha a chegar na cena, o caso também revela as memórias que ela passou tanto tempo tentando esconder. Agora, a verdade chocante sobre o crime que destruiu sua família há quase trinta anos não poderá mais permanecer enterrada e Charlotte precisa se reencontrar com Samantha, não apenas para lidar com o crime, mas também com o trauma vivido. A Boa Filha é mais uma obra-prima de Karin Slaughter, um enredo sólido, com caracterizações fortes e reviravoltas extraordinárias, um misto de drama e terror que faz arrepiar até os leitores mais corajosos.

É colaboradora do Resenhando Sonhos.
Natural de São Sepé, atualmente morando em Santa Maria.
Formada em Gestão da TI pela URCAMP e cursando Produção Editorial na UFSM.
Apaixonada por livros, Johnny Cash e cachorros.