A Terra Longa – Terry Pratchett & Steven Baxter

A Terra Longa é o primeiro livro de uma série escrita à quatro mãos por Terry Pratchett e Steven Baxter. É um lançamento de 2018 pela Bertrand Brasil.

SOBRE O LIVRO

Em um dia qualquer de 2015, o mundo sofreu uma revolução. Um universo infinito de Terras paralelas à nossa se tornou acessível graças a um aparelho estranho que ficou conhecido como Saltador. O aparelho nada mais era do que um conjunto de fios, componentes elétricos e… uma batata! Conectados, permitiam às pessoas viajar para diversas outras terras similares à nossa, em universos paralelos, tanto para leste quanto para o oeste. Porém, o mais estranho é que em todas as Terras Longas (como ficou conhecido esses universos paralelos) não há vida humana. Sendo assim, nossa Terra se torna o marco zero, a Terra Padrão.

Mas, muitos anos antes do saltador ser inventando, algumas pessoas já nasceram com o dom natural de saltar universos. Um deles é Joshua, um rapaz quieto e que por anos morou na Casa, uma espécie de orfanato gerenciado por freiras. Joshua sempre se sentiu conectado com o silêncio que a Terra Longa proporciona e por isso passa mais tempo saltando do que na Terra Padrão. Porém, um evento no passado o tornou famoso entre as pessoas e por conta disso,  a Black Corporation busca incansavelmente recrutar ele para uma grandiosa missão.

“Tudo isso é muito perturbador. Nada parece fazer sentido! Por que esse imenso baralho foi colocado à disposição da humanidade justamente agora, quando, mais do que nunca, precisamos de espaço?”

Ao lado de Lobsang, um monge tibetano “encarnado” em uma Inteligência Artificial, Joshua partirá para uma longa expedição através das Terras Longas até os confins desses universos paralelos, se houver um fim. A cada salto, os viajantes se distanciam mais e mais da Terra Padrão, indo até onde nenhum ser humano já havia ido. Isso, porém, não significa que as Terras Longínquas não guardam segredos e detalhes curiosos…


MINHA OPINIÃO

Antes de tudo preciso dizer que são poucos os livros que conheço que abordam viagens em dimensões paralelas. Ou é por falta de publicações do tipo aqui no Brasil, ou por ser mesmo um “campo” pouco explorado por autores de ficção científica. Antes de  A Terra Longa, eu só havia lido uns dois livros com esse tema. Por isso, logo que este foi anunciado por aqui, fiquei bem interessado. E, considerando que lá fora ambos autores são grandes nomes da ficção cientifica e fantasia, já fiquei esperando uma trama excelente.

Mas, nem tudo são flores e A Terra Longa não me agradou tanto quanto eu esperava que fosse agradar. Ano passado eu já tinha lido um livro com participação do Baxter (resenha aqui), o qual eu não gostei, e parece que essa sombra persegue o autor também neste livro. Claro que não é possível identificar quem escreveu o que, mas dado ao ritmo e desenvolvimento de certos elementos da narrativa, notei que o estilo de Baxter não me conquista. De Pratchett é a primeira vez que leio algo, então não posso “crucificá-lo” conjuntamente. Só um tira-teima para dar um parecer.

“Essa história de governo é uma farsa!”

A ideia da Terra Longa é em si muito interessante. Diversos mundos paralelos à nosso acesso e em qualquer direção que você dê o salto. E o mais interessante é que fora a nossa Terra, as outras não possui vida humana ou de alguma espécie senciente como nós. Bom, não exatamente. Há muitos mistérios a cerca desses outros mundos, e um dos principais é porque a vida inteligente não se desenvolveu lá. Cada um desses mundos representa o que a Terra Padrão (no caso a nossa) poderia ter sido, desde um enorme planeta quente e com animais gigantes, bem como um planeta gelado e com pouca vida – ou nenhuma. Surgem várias teorias do porque de sua existência, sendo uma delas que A Terra Longa existiu para nos ajudar, já que estamos cada vez mais perto de destruir a nossa morada.

Mas, a verdade é que ao mesmo tempo que a Terra Longa representa uma série de mudanças positivas para a humanidade, já que ponha nas nossas mão inúmeros recursos naturais e energéticos para nosso uso, bem como a possibilidade de uma nova onda de colonização humana e de diminuição da superpopulação do mundo atual, também atraí o medo e desestabiliza o mundo como conhecemos. Se qualquer pessoa pode saltar, o que protege a humanidade de bandidos, por exemplo, saltarem das cadeias para outros mundos e fugirem? Ou mesmo de cometerem novos crimes e nunca serem punidos? Como a trama apresenta, tudo há um pró e um contra e todos precisam lidar com as consequências.

“Não acho que seja covardia admitir que você se enganou. Na verdade, se quer saber, acho que é uma prova de coragem.”

A história consegue ser bem peculiar pois dá novos conceitos para a viagem entre dimensões. Por exemplo, é dito que se pode saltar para Oeste ou Leste, o que me levou a imaginar que a Terra Longa possa não ser infinita, mas cíclica. Se acaso for isso, então lá pelas milhões de milhões de terras saltadas, o viajante acabaria por voltar à Terra Padrão. Porém, somente nos próximos livros é que esta – e outras perguntas – poderão ser respondidas. Outro ponto peculiar também é que nenhum objeto de ferro viaja pelo salto. Qualquer coisa que o saltador transporte o acompanha durante o salto, menos objetos de ferro. O porque também não sabemos e fica no ar esse enigma. Fora outros casos curiosos que a história vai nos apresentando.

Entretanto, mesmo com todo esse ar de aventura e curiosidades dos outros mundos, a trama fica morna até o final. E isso acontece por dois motivos. Primeiro que várias subtramas são apresentadas de forma paralela e, na tentativa de conectar todas elas, a maioria se mostra forçada ou apenas para “encher linguiça”. Segundo porque os personagens parecem desinteressados na própria jornada, apenas levando ela como dá. Faltou um pouco de ousadia por parte dos autores em construir melhor os personagens, dar uma personalidade mais forte e cativante. Além, é claro, de apresentar mais situações que mexessem com a leitura, como situações de perigo, ação, descoberta de algo novo, conflitos pessoais, etc.

Ao terminar a leitura, a impressão que tive é que os autores não estavam seguros do que queria contar e por isso seguiram a passos modestos. Claro que, se logo de cara já jogassem uma trama onde tudo é muito explicadinho e já conhecido pelo personagens, também iria soar forçado. Mas, deixar a história sem clímax também não foi uma boa opção.  De fato, é uma leitura agradável no que se refere a passar o tempo e relaxar, mas deixa a desejar tanto no lado da ficção científica como em narrativa envolvente. Pelo menos sei que esta série possui mais livros, logo, tem potencial para se tornar uma ótima história. Até lá, pelo menos pra mim, a Terra Longa se mostra como uma longa jornada curiosa, porém pouco satisfatória.

A TERRA LONGA

Autor: Terry Pratchett & Steven Baxter

Editora: Bertrand

Ano de publicação: 2018

A oficial Monica Jansson vasculha o que restou da casa de um cientista recluso misteriosamente desaparecido. Enquanto abre caminho por entre os destroços, Jansson encontra um artefato curioso: uma caixa contendo uma fiação rudimentar, uma chave de três posições e… Uma batata. É o protótipo de um Saltador, aparelho que permite viagens por entre infinitas Terras paralelas, um salto de cada vez. Mas, ao que parece, somente a Terra original conta com vida humana — as demais são incríveis variações de fauna e flora virgens, mundos sem fim com vastos recursos naturais. Anos depois, Joshua Valienté é um saltador natural, que não precisa do aparelho para transitar entre universos. Após viver boa parte da vida como um andarilho solitário por entre as múltiplas Terras às quais tem acesso, ele é recrutado pela influente Black Corporation para uma viagem de exploração. O objetivo: seguir até os confins desses múltiplos mundos, afastando-se cada vez mais da Terra Padrão, e descobrir os segredos e surpresas que a Terra Longa reserva.

É colaborador do Resenhando Sonhos.
Catarinense, Publicitário formado pela UNOESC, apaixonado por sci-fi, distopias e suspense policial. Fã de Arquivo X e Supernatural, sonha um dia encontrar os aliens.