Achados e Perdidos – Stephen King

Achados e Perdidos é o segundo livro da trilogia Bill Hodges do autor Stephen King e foi lançado em 2016 pela editora Suma de Letras.

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Sobre o livro

Em 1978 no estado de New Hampshire, o aclamado escritor John Rothstein tem sua fazenda invadida e assaltada por três homens mascarados que levam todo o seu dinheiro e mais 180 manuscritos que ele redigiu durante anos e que eram trabalhados inconcluídos. Ele ficou conhecido após a publicação da trilogia O corredor que conta com o protagonista Jimmy Gold que inspirou gerações, tais livros renderam a ele a fama de “gênio”. Quando Rothstein acreditava que todo esse terror estava acabando um dos mascarados, Morris Bellamy, acaba revelando o seu rosto para o velho escritor e revela toda a sua raiva com o final do trilogia, ele alega que o personagem de Jimmy não teve o final merecido. Após essa afronta ele assassina o escritor e foge.

“- Você criou um dos personagens mais importantes da literatura americana, depois o destruiu – disse Morrie. – Um homem capaz de fazer isso não merece viver.”

No ano de 2009, a família de Tom Saubers está passando por diversos problemas financeiros. Ele, a esposa Linda e os filhos Peter e Tina veem a vida mudar após o pai ser atropelado por um lunático em uma fila para vagas de empregos no estacionamento do City Center. O assassino do Mercedes, como fica conhecido, atropela, mata e fere diversas pessoas, dentre elas Tom que fica com problemas em uma perna e não pode caminhar. Com isso, a família passa a depender financeiramente da mãe e as brigas tornam-se frequentes. O pai, que antes era tão cheio de vida, passa a ser mal-humorado e amargurado.

Ainda em 1978, após fugir do local e cometer tantos outros crimes. Morris coloca o dinheiro e os manuscritos dentro de um baú e os enterra debaixo de uma árvore próxima a residência que ele morava com a mãe, com quem teve problemas desde sempre. Apesar de saber que sofre de amnésia alcoólica, ele sai para beber e acaba acordando no outro dia na prisão sem saber como foi parar lá. Ele descobre que foi acusado do crime de estupro e acaba pegando prisão perpétua. Desde jovem ele possuia um temperamento difícil e foi um adolescente problemático. Após uma briga com a mãe, por causa da trilogia O corredor que ele tanto amava, o nosso futuro assassino acaba bebendo e destruindo uma residência que o levou para um centro de detenção onde sofreu abusos físicos e psicológicos terríveis. Algo que apenas serviu para aumentar a sua raiva com o tudo e todos.

Em 2010, Peter, cansado das frequentes brigas dos pais, sai para caminhar nos fundos da sua casa, antiga residência da família Bellamy, e após o desmoronamento de um barranco ele encontra o baú com um tesouro. Dentro ele encontra dinheiro, vários livros não publicados por um autor que ele desconhecia (até então) incluindo duas continuações da trilogia O corredor. Esse dinheiro pode ajudar a sua família e Peter, que era apenas uma criança, fica dividido sobre como proceder. Esse baú pode ser a salvação da sua família, o início de uma paixão por um velho escritor e a porta para encontrar inimigos mortais. Após alguns anos e decisões erradas que levam Peter a se meter com pessoas perigosas, o nosso velho conhecido Bill Hodges, juntamente com seus ajudantes Jerome e Holly, chegam para socorre-lo, após serem procurados na sua empresa de investigação Achados e Perdidos.


Minha opinião

“Essa merda não quer dizer merda nenhuma”. A frase icônica do personagem responsável pelo desenrolar dos acontecimentos, Jimmy Gold, é a mais impactante e citada no livro. King conseguiu se superar mais uma vez. Unindo personagens e eventos conhecidos, fazendo uma ligação entre tudo e garantindo com que a história encaixe e faça sentido. Nesse livro, ele pega em um ponto importantíssimo: o amor a literatura e o quanto isso afeta as nossas vidas. Morris Bellamy pode ser um lunático, mas, por muitas vezes, nos identificamos com ele. Todo esse amor aos livros, essa devoção a uma história, a paixão por um personagem e a derradeira tristeza com o seu destino quando não é o esperado. Imagina se essa moda pega? Se começarmos a cobrar e ir atrás dos autores que não dão o final esperado aos nossos preferidos? Creio que King esqueceu que ele já matou muitos dos meus amores, será que ele não tem medo que eu encarne um Morris e vá até o Maine atrás dele? Brincadeiras à parte, esse livro é sensacional.

A história fica alternando durante os anos e os personagens e novamente conhecemos o assassino logo no começo, o que não interfere nas surpresas que o livro guarda. Morris é um dos personagens mais peculiares  criados por King que eu já conheci e por muitas vezes me imaginei na pele dele. Essa paixão por uma história e o quanto ele fica irritado ao ver que as pessoas não dão o valor necessário a essa obra, me lembram o quanto devotamos o nosso amor a determinados livros e como defendemos com unhas e dentes os nossos queridinhos. O final que não o agradou, mas que ele nem sonhava que tinha continuação onde a história melhorava e tinha o final que ele esperava, nos deixa apreensivos e com (um pouquinho) de pena dele. Tudo que ele sofreu na prisão acaba sendo em vão, pois perdeu de estar com o que mais interessava para ele: o final da obra de Jimmy Gold.

“Para os leitores, uma das descobertas mais eletrizantes da vida era a de que eles eram leitores, não apenas capazes de ler (o que Morris já sabia), mas apaixonados pelo ato. Desesperadamente. Incorrigivelmente. O primeiro livro a fazer isso nunca era esquecido, e cada página parecia trazer uma nova revelação, que queimava e exaltava: Sim! É assim! Sim! Eu também vi isso! E, claro: É o que eu acho! É o que eu SINTO!”

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Do outro lado temos Peter, um nerd que acaba amando o escritor tanto quanto Morris, mas que tem um amor pela família que vai além disso, diferente do antigo fã que tinha problemas familiares e se encontrava apenas nesses livros. Por isso, quando ele vê a oportunidade de ajudar a sua família ele não pensa duas vezes e numa dessas acaba se envolvendo com quem não deveria. Todo esse amor que começa a partir dos manuscritos encontrados leva Peter a desejar estudar literatura americana. Peter é aquele tipo de personagem que faz você se apaixonar logo no início. Com todo o seu zelo pela família, o amor incondicional aos livros e um coração gigante generoso. Todo o tempo imaginei ele como o ator John Karna, o famoso nerd fã de terror Noah Foster da série Scream, que seria uma excelente sugestão para uma possível adaptação. Outro ponto que achei interessante nesse livro foi a capa que, assim como a anterior, apresentam imagens que farão sentido com o decorrer da história: um livro e uma árvore, ambos com sangue.

“- Você e Jimmy Gold vão se dar muito bem. Ele é um merdinha sarcástico que se odeia. Bem parecido com você.”

Durante toda a narrativa ficamos esperando a chegada dele, o grande Bill, mas ele acaba aparecendo mais para o final e não acredito que teve tanta importância quanto no primeiro livro em que ele era o foco principal. E, claro, é sempre maravilhoso ouvir as pegadas inteligente de Jerome, assim como constatar a evolução da retraída Holly, que é peça fundamental para desvendar um mistério dessa história. Apesar de não termos o personagem de Bill tão desenvolvido aqui, foi maravilhoso vê-lo novamente e observar ele reencontrando um antigo conhecido: Brady, o assassino do Mercedes que continua vivo e despertando a curiosidade dos médicos que observam comportamentos estranhos nesse personagem que está quase catatônico. Senti que no próximo e último livro da trilogia teremos o que King faz de melhor: uma história sobrenatural! Nem preciso dizer que estou mais que ansiosa por essa continuação, mesmo não estando pronta para me despedir do meu detetive favorito Bill Hodges.

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ACHADOS E PERDIDOS

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Ano de publicação: 2016

“— Acorde, gênio.” Assim King começa a história de Morris Bellamy. O gênio é John Rothstein, um autor consagrado que há muito abandonou o mundo literário. Bellamy é seu maior fã e seu maior crítico. Inconformado com o fim que o autor deu a seu personagem favorito, ele invade a casa de Rothstein e rouba os cadernos com produções inéditas do escritor, antes de matá-lo. Morris esconde os cadernos pouco antes de ser preso por outro crime. Décadas depois, é Peter Saubers, um garoto de treze anos, quem encontra o tesouro enterrado. Quando Morris é solto da prisão, depois de trinta e cinco anos, toda a família Saubers fica em perigo. Cabe ao ex-detetive Bill Hodges e a seus ajudantes, Holly e Jerome, protegê-los de um assassino agora ainda mais perigoso e vingativo. .

É colaboradora do Resenhando Sonhos.
Natural de São Sepé, atualmente morando em Santa Maria.
Formada em Gestão da TI pela URCAMP e cursando Produção Editorial na UFSM.
Apaixonada por livros, Johnny Cash e cachorros.