Adrenalina Sombria – Thaís Barros

Adrenalina Sombria é da brasileira Thaís Barros e foi lançado pela Novo Século em 2017.

Sobre o livro

Na cidade de Brasília, cinco amigas inseparáveis: Verônica, Beatriz, Ametista, Lola e Cora possuem características e estilos diferentes, mas com um gosto em comum: o sobrenatural. Elas sempre tiveram interesse por tudo que envolvesse espíritos, fenômenos sobrenaturais e o lado oculto das coisas. No dia 31 de outubro, conhecido como o dia que os espíritos dos mortos andam por aí, no porão da casa da tia de Beatriz, elas acham um velho tabuleiro de ouija e, neste momento, tomam uma decisão que mudará suas vidas: decidem usá-lo.

As garotas, em meio a uma mistura de animação e medo, nem imaginam que estão lidando com forças ocultas e malignas. E, as coisas não saem como elas esperam. Um ano após esses acontecimentos, cada uma das meninas ganhou o que elas chamam de “dotes”. Uma pode ver espíritos, outra sempre acerta no tarô, uma pode ter visões de dentro da cabeça das pessoas e outra pode mover objetos com a força da mente. Acontece que, no mesmo dia que elas invocam essas forças, ocorre uma tragédia.

“Eu estava estática. Por toda a minha vida gostara de mexer com o que me dava medo. Algumas pessoas queriam ver o sangue ferver e a cabeça rodopiar ao sentir a adrenalina de um esporte radical, mas eu gostava do medo do desconhecido.”

Ao tentarem entender o que está acontecendo, uma das cinco garotas acaba entrando em coma, sem nenhuma explicação. E então, as demais passam a buscar uma explicação para o que aconteceu naquele fatídico dia e se isso tem alguma ligação com os eventos que vieram depois. Por que foram dados esses dotes à elas? Quem seria esse espírito que as presenteou? Vocês gostaria de ter algum desses dotes, mesmo sabendo como eles foram adquiridos?


Minha opinião

Quando peguei esse livro, sabia muito pouco sobre a história. Imaginava que encontraria algo extremamente sombrio e tenebroso, mas para minha tristeza, encontrei um livro mais focado em uma história de amor e amizade de um grupo. Infelizmente, não consegui gostar tanto assim da história. Achei um fluxo muito grande de personagens e nomes para lembrar, situações meio absurdas para adolescentes dessa idade e pouca exploração sobre os dotes que essas garotas ganham ao mexer com o tabuleiro. Eu pensava, sinceramente, que a história focaria mais nisso. E, além disso, a trama deixa vários pontos soltos.

A amizade das garotas é bem aquela amizade adolescente e bobinha. Por muitas vezes, eu ficava indignada com certas atitudes e conversas delas, mas depois parava e pensava: quando eu tinha essa idade, também era assim. Isso foi muito bem retratado, a jovialidade delas. Citando figuras da cultura pop, dilemas adolescentes, como o primeiro amor e o tão temido vestibular, unidos a uma entidade maligna que as persegue.

De todas as personagens, a que mais me chamou a atenção foi Ametista. Não consegui decidir se ela realmente gosta das amigas ou não, pela forma que trata elas. Sempre de maneira grossa e com xingamentos. Ames está constantemente irritada. Diversas vezes me perguntei qual o motivo que levava as outras meninas a andarem com uma pessoa tão desprezível. Ao mesmo tempo que ela tinha atitudes legais com as amigas, ela colocava tudo a perder por falar demais, não ter filtro e ser tão esquentadinha. Acredito que a história dela não foi explicada, e que deve existir um motivo bem forte para ela ser desse jeito. Afinal, ela é a Regina George da escola!

“Aquela figura enegrecida que me encarava por entre as trevas era a coisa mais maligna que já havia se aproximado de mim. O formato de sua silhueta era quase inumana, mas eu sabia que havia algo familiar nela.”

Achei também que a forma como tudo foi arrematado, para se encaminhar para o final, foi muito fantasiosa para a situação. Muitos elementos diferentes acabaram sendo juntados nessa narrativa e talvez, por isso, que a história perdeu o fio da meada. Poderes, entidades malignas, as meninas encontrando justamente aquilo que desencadearia todos os seus problemas. Achei essa história muito mirabolante. Mas, gostei muito de alguns diálogos que fizeram a leitura fluir mais facilmente. Depois, na metade do livro, acabei empacando pois tudo me parecia muito absurdo e viajado demais.

Como a narrativa é contada por Verônica, vemos tudo da perspectiva dela. E devo dizer: que menina odiosa. Ela toma atitudes muito inconsequentes é a típica adolescente rebelde. E ela tinha tudo para ser uma boa personagem, só faltou ser bem construída. Achei meio estranho ela ter a liberdade que tem no livro, para sair a qualquer hora, beber e tudo mais. Ela é perseguida pelos colegas sendo chamada de esquisita por adotar um visual mais gótico, sofre com pais que ela odeia e nutre um amor por alguém que conhece desde muito nova. Típicos problemas adolescentes, que acabam sendo o foco maior da história.

Ao se aproximar do final faltam explicações que eu acreditava serem essenciais. A construção da história não foi tão boa quanto eu esperava. Apesar do final em si ser bom. Faltou explorar mais as personagens, seus dotes, essa conexão existente entre uma delas e essa entidade, a história dessa entidade e formar alguns relacionamentos mais sólidos. Alguns personagens, que pareciam ter importância, acabaram relevando-se muito rasos. Mas, o livro consegue ser juvenil e sério ao mesmo tempo. Observei muitas história paralelas e muito pouco foco no enredo principal.

Dentre problemas familiares, problemas escolares e amores conturbados, essas garotas precisam lidar com uma entidade sobrenatural que paira sobre elas, mas não se engane, o livro não tem nada de assustador. Por muitas vezes lembrei do filme Jovens Bruxas (1996), tanto pela descrição das meninas, quanto pela forma que elas são vistas pelos outros e lidam com seus poderes. Talvez, esse seja um livro para aquelas pessoas que gostam de uma pontinha de terror, misturada com adolescentes e seus problemas corriqueiros. A história não me pegou justamente por isso, mas quem sabe não pega você?

 

3estrelasB

ADRENALINA SOMBRIA

Autor: Thaís Barros

Editora: Novo Século

Ano de publicação: 2017

Verônica, Beatriz, Ametista, Lola e Cora são inseparáveis. E em vez de passarem o tempo assistindo a séries juntas, as cinco amigas gostam de lidar com fenômenos sombrios. Estudiosas dos mistérios sobrenaturais, acham que está na hora de saírem dos contos de terror e se aventurarem em algo de fato perigoso; porém, tudo dá errado. Uma delas entra em coma, outra recebe visitas sombrias durante o sono e as demais veem suas vidas virarem de cabeça para baixo. Nunca deveriam ter mexido com demônios. Os mortos não gostam de ser incomodados durante o sono eterno, e agora eles querem vingança.

 

É colaboradora do Resenhando Sonhos.
Natural de São Sepé, atualmente morando em Santa Maria.
Formada em Gestão da TI pela URCAMP e cursando Produção Editorial na UFSM.
Apaixonada por livros, Johnny Cash e cachorros.

  • Natália Costa

    Quando a gente não gosta do personagem narrador já é motivo para não gostarmos tanto da história ou do livro! hahaha
    Acho que para escrever temas assim, com toques sobrenaturais, acho que precisa ter uma segurança do autor em escrever algo coerente com as expectativas do leitor, se é que me entende. É arriscado se aventurar! hahaha

    • Geórgea Teixeira Morais

      Olá, Nat! Verdade! O livro me decepcionou em diversos pontos, mas sempre é possível agradar outras pessoas. Beijo!

  • Carolina Santos

    Muito boa a sua resenha. Me despertou a curiosidade e vontade de ler esta estória. Espero que valha a pena

    • Geórgea Teixeira Morais

      Olá, Carolina! Espero que sua experiência com ele seja melhor que a minha. Beijo