Além da Magia – Tahereh Mafi

Além da Magia é o primeiro livro dentro da série Futhermore da autora Tahereh Mafi, lançado no Brasil em 2017 pela editora Universo dos Livros.

Sobre o Livro

Alice Queensmeadow vive em Ferenwood, uma terra cheia de cores e de magia. Porém, há algo de diferente nela, já que tudo em si é branco e desprovido dessa cor que significa tanto para esse povo. Assim, não é surpresa para ninguém que ela sofra uma certo preconceito e sinta na pele os olhares atravessados.

“Seus cabelos e pele eram brancos como leite; o coração e a alma leves como seda. Os olhos haviam praticamente sido poupado de cores, traziam apenas o mais discreto toque de mel. Era o tipo de criança que seu mundo seria incapaz de apreciar.”

Pra piorar, seu pai desapareceu e o relacionamento como sua mãe está indo de mal a pior. Mas Alice tem esperança que após a Entrega as coisas mudem. Nessa celebração, onde participam as crianças que completaram 12 anos, cada um apresenta seu talento e recebe uma missão, e a jovem tem se preparado bastante para esse dia.

Entretanto, pode ser que nem tudo saia como o planejado e a garota tenha que ir até outro mundo em uma aventura que pode lhe exigir muito mais do que o esperado, em uma companhia duvidosa.


Minha Opinião

Esse foi o meu primeiro contato com a autora da série Estilhaça-me e posso dizer já de cara que gostei muito da forma como ela escreve. A sua primeira história publicada por aqui, que inicialmente foi lançada pela Novo Conceito, mas que agora está sendo toda republicada pela Universo dos Livros, com a chegada do quarto livro, nunca me chamou muito a atenção or eu já ter ouvido muito sobre o romance que se desenvolve, que é algo que não funciona comigo. Portanto, deixei de lado e fiquei feliz quando uma nova oportunidade surgiu para que eu conhecesse seu trabalho.

Essa nova série de livros, teoricamente, pode ser lida se forma independente, sem a necessidade de seguir uma ordem. Além da Magia, portanto, funcionaria como uma livro único ou como o primeiro para os que virão na sequência. A proposta da série é nos apresentar mundos mágicos que se interligam, e em cada um deles trazer um protagonista diferente.

Aqui conhecemos Alice, uma garota desprovida de cor em um mundo onde isso é sinônimo de poder. Isso, obviamente, faz com que sua auto estima e confiança fique abalada, e o desaparecimento de seu pai, seu porto seguro, agrava ainda mais a situação. A menina então sairá em uma aventura até Futhermore em busca de respostas e de encontrar o pai pelo caminho, se tudo der certo. Porém esse é um local diferente, com regras diferentes e cheio de armadilhas.

“Era só que ela já gostava tanto de si mesma e se achava tão interessante (e inteligente e criativa e legal e engraçada e amigável e autêntica) que ela realmente não conseguia entender por que não era mais fácil para ela se misturar.”

E é ai, que além do nome, Alice também compartilha outras semelhanças em sua história com uma outra menina que também vai parar em um outro mundo, encontra coisas estranhas e precisa passar por muitas aventuras e situações inusitadas até poder voltar pra casa. Apesar de a referência estar clara pra mim, a autora não afirma que seja uma inspiração e portanto vai do desejo ou não do leitor de levar isso em consideração.

Pra mim foi impossível ignorar e, portanto, em vários aspectos, achei a história bastante semelhante. Porém, o que se destaca mesmo nessa história é Alice, seus conflitos e sua personalidade. Ela é uma menina de 12 anos e, por isso, não é mas tão criança e já tem suas muitas opiniões e vontades. A jovem não está disposta a aceitar muita ajuda e não gosta de ouvir a opinião alheia, o que a coloca em muitas confusões e a mim pelo menos, a fez soar como uma garota birrenta e egoísta em muitos momentos. Tem um em especial, que eu senti muita raiva da personagem pelo vitimismo que estava acontecendo em uma situação em que ela tinha a faca e o queijo na mão pra solucionar o problema.

E essa é praticamente a única coisa que impediu que eu tivesse uma experiência completamente positiva com a história, juntamente com o final corrido que se resolve em meia dúzia de páginas. Quando me aproximava do fim comecei a pensar que o negócio de a história se fechar e funcionar como livro único era uma mentira, pois faltava muito pouco para acabar e não havia nada resolvido. Dai, de uma hora para a outra tudo é solucionado. Eu fiquei com uma sensação de que precisava que houvesse uma proporção melhor nas coisas.

Fora isso, os mundo são muito interessantes. Vale a pena ressaltar que a autora nos apresenta a eles com suas características e não tenta ficar encaixando explicações ou lógica. Então também é necessário ir com a história e descobrir pouco a pouco as particularidades de cada local.

Além de Alice temos um personagem que entra logo no começo que é Oliver Newbanks. O garoto fez bullying com a jovem na escola e não causou uma boa impressão, por isso, quando volta a aparecer na vida dela, há uma enorme desconfiança. Sentimento esse que se tornou meu. Se teve alguém em quem eu não confiei nem um pouco por todo o livro, foi em Oliver. Isso, porém, não quer dizer que ele seja alguém que “merece” toda essa atenção, mas também não consegui ignorar.

E, por trás de todo o mundo mágico, os lugares diferentes, os personagens e a trama central do livro, há vários temas que a autora trabalha nas entrelinhas, misturado à história. Perdão, amizade, pertencimento, família. Se você olhar atentamente, vai se pegar enxergando várias coisas que podem passar despercebidas, como referências ou trocadilhos.

Em termos de narrativa, achei muito fácil navegar pelas páginas e pela história de Alice. Como já mencionei, a escrita da autora é bem gostosinha e o livro acaba sendo uma leitura rápida e divertida, afinal há um certo humor que norteia também a trama. Acho que mesmo que seja um livro voltado a um público mais jovem, funciona também com os adultos, além de ter uma cenas que eu até considerei fortes para serem lidas por crianças mais novas. Mas, talvez eu esteja sendo super protetora, afinal, muitas crianças já estão jogando vídeo game de tiros e matança desde muito novos. Apenas vale  saber que há pelo menos dois momentos onde há situações que podem sair um pouco do padrão mais inofensivo.

Enquanto escrevo essa resenha, já fiz a leitura do segundo livro, A Magia do Inverno e antecipo que acabei gostando mais dele do que de Além da Magia. E, pra quem se apaixonar por Alice e Oliver (ou apenas um deles), eles vão dar suas caras por lá também, interligando as histórias, mas mantendo a lógica do “pode ser lido separadamente”.

Então, se você está a procura de uma história lúdica e cheia de aventura pelos olhos de uma jovem garota, Além da Magia é uma boa pedida. Tahereh Mafi sabe muito bem encantar e conduzir o leitor e Alice, mesmo com seus altos e baixos, tem muitas lições a nos ensinar.

ALÉM DA MAGIA

Autor: Tahereh Mafi

Editora: Universo dos Livros

Ano de publicação: 2017

Há apenas três coisas importantes para Alice Alexis Queensmeadow, de 12 anos: sua mãe, que não sentiria sua falta; magia e cor, os quais parem escapar dela; e seu pai, que sempre a amou. No dia em que seu pai desapareceu de Ferenwood, ele levava consigo apenas uma régua. Já se passaram quase três anos e Alice está determinada a encontrá-lo. Ela o ama tanto quanto ama aventura, e está prestes a embarcar em um para encontrar o outro.
No entanto, trazer seu pai para casa não será tão fácil. Alice precisa viajar através da mística e perigosa Terra de Furthermore; onde para baixo pode ser para cima, papel está vivo e esquerda pode ser direita. Sua única companhia é um garoto chamado Oliver, cuja habilidade mágica é mentir e enganar – e com um mentiroso em uma terra onde nada é o que parece ser, requisitará de Alice toda sua concentração para encontrar seu pai e conseguir voltar para casa sã e salva. Em sua jornada, Alice precisa se encontrar- e se agarrar à magia do amor diante da perda.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.