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Alma? – Gail Carriger

Alma? é o primeiro livro do Protetorado da Sombrinha, de Gail Carriger. O livro foi lançado em 2013 pela editora Valentina.

Sobre o Livro

Em um mundo onde vampiros e lobisomens coexistem em uma sociedade organizada, novas regras surgiram. Porém, não só esses seres habitam o mundo como também uma “espécie” ainda mais rara, aqueles que nasceram sem alma e são capazes de neutralizar o poder dessas criaturas.

Alexia Tarabotti é uma dessas pessoas e, sendo solteirona para sua idade, acaba por ver o mundo de uma forma mais direta. Ela não se enquadra nas regras sociais da época vitoriana e tem sua vida modificada quando é atacada por um vampiro nada cortez que não sabe nada sobre a cortesia requisitada.

“A jovem concluiu, naquele exato momento, que Lorde Maccon possuía dois modos de operação: irritado e excitado. Perguntou a si mesma com qual deles preferiria lidar no dia a dia.”

Isso, porém, é apenas o estopim para que várias coisas sejam descobertas e mais criaturas começam a aparecer sem ter sido criadas da forma “certa”. Ao lado de Lorde Maccon, um lobisomem enviado pela Rainha Vitória para fazer a investigação, muitas coisas serão descobertas, inclusive um lado mais íntimo de seu ser que Alexia ainda não havia descoberto.


Minha Opinião

Já fazia algum tempo que eu vinha ouvindo falar sobre essa série e vendo os comentários sempre positivos do pessoal que leu. Porém, como sabia que envolvia o mundo sobrenatural, o qual eu tenho uma leve desavença já faz um tempo, mantive-me afastada até agora. Porém, acho que na verdade escolhi o momento certo para fazer a leitura, porque abracei a história, acredito eu, da forma que ela precisava ser encarada.

Alma? é, antes de tudo, um livro muito divertido. Todas as tiradas, piadas e inserções cômicas são exatamente no ponto e combinam muito com a personalidade dada à protagonista. Suas cenas compartilhadas com Lorde Maccon ou a irmã mantém um tom que deveria ser sério pela situação, mas sempre acaba em algazarra.

“A Srta. Tarabotti costumava manter sua condição de não ter alma em segredo, até mesmo para a própria família. Contudo, não era uma morta-viva, e sim um ser humano, que respirava e simplesmente… carecia de algo.”

Vale lembrar que o cenário é a era vitoriana, ou seja, anos 1800. Portanto, estamos lidando com uma sociedade conservadora e quer quer casar suas damas cedo, com bons pretendentes e onde certo decoro é necessário para que a honra da família não seja manchada. E, dadas as devidas proporções, vi a história como um Orgulho e Preconceito, onde Alexia Tarabotti é a moça que já deveria ter casado, mas que não fara isso por imposição, entretanto acaba por ter sentimentos pelo improvável e assustador homem que está em uma posição muito mais elevada que a sua. Já esse homem não consegue expressar seus sentimentos com clareza, levando a várias interpretações que geram as já comentadas cenas engraçadas.

O que eu mais gostei nessa história é o fato de que mesmo como parte integrante e importante da história, a exploração ao sobrenatural ocorre de forma natural e sem a necessidade de “ensinar ou esclarecer” como são os vampiros ou lobisomens desse mundo. Pressupõe-se que sabemos como eles naturalmente agem, o que de fato sabemos, e podemos seguir em frente tirando isso do caminho e todos os pormenores que surgem de redesenhar essas lendas.

“Os sobrenaturais, fossem eles vampiros, lobisomens ou fantasmas, só existiam em virtude da superabundância de almas, um excedente que se recusava a morrer.”

A personalidade da protagonista também é um ponto forte. Ela é, sem dúvidas, peculiar. Por não ter alma, a forma como ela vê e sente as coisas é diferente. Não há tanto filtro sobre o que é aceitável ou não dizer e isso se aplica também a certas coisas do comportamento. Isso tudo inserido num período temporal onde qualquer gafe vira algo extremo, torna tudo mais propício à divertimentos. Além é claro de ela ser destemida, corajosa e, como normalmente acontece em romances de época, mais a frente do seu tempo, questionando o que a sociedade impõe como certo.

A narrativa de Gail é muito fluida e Alma? é um livro muito rápido de ler. Eu digo a vocês que dei muitas risadas e foi exatamente o que eu estava procurando naquele momento para me aliviar de algumas leituras mais pesadas. E, sendo assim, até alguns aspectos que, para alguns podem parecer meio bobos ou clichês (eu incluída), pareceram tão bem encaixados que contribuíram para que esse clima divertido fizesse ainda mais sentido.

Certamente quero dar continuidade a essa série para ver o que Alexia vai aprontar daqui pra frente. Os próximos livros já lançados aqui no Brasil são: Metamorfose?, Inocência? e Coração?, e acredito que essa série vai agradar tanto quem curte romance de época, como quem é fã de romances mais sobrenaturais, já que faz um mix bem medido das duas coisas.

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ALMA?

Autor: Gail Carriger

Editora: Valentina

Ano de publicação: 2017

Alexia Tarabotti enfrenta uma série de atribulações sociais, quiproquós e saias justas (embora compridíssimas) em plena sociedade vitoriana. Em primeiro lugar, ela não tem alma. Em segundo, é solteirona e filha de italiano. Em terceiro, acaba sendo atacada sem a menor educação por um vampiro, o que foge a todas as regras de etiqueta.
E agora? Pelo visto, tudo vai de mal a pior, pois a srta. Tarabotti mata sem querer o vampiro ― ocasião em que a Rainha Vitória envia o assustador Lorde Maccon (temperamental, bagunceiro, lindo de morrer e lobisomem) para investigar o ocorrido.
Com vampiros inesperados aparecendo e os esperados desaparecendo, todos parecem achar que a srta. Tarabotti é a responsável. Será que ela conseguirá descobrir o que realmente está acontecendo na alta sociedade londrina? Será que seu dom de sem alma para anular poderes sobrenaturais acabará se revelando útil ou apenas constrangedor? No fim das contas, quem é o verdadeiro inimigo, e… será que vai ter torta de melado?
Uma das séries de Steampunk mais cultuada do mundo.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.