Amanhã #3: No Terceiro Dia, a Geada – John Marsden

No Terceiro Dia, a Geada é o terceiro volume da série Amanhã, do autor John Marsden. O livro foi lançado no Brasil em 2011 pela editora Fundamento.


*Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores

Sobre o Livro

Depois dos últimos acontecimentos o grupo novamente se isolou no inferno. Ter perdido mais um membro não foi algo fácil, e seis meses se escondendo já está cobrando seu preço. Porém, eles não podem ficar estáticos para sempre e é preciso achar forças para seguir em frente com a resistência. Depois do atentado, porém, eles foram perseguidos e há mais olhos agora esperando que eles apareçam. Os colonizadores também já estão se instaurando nas casas das famílias, e a cidade pulsa em um ritmo diferente, já que seus reais moradores seguem cativos ou viraram serviçais dos invasores.

“Quando sua terra é invadida, seu povo é aprisionado e toda a liberdade e os sonhos de um futuro maravilhoso caem por terra, você tem duas escolhas: render-se ou… lutar.”

Ellie, Le, Homer, Fi e Robyn começam a bolar um novo plano, mirando a Baía do Sapateiro, principal ponto na região. Porém, antes disso eles vão reencontrar um velho amigo e por uma nova perspectiva em vista. Algumas coisas vão mudar ao longo da jornada e um novo caminho parece se abrir em frente aos jovens. Agora a pergunta que fica é: vale a pena seguir lutando?


Minha Opinião

No Terceiro Dia, a Geada é um livro de transição entre o cenário que vínhamos vendo e conhecendo nos dois primeiros livros, para um novo caminho na história. Acho que é exatamente a hora de mudar, pra que a trama não fique repetitiva e possamos dar um novo rumo. Aqui também temos uma melhor visualização do contexto global. Estamos na Austrália, ela foi invadida já há 6 meses e parece que a principal aliada que está ajudando o país é a Nova Zelândia. Há sim uma resistência, lugares chamados de Zonas livres e, com isso, a abertura da configuração política se fez mais exposta ao leitor.

Todo o segredo pra mim no primeiro livro e a falta de informações concretas no segundo foi um ponto negativo, pois saber que se tratava certamente de uma realidade como a nossa em nosso mundo, dá um peso mais substancial para a trama. Há também uma dose a mais de ação, principalmente na cena que envolve a Baía do Sapateiro. Foi uma sequência muito bacana que começa ali a moldar um novo caminho para a história.

“Virei uma especialista em medo. Acho que já senti todas as emoções fortes que existem: amor, ódio, inveja, raiva. Mas o medo é a maior de todas. Nada é tão intenso nem nos atinge tão profundamente quanto o medo. O medo toma posse da gente como nenhuma outra emoção faz. É um tipo de doença, uma febre que nos domina.”

Algo que eu defendi no primeiro livro foi que esses jovens sabiam a sua posição e o fato de que não poderiam resolver tudo sozinhos. O que aconteceu foi que, com o sucesso dos ataques que fizeram, um certo orgulho subiu à cabeça e aqui a coisa mudou um pouco de figura. Pelo que o próprio livro conta, eles vivem em uma cidade do interior e mesmo assim passam a achar que estão fazendo grandes coisas. Alguns contato exteriores também alertam ao fato de que já se sabe sobre a atuação deles e isso meio que desmorona o meu elogio inicial à trama. Mas acho que a aparição de personagens mais adultos vá ajudar a resolver isso.

Algo que achei legal em relação a isso, para balancear, é que comecei a me perguntar como um grupo de adolescentes poderia ser mais bem sucedido e nunca pego, do que uma organização armada que foi capaz de invadir um país. Conforme a pergunta crescia dentro de mim, o livro veio e me apresentou uma premissa em resposta: os invasores não achavam que estavam lidando com adolescentes e sim que havia mais por trás deles. Os jovens são vistos como peões e não como os perpetuadores, o que dá a eles um aval de não serem tão levados a sério. Não resolve a situação, mas pelo menos posiciona o autor como sabendo da discrepância do que está apresentando.

“Será que a vida nunca vai ser fácil de novo?”

A personagem que mais me deu nos nervos aqui foi Ellie. Desde o segundo livro, quando a relação dela com o Lee se consolidou, houve uma decaída no rendimento da personagem. Agora, repetindo o que já havia acontecido no 2º livro, ela passou a implicar com o ato de matar e, quando o Lee é forçado a tal, sua cabeça começa a divagar sobre o quando ela sente repulsa por ele, desconstruindo a relação dos dois e também parte da personagem pra mim. Principalmente pois algo acontece com ela no último terço do livro que deveria voltar nesse assunto pra uma reflexão e nada é mencionado sobre.

Homer assume o papel de líder junto com Ellie e por isso, Lee fica mais de lado nesse terceiro livro. Acho que foi bom, pois devido aos conflitos citados a cima provavelmente isso atrasaria a história com diálogos ruins e debates sem pé nem cabeça sobre ele se defender quando necessário. Parece que a personagem não entende que eles estão em guerra e que, entre perder alguém que você ama, às vezes é necessário matar. Além de que, Lee não deve fazer isso de forma leviana, e o peso que ele carrega não precisa do acúmulo do julgamento de Ellie. Os outros personagens passam mais como secundários e tem bem pouca voz na trama.

A narrativa do autor segue super fluída e todos os livros da série amanhã, até o momento, são muito rápidos de serem lidos. Também há detalhes nas páginas que inicial cada capítulo, além das capas já bem características.

No Terceiro Dia, a Geada veio pra esclarecer algumas dúvidas, posicionar algumas peças e preparar o tabuleiro para uma mudança de cenário. Como o que acontece no fim do livro há um novo gás para a trama, proporcionando ao leitor que já vinha ficando acostumado com o ritmo uma expectativa mais com relação a continuação Escuridão, Seja Minha Amiga.

AMANHA #3: NO TERCEIRO DIA, A GEADA

Autor: John Marsden

Editora: Fundamento

Ano de publicação: 2011

Mesmo sendo um pequeno grupo de adolescentes sozinhos e despreparados, Ellie e seus amigos continuam a resistir à perseguição cruel que tomou conta do país deles. Ao escolher um alvo tão grandioso quanto difícil de ser atingido, esses heróis modernos têm um desafio superarriscado que pode mudar o curso da guerra. E torná-los inimigos número 1 dos invasores.

Uma história de muito suspense, ação e explosões, em que, a qualquer momento, tudo pode mudar.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.