Amy – Documentário

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Eu sei que Amy Winehouse é um nome que divide opiniões e que muita gente não gostava da cantora, de suas músicas ou de sua postura. Eu, ao contrário, era super fã dela e a acompanhei desde que sua carreira estourou com Back to Black. Lembro do dia 23 de julho de 2011 como se fosse hoje. Acordei e minha mãe me disse que meu gato, que estava doente há um tempo, havia morrido durante a noite e quando ligue para o meu namorado da época ele me contou sobre a morte de Amy. Talvez se um fato não tivesse vindo carregando o outro a data significasse pouco, porém foi suficiente pra ficar marcada.

É difícil entender o que é a fama e a pressão que as celebridades que são vigiadas 24h por dia sentem. É normal ouvir que ela se drogava ou ficava bêbada por que queria, que com todo o seu dinheiro ela fazia essas coisas para se aparecer e isso sempre me incomodou um pouco, o olhar julgador sobre a vida que todos nós desconhecíamos.

Ano passado um documentário sobre a cantora dirigido por Asif Kapadia, o mesmo diretor se Senna, foi liberado e em fevereiro chegou ao Netflix, o que fez com que eu fosse assistir. Confesso que já fazia um tempo em que eu não pensava sobre Amy, apesar de seguir ouvindo suas músicas, e esse documentário veio como um soco no estômago.

Com vídeos caseiros, fotos, entrevistas, bastidores, apresentações e depoimentos começamos a conhecer Amy antes da fama, quando ela chamou a atenção de um caça talentos ainda muito jovem. Ela dizia que não se sentia representada nas músicas que estavam sendo compostas e precisava escrever canções que a tocassem. Amy não queria ser famosa, Amy queria cantar, compor e tocar as pessoas.

Acho que um dos momentos mais importantes pra mim durante esse documentário foi quando ela é perguntada o que ela espera ser e responde que provavelmente enlouqueceria se alcançasse a fama, se tivesse milhares de pessoas olhando pra ela o tempo todo. E, mais do que um filme sobre como ela ascendeu e caiu, “Amy” é um documentário sobre negligência. Sobre como os pais dela sabiam que ela era bulímica ainda na adolescência e fecharam os olhos, sobre quando ela esteve mal pela primeira vez, antes de Rehab bombar e o pai dela resolveu a mandar em shows ao invés de para um clínica de reabilitação. Talvez só essa atitude poderia ter mudado tudo, talvez não.

O amor, também enlouquecedor, que ela sentia por Blake Fielder-Civil teve seu papel e Winehouse conheceu as drogas pesadas, como crack e cocaína, pelas mãos daquele com quem ela casou e, anteriormente, após um rompimento, foi o inspirador de Back to Black. Fielder não queria abandonar as drogas e não queria que Amy o fizesse também. De forma bastante errada eles foram inclusive internados juntos, o que é antiético e em um vídeo caseiro vemos Black implicando com uma Amy bastante depressiva que ela nunca mais vai poder cantar Rehab, já que cedeu a pressão para tentar ficar sóbria. O relacionamento desmoronou quando, após Blake ser preso, ele vê fotos de Amy com outro cara e pede o divórcio.

No início, vemos uma garota doce, saudável, feliz, brincalhona e esperançosa. Alguém que via na música um porto seguro e que queria ser ouvida, queria escrever coisas que tocassem as pessoas. No final, a sombra do que um dia Amy Winehouse foi, é ocultada pela realidade do que um conjunto de mals pode fazer a uma pessoa.

Todas essas coisas, junto ao uso abusivo de álcool e a pressão da família, dos empresários e da mídia, fizeram com que uma garota que parecia ter o potencial pra ter se tornado incrível, caminhasse em direção ao precipício. Ela não era internada quando precisava, fazia shows quando claramente não tinha condições pra isso e era deixada sozinha quando precisava receber atenção.

A verdade é que Amy tinha problemas, era negligenciada e foi isso que a matou. Amy, a família, a mídia e os empresários, todos deram seu empurrão para que o dia 23 de julho de 2011 fosse o último.

 

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Erika

    Não lembro de ter visto esse documentário na netflix, mas vou procurar (estou viciada nos documentários de lá). Eu não era fã da Amy, mas admirava seu trabalho. Uma amiga muito próxima me mandou um sms falando da sua morte, no dia, e estava bem arrasada. Não tem como ninguém deixar de ficar tocado com uma morte tão precoce. Quero ver o documentário pra saber mais e falarmos sobre inbox, mas só de ler o que você falou no post já compreendo o fato de que deve ser enlouqucedor ser famosa. E amar (?) uma pessoa abusiva.. Isso destrói a sanidade de qualquer um. Quando eu assistir ao documentário te falo. Beijos, miga.

    • Erika, ficou disponível em 1° de fevereiro se não me engano e vale a pena sim. É muito interessante conhecer o por trás das câmeras.

      Beeijo

  • Documentário maravilhoso da Cantora. Realmente forte. E, independente de gostar ou não do trabalho dela, acredito que seja um documentário que todos deveriam assistir.

    Também fiz resenha lá no blog sobre Amy.

    =**

    Mani Piñeiro

    • Concordo Manuela, super recomendo assistir, pois mostra pra gente que existe muito mais por trás desse mundo de fama que a gente conhece e acha que pode julgar.

      Beeijo

  • Bruna Vieira

    Vou assistir a esse documentário, eu peguei na TV um dia desses e me emocionei tanto, não sabia que tinha na Netflix o/
    Confesso que sempre gostei de suas músicas, mas não gostava da postura dela e tal, mas as poucas partes do documentário que assisti, mudaram completamente como eu a via.
    O ser humano se esquece que por trás de toda a fama, há uma pessoa, uma história. Há negligências, experiências, escolhas…
    Esse documentário é um belo tapa na cara, digo isso, pois foi pra mim.
    Beijo*
    http://umminutoumlivro.blogspot.com.br/

    • Sim Bruna, imagino que a postura dela desagradou muita gente. Mas vendo com a coisa realmente acontecia e do quão ela foi negligenciada em vários aspectos, até não haver mais volta :(

      Beijoo

  • Ryokobel

    Oi Tamirez, tudo bem contigo ???
    Eu vi quando Amy foi disponibilizado no Netflix, mas confesso que não consegui reunir coragem para assistir. Sou muito sensível a documentários, e a menos que eles tratem de assuntos que não estejam ligados a nenhum tipo de sofrimento eu consigo assistir numa boa, caso contrário choro como um bebê e fico pensando naquilo por dias. Acho que vou precisar de tempo para conseguir assistir ao documentário, mas uma hora assisto.
    Gostei do que você destacou, gostaria que mais pessoas possuíssem essa visão, pois muitas vezes não conseguimos ver os bastidores, aquilo que destrói pessoas, aquilo que acaba com aqueles que só vemos sob os holofotes. Acredito que além de mostrar a história da Amy, esse documentário vai abrir os olhos de muitos para tudo aquilo que nós não vemos e as vezes não percebemos nessa coisa louca que é a fama.

    Beijinhos
    Hear the Bells

    • Eu confesso que ainda não digeri completamente e me paro pensando sobre o assunto.
      É extremamente triste tudo o que aconteceu e saber disso tudo depois, quando não se há mais nada o que fazer a respeito. Infelizmente vivemos em um munto onde o dinheiro é mais importante que as pessoas :(

      Beeijo

  • Leonardo Amarante

    Oi, Tamiz, minha ruiva maravilha. Tudo bem?
    Não acompanhei a carreira da Amy, conhecia apenas algumas músicas e só fui saber mais a fundo sobre sua carreira depois de sua morte. Entretanto, depois que o documentário foi lançado, fiquei com bastante vontade de assistir e fico contente que já está disponível no Netflix. Vou adicionar à minha lista para assistir em breve.

    Beijos,
    Leo
    http://www.segredosentreamigas.com.br

    • Assiste sim Leo, é bem emocionante e dá aquele ruim na gente sabe? Por ver que tanta coisa péssima aconteceu com ela e ninguém fez nada pelo interesse no dinheiro!

      Beijo e vê se volta logo hahaha ;*

  • Milena Schabat

    Nunca fui realmente fã da Amy, acho que por eu ser bem nova na época que ela estourou na TV e nas Rádios, mas ainda assim eu nunca mudei de música quando ela começou a tocar. Esse julgamento todo me atingiu um pouco quando soube de sua morte, todos falavam que ela era uma drogada irresponsável e eu, super nova, fui seguindo o baile. Mas, mesmo não sendo fã da cantora eu sinto muita vontade de assistir a esse documentário. Eu sempre adorei saber como é/era a vida de cantores e atores e, por isso, sou a louca dos documentários hahaha

    Abraço,
    literarizei.blogspot.com

    • Super recomendo assistir Milena, além de descobrir a verdade no por trás das câmeras, é possível ver que nem tudo são flores :(

      Beeijo

  • Amy sempre foi uma diva pra mim. Gostava da forma como ela se expressava totalmente em suas canções, e do modo como ela se entregava às músicas que cantava, como se cada um delas fosse a última. Acredito que esse documentário veio para abrir os olhos de muitas pessoas que a criticavam e apontavam o dedo, e também para nos fazer refletir sobre nossas próprias relações e atitudes. Aqui, temos a oportunidade de conhecer a Amy por trás de todas as notícias divulgadas todos os dias na mídia, encaramos suas dificuldades e conseguimos até mesmo compreender o porquê de ela não ter resistido aos vícios, apesar de isso ser o seu fim. Acho super válida essa produção, principalmente para aquela que, assim como eu, admiravam a cantora apesar de tudo.

  • brenda amorim

    Nunca fui fã dela, sei muito pouco sobre a carreira dela, pois naquela epoca o assunto não me interessava, mas tenho amigas que eram fãs dela.

    • Quando tiver um tempinho assiste o documentário Brenda, é super bacana ;)

      Beeijo

  • Oie supergirl!

    Acho muito difícil que apareça outra cantora com tal talento e com uma voz tão icônica, e muito triste acompanhar todo o caminho dela até o final. Sabe, vi o show dela estes dias no rock in rio e tipo, como alguém não fazia nada? Ela estava claramente desequilibrada, talvez bêbada ou drogada, e ela numa turnê internacional. Sinto que ela mesmo no fundo do poço, teve muito negligencia familiar e até da imprensa. =/ uma pena

    Beijos,
    Joi

    • ~ Supergirl ~
      Gostei, pode seguir chamando assim hahahaha

      Sim, ela foi completamente negligenciada e ninguém interveio, nem nos piores momentos. Achei muito bom o documentário, por mostrar exatamente essas coisas que a gente não vê por trás das câmeras :(

      Beeijo

  • Caio Ícaro

    Acho que ela era o último suspiro criativo entre trejeitos/figura caricata de alguma coisa realmente interessante na boa música,ela poderia ter dado uma pu** guinada entre o jazz/foxtrot acid music para o rock inspiração atual, mas infelizmente os “heróis” da música parecem tomar rumos errados. Espero assistir em breve.

  • suzana cariri

    Oi!
    Não conheço muito da historia da Amy mas gostava muito das suas musicas e ela era uma cantora super talentosa, fiquei curiosa para poder assistir o documentário e saber um pouco mais de sua historia pelo trailer pareceu bem interessante !!

  • Fernanda Rodrigues Mendonça

    Eu vejo muita gente falar MUITO bem desse documentário e lamentando bem isso que vc disse: se a familia nao fosse tão relapsa, se o marido/namorado não fosse um cretino drogado e etc…Talvez ela ainda estivesse viva. Ela, que foi uma grande cantora.
    Não sei, não sinto vontade de assistir… Quando eu vejo esse tipo de coisa eu fico mal, sabe? Bem chateada mesmo :(

  • Giovanna Jocronis

    Gosto muito da Amy, e esse documentário está na lista pra ser visto em breve. Parece ser bem completo, todos elogiam, e bem, venceu o Oscar. Ótimos pontos colocados na resenha