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Antes Que Eu Vá (2017) | Crítica

Antes que eu vá é a adaptação do livro de mesmo nome da autora Lauren Oliver, lançado no Brasil em 2011 pela editora Intrínseca. Apesar da demora para a estreia, o filme chega aos cinemas com o apoio dos fãs e com o ressurgimento do buzz em volta do título.

A obra conta a história de um dia na vida de Samantha Kingston. Ela faz parte do grupo popular da escola, sua melhor amiga é a garota que todos gostariam de ser amigos e Sam também namora o jogador gato que as menininhas suspiram pelos corredores. Sexta-feira é o grande momento, pois além de ser “Cupido Day”, onde rola uma entrega de rosas pela escola e as mais desejadas são definidas pelo número de flores que recebem, também será a primeira vez da garota com o namorado.

Porém, antes, elas comparecem a uma festa e lá a coisa sai um pouco do controle, resultando em uma briga com Juliet Sykes – a menina estranha que sofre bullying – e um acidente de carro. O que Samantha vê depois disso não é o outro lado ou um hospital, na verdade ela está de volta a sua cama e a sexta-feira está começando novamente. E, parece que até que ela faça algo específico, o ciclo vai continuar se repetindo.

A premissa do livro me interessou desde que eu ouvi pela primeira vez a forma como as pessoas falavam do título com tamanho apresso. Apesar das comparações que ouvi com Se Eu Ficar, afirmo que a proposta é bem diferente e a não ser a questão “morte” não há muita semelhança entre as histórias. Eu acabei fazendo a leitura esse mês ainda antes de ir conferir o filme e fiquei apreensiva, pois não curti tanto assim o livro. Achei que nas páginas a autora acabou se tornando muito repetitiva ao reviver todos os dias e se prendendo a detalhes, fazendo com que o livro só verdadeiramente andasse depois que ela se desprendesse disso e passasse a focar somente nos pontos mais importantes.

No filme, como eu imaginei, isso é muito melhor trabalhado, pois o que se precisa de duas páginas inteiras pra descrever, pode ser mostrado em apenas alguns segundos, trazendo uma dinâmica muito maior para as ações. Enquanto no livro me senti entediada, no filme as coisas pareceram acontecer consideravelmente rápido, mesmo com um começo mais lento de primeiro dia, pois era necessário repassar todo ele para que depois, todas as vezes em que ele fosse revivido sentíssemos também a monotonia da protagonista em estar ali.

A atuação de Zoey Deutch me incomodou um pouco apenas no começo. Ela parecia apática e sem muita expressão, mas isso foi melhorando ao longo da trama. O casting das melhores amigas eu acho que foi bem coerente, assim como o de Juliet. Mas há personagens que não convenceram em seu papel e que certamente soaram bem melhor no livro.

Antes que eu vá é um livro/filme adolescente para falar sobre um tema que gostamos de evitar: a morte. Como você se sentiria tendo que reviver o que deveria ser o seu último dia vez após vez? Sabendo que há algo errado ali, uma peça que precisa ser mudada para que as coisas verdadeiramente se alinhem e voltem a ordem normal. Esse não é um filme ou livro sobre contornar a morte ou sobre decidir ir ou voltar. Esse é um livro sobre as coisas que você pode mudar em sua vida se desse mais atenção a ela, se por acaso soubesse que aquele era seu último dia.

Vocês já pensaram sobre isso? Assim como pensamos sobre o que faríamos se ganhássemos na loteria, o que você faria se soubesse que era o seu último dia? A quem você diria eu te amo, a quem você seria mais gentil, a quem você iria perdoar, com quem você gostaria de passar o dia, o que gostaria de fazer. E o principal, o que você mudaria?

Não há nenhuma grande direção aqui ou destaque para trilha sonora que tenha me chamado a atenção, mas eu realmente entrei dentro da história de forma muito mais fácil do que com o livro. Há poucas mudanças de adaptação e as que foram feitas vieram a contribuir para uma melhor dinâmica nas telas. Também me emocionei bem mais com o filme do que com o livro, o que é um ponto super positivo. Acho que para mim essa foi uma adaptação que superou a obra original e, vindo de uma leitora, é algo difícil de admitir.

Caso você já tenha lido Antes que eu vá, tenho certeza que vai curtir muito o trabalho feito na adaptação e se não leu, tenha em mente que é um filme jovem, com tramas adolescentes, mas com uma mensagem interessante a ser passada. É uma história sobre amizade, segundas chances, bullying e mudança.

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ANTES QUE EU VÁ

Diretor: Ry Russo-Young

Elenco: Zoey Deutch, Halston Sage, Elena Kampouris e mais

Ano de lançamento: 2017

Samantha Kingston (Zoey Deutch) é uma jovem que tem tudo o que uma jovem pode desejar da vida.. No entanto, essa vida perfeita chega a um final abrupto e repentino no dia 12 de fevereiro, um dia que seria um dia como outro qualquer se não fosse o dia de sua morte. Porém, segundos antes de realmente morrer, ela terá a oportunidade de mudar a sua última semana e, talvez, o seu destino.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.