As Coisas Que Fazemos Por Amor – Kristin Hannah

As Coisas Que Fazemos Por Amor é um livro da autora Kristin Hannah. Sua publicação é de 2017 pela editora Arqueiro.

Sobre o Livro

Angela DeSaria vem de uma família tipicamente italiana, daquele tipo que é grande, barulhenta e que tem integrantes que adoram se meter na vida uns dos outros; com toda a parte boa e a ruim que isso implica. O restaurante da família é o foco de quase todos, menos dela; Angela prefere dar adeus a cidadezinha e mudar-se para um lugar que a permita realizar seus grandes sonhos: graduar-se, tornar-se uma profissional de sucesso, casar com o homem que ama e ter filhos.

Infelizmente as coisas não acontecem como ela planejou. As tabelas, planilhas e toda a organização compulsiva não a ajudou a manter seu relacionamento estável, muito menos a conseguir ser mãe; uma idealização que acabou por tornar-se um pesadelo para ela e assunto velado entre pessoas próximas. A desilusão de ter quase tudo o que queria e mesmo assim sentir-se infeliz e incompleta acaba abalando a relação conjugal de Angela, e o divórcio iminente se transforma na possibilidade de mudança que ela jurou jamais cogitar: voltar para sua terra natal. Enfrentar a família, o restaurante e os fantasmas dos fracassos que duelam com as lembranças bonitas que o tempo não apagou pode ser o recomeço que ela precisa.

“Embora ela e as irmãs tivessem optado por vidas diferentes e tendessem a se intrometer muito nas escolhas das outras, eram como fios de uma mesma corda. Juntas, eram fortes. Angie precisava voltar a ser parte disso; andava se lamentando sozinha havia tempo demais.”

Enquanto tenta se adaptar a nova vida, que muito se assemelha àquela que a protagonista queria deixar para trás, Angela conhece Lauren; uma adolescente exemplar que é merecedora de tudo aquilo de bom que uma jovem necessita para ser feliz, mas que precisa sobreviver com as migalhas que recebe de uma mãe negligente, distante e egoísta. Angie e Lauren encontram uma na outra a possibilidade de preencher o vazio que sentem; encontram na relação que estabelecem uma maneira de se fortalecer para encarar as perdas, as dores. O futuro incerto.


Minha Opinião

O que define o sentido da vida? O que é primordial para que a felicidade seja uma constante na existência de alguém? Angela acreditava saber essas respostas, pensava que não encontraria qualquer tipo de realização pessoal ou profissional se permanecesse em West End, uma pequena cidade litorânea daquele tipo em que os vizinhos sabem de tudo o que acontece, e que não perdem a oportunidade de oferecer conselhos ou opiniões sobre o que não foram consultados. Foi nesta cidade que a família DeSaria se estabeleceu, onde Angie e suas irmãs cresceram, onde o restaurante da família tornou-se o elo entre um pai amoroso, uma esposa dedicada e três filhas bem diferente umas das outras.

Angie queria mais. Faculdade, casamento, maternidade eram realizações e experiências que ela idealizava e pelas quais dedicou toda a sua vida. Trabalhou até alcançar uma posição de sucesso. Casou-se com o homem por quem se apaixonou e com ele construiu um lar com a sua cara, mas que acabou tornando-se um lugar grande demais sem a presença de uma criança. Ela engravidou, lógico, mas por razões que fugiam do seu controle nunca conseguiu tornar-se mãe, seu maior desejo. Todo aquele amor e dedicação que ofereceria para uma criança acabou se transformando num silêncio insuportável. Em um distanciamento de quem amava, dela mesma inclusive. O peso disso tudo foi ao mesmo tempo o fim e o recomeço para a protagonista, que após o divórcio resolveu mudar-se para o chalé da família. Dessa forma, Angie poderia não somente buscar maneiras para lidar com seu sofrimento, mas também ajudar nos negócios da família que ficavam cada vez pior.

“Deus já deu uma resposta às suas preces, Angela. Não é a resposta que você desejava, por isso você não escutou. Chegou a hora de ouvir.”

Se por um lado acompanhamos uma mulher madura em busca de ressignificar sua vida, por outro conhecemos uma jovem que diariamente faz de tudo para sobreviver. A pobreza é o menor dos problemas de Lauren, uma adolescente estudiosa, inteligente e dedicada, que divide um pequeno apartamento na parte feia da cidade com uma mãe alcoólatra e indiferente. Essa mãe, claro, carrega suas próprias questões; mas não perde a oportunidade de dizer que a gravidez precoce acabou com suas chances de ter uma vida digna. Nesta casa, que nunca foi um lar para Lauren, ela convive diariamente com a certeza de que seu nascimento fora um erro. Ali não há abraços, não há afeto, não há uma relação entre mãe e filha; e isso era justamente tudo que essa adolescente queria. Era tudo o que sempre sonhou.

Por vários motivos, que têm em comum o fato de serem um tanto clichê, Angie e Lauren se aproximam e estabelecem uma relação de amizade. Aos poucos o elo vai se fortalecendo, ao mesmo tempo em que elas vão descobrindo maneiras de lidar com as situações que a vida impõe. E é através de acontecimentos do cotidiano, de amenidades, de questões familiares e todas aquelas pequenas coisas que fazem parte da vida de uma pessoa comum que a autora aborda questões que são reais, que são sofridas, que são parte do imaginário coletivo e que justamente por isso nem sempre recebem a devida importância.

Aqui a gente acompanha personagens muito vívidos, em sua maioria mulheres que precisam lidar com o peso de corresponder às expectativas alheias, que tentam se fortalecer enquanto pessoa para apartir deste ponto buscar maneiras de lidar com os desafios que surgem no caminho.

Me identifiquei com várias dessas personagens: com a mãe preocupada e que se intromete na vida dos filhos – sempre querendo o bem, claro; com a filha que busca andar com as próprias pernas, mas que não nega a necessidade de um colo quentinho de vez em quando; com alguém que sabe que ser mãe deveria ser sinônimo de amor e entrega, mas que nem sempre o é. Confesso que foi justamente o fato da autora abordar um tema tão tabu como esse – a existência de mães que simplesmente não se encaixam neste papel –  que tornou a leitura tão incrível. Tão emocionante. Tão particularmente doída.

“O coração partido se cura. Como qualquer ferimento, fica uma cicatriz, uma lembrança, porém esmaecida. De repente você percebe que passou uma hora sem pensar a respeito, depois um dia.”

Neste livro Kristin Hannah fala sobre perdas, recomeços, sobre família e maternidade, daquele jeito que lhe é bem peculiar: apresentando uma narrativa simples e fluida, porém com alta carga dramática. Aqui ela esmiúça as relações familiares (outra característica de sua escrita) e mostra que às vezes a gente precisa ressignificar sonhos, olhá-los através de uma perspectiva diferente ao invés abandoná-los quando a esperança acaba.

A autora envolve o leitor em dramas e conflitos que são capazes de emocionar ao mesmo tempo em que promovem reflexão. De maneira triste, bonita e um tanto clichê, As Coisas Que Fazemos Por Amor  é aquele tipo de leitura que vai fazendo sentido aos poucos, conforme a gente se reconhece na narrativa; é o tipo de livro que precisa ser lido por quem busca algo capaz de tocar o coração.  Então, se é isso que você busca, fica a dica: leia o quanto antes.

AS COISAS QUE FAZEMOS POR AMOR

Autor: Kristin Hannah

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2017

Caçula de três irmãs, Angela DeSaria já tinha traçado sua vida desde pequena: escola, faculdade, casamento, maternidade. Porém, depois de anos tentando engravidar, o relacionamento com o marido não resistiu, soterrado pelo peso dos sonhos não realizados.
Após o divórcio, Angie volta a morar na sua cidade natal e retorna ao seio da família carinhosa e meio doida. Em West End, onde a vida vai e vem ao sabor das marés, ela conhece a garota que mudará a sua vida para sempre.
Lauren Ribido é uma adolescente estudiosa, bem-educada e trabalhadora. Apesar de morar em uma das áreas mais decadentes da cidade com a mãe alcoólatra e negligente, a menina sonha cursar uma boa faculdade e ter um futuro melhor.
Desde o primeiro momento, Angie enxerga em Lauren algo especial e, rapidamente, uma forte conexão se forma: uma mulher que deseja um filho, uma menina que anseia pelo amor materno. Porém, nada poderia preparar as duas para a repercussão do relacionamento delas. Numa reviravolta dramática, Angie e Lauren serão testadas de forma extrema e, juntas, embarcarão em uma jornada tocante em busca do verdadeiro significado de família

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.

  • Natália Costa

    Não li nada da autoras ainda, e vejo muita gente que ama ela!
    Confesso que este livro não me chamou a atenção. Talvez por eu não ser mãe, ou por não ser meu estilo de leitura mesmo. Histórias muito reais nunca me atraem! hahaha