As Tumbas de Atuan – Ursula K. Le Guin

As Tumbas de Atuan é o segundo livro do Ciclo Terramar da autora Ursula K. Le Guin. O lançamento é de 2017 pela editora Arqueiro.

Sobre o Livro

O dia em que Tenar nasceu foi o mesmo em que a Sacerdotisa Única das Tumbas de Atuan morreu e isso a posicionou como a sua sucessora. Deixada com os pais com um curto tempo, a menina é levada para iniciar o seu treinamento aos 6 anos e precisa deixar tudo para trás, inclusive sua identidade.

Isolada em seu posto ela precisa aprender o máximo possível sua função para ter domínio do que lhe vai ser requisitado. Ela terá de zelar por aquele local, seus segredos subterrâneos e sozinha decidir e aplicar punições a quem infringir as leis. Porém, toda essa imposição e responsabilidade não é fácil e as coisas se tornam ainda mais complicadas quando Ged cruza o seu caminho.

O mago quer adentrar as Tumbas para roubar um dos maiores tesouros de Atuan, o Anel de Erreth-Akbe, e a jovem sacerdotisa terá de tomar as devidas providências.


Minha Opinião

Acho que a primeira coisa que você precisa ter em mente quando for ler esse livro, e que era algo que eu não sabia, é que O Feiticeiro de Terramar foi escrito para ser um livro único. A autora revela essa informação no prefácio desse segundo volume e certamente faria mais sentido se isso fosse entregue antes ao leitor. Digo isso porque As Tumbas de Atuan soa muito mais como um conto dentro desse universo do que realmente como uma continuação.

O que aconteceu é que no primeiro livro a autora citou algumas das muitas aventuras vividas por Ged e não tendo deixado exatamente um gancho pronto, se utilizou de uma delas para construir um segundo volume. O problema é que Ged já não é o protagonista mais fácil de se apegar por sua personalidade distorcida, e quando aliado ao fato de que ele mal aparece na história e ficamos a mercê de conhecer uma outra personagem onde também falta carisma, nos confrontamos com um livro seco e difícil de se apegar.

As Tumbas de Atuan tem menos de 150 páginas de história e nós só reencontraremos Geg nos momentos finais do livro. Isso nos deixa com Tenar e sua jornada, em uma história que parece bastante desconexa da trama principal que vimos no primeiro volume. O Gavião será um mago lendário, isso nós sabemos, e a proposta dos próximos volumes pode ser apenas conheceremos feitos dele de forma isolada, interligando muito pouco entre as histórias, o que pra mim pelo menos não é algo positivo.

“De que adianta se apegar a alguém que você está fadada a perder?”

Após Feiticeiro de Terramar eu fiquei curiosa com a trama, mas com As Tumbas de Atuan eu retiro isso e provavelmente só vou dar continuidade nessa série se tiver alguma informação de que a história vai estar mais interligada daqui pra frente. Caso contrário, e a proposta é realmente contar pontos isolados que em casos mal foquem no protagonista “herói” apresentado, acho que paro por aqui.

Tenar não chega a ter uma personalidade marcante e isso é algo que me incomoda um pouco na autora. Sei que ela escrevia em uma época onde mulheres escritoras não eram bem vistas e que muito menos personagens desse sexo deveriam ter diferencial, porém esse já é o 3º livro dela que eu leio e vejo quase um desprezo pelo peso feminino nas tramas. Ou a construção social é extremamente machista, ou é uma personagem genérica e sem muita força. Tenar, ou a sacerdotisa Arha, como responde depois de um tempo, tenta soar forte, mas pelo menos a mim não convenceu. Às vezes parecia apenas uma menina birrenta que entende que possui poder e pode usá-lo pra impor seu status e vontade.

“Todo o seu poder consiste em obscurecer e destruir.”

A escrita da autora permanece no mesmo tom direto e sem enrolação. Não há muito enfeite em sua narrativa e inclusive a passagem do tempo é feita de forma muito rápida, afinal temos poucas páginas e uma história de origem e evolução pra contar. No começo da edição há um mapa detalhado do cenário principal onde essa história se passa e o mesmo mapa geral que encontramos no primeiro livro com um panorama total do universo.

Em resumo, eu verdadeiramente não gostei do livro e acho difícil que caso você já não tenha curtido tanto o primeiro venha a se identificar com esse. E, como já mencionei, dependendo do rumo que os outros livros dessa série são conduzidos, talvez encerre por aqui minha jornada nesse mundo que achei que se tornaria especial pra mim, afinal inspirou um dos meus queridinhos de fantasia, que é O Nome do Vento.

Agora, caso você não se importe com isso, ou tenha verdadeiramente amado o primeiro volume, é provável que encontre aqui alguns pedaços do quebra cabeça desse mundo e goste da experiência.

AS TUMBAS DE ATUAN

Autor: Ursula K. Le Guin

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2017

Quando Tenar é escolhida como suma sacerdotisa, tudo lhe é tirado: casa, família e até o nome. Com apenas 6 anos, ela passa a se chamar Arha e se torna guardiã das tenebrosas Tumbas de Atuan, um lugar sagrado para a obscura seita dos Inominados.
Já adolescente, quando está aprendendo os caminhos do labirinto subterrâneo que é seu domínio, ela se depara com Ged, um mago que veio roubar um dos maiores tesouros das Tumbas: o Anel de Erreth-Akbe.
Um homem que traz a luz para aquele local de eternas trevas, ele é um herege que não tem direito a misericórdia.Porém, sua magia e sua simplicidade começam a abrir os olhos de Arha para uma realidade que ela nunca fora levada a perceber e agora lhe resta decidir que fim terá seu prisioneiro.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.