fbpx

Atômica (2017) | Crítica

Atômica, dirigido por David Leitch (John Wick e A Hospedeira), é baseado na obra Atômica: A Cidade Mais Fria, escrita por Anthony Johnston e com o traço de Sam Hart, britânico, mas naturalizado brasileiro. A HQ chega ao Brasil pela Darkside Books.

Na história temos o cenário dos anos 80 em Berlim, à beira da queda do muro, em um jogo perigoso de espionagem. MI6, KGB e CIA estão atrás de uma lista que contém nomes e missões de seus agentes e que pode por em perigo muitas pessoas. Quem por as mãos primeiro, detém poder. Em meio a Guerra Fria, um agente britânico é morto e Lorraine Broughton é escalada para ir até a cidade alemã e investigar o que aconteceu, mas, acima de tudo, recuperar a lista.

O agente que comanda a cidade é David Percival e há uma grande dúvida pairando sobre ele, já que por se sentir confortável no local, pode ter feito amizades e lida com situações de forma pouco padrão para alguém na sua posição. Lorraine precisa então achar a lista, descobrir o que está acontecendo e, se possível, desvendar a identidade de um agente duplo que tem causado problemas. Para tal, a espiã vai usar tudo o que tem em seu currículo, do mais sedutor olhar até o mais brutal dos golpes.

Sim, tem muitas cenas de luta, violência explicita e uma boa dose de sangue, portanto, tire as crianças da sala. E, sério, eu adoro esse tipo de filme. Espiões, ação, cenas coreografadas, efeitos com espirros sangrentos, meu ponto fraco. Se é um mulherão da porra como Charlize Theron protagonizando, então… E ela está sensacional. Parece que não envelhece e esse papel lhe fez um bem danado.

Há uma cena incrível mais pro fim do filme onde tudo parece ter sido gravado em plano sequência e é de tirar o fôlego. Mas não é irreal. Ela não só bate, ela também apanha. Os personagens se machucam, e vemos cada um desses detalhes na maquiagem, na postura e no olhar. Até James McAvoy que não tinha me prendido o olhar ainda com seus outros filmes, conseguiu fazer isso aqui. Charlize Theron rouba toda a cena, mas ele também tem os seus momentos para brilhar, inclusive em uma cena bem engraçada envolvendo um canivete.

Quem me conhece sabe que cenários de guerra sempre chamam a minha atenção. Eu leio bastante sobre a 1ª e 2ª Guerra e também pego outros conflitos. Acho esse período de guerra fria da Alemanha fascinante e complexo. O muro de Berlim que oprimiu muitos está prestes a cair e marcar uma nova era pra esse povo que carrega nas costas a vergonha de um passado pautado pelo genocídio.

E, como todo bom filme de espionagem, há um jogo de cadeiras aqui. Quem é o traidor? Quem está fazendo jogo duplo? Quem está abrindo a boca? Somos carregados pela trama por todo o filme, para encontrar um daqueles finais que deixa um gostinho de quero mais.

A ambientação está impecável, seja nos figurinos ou nas cenas externas que remontam a época. Algumas coisas reais foram usadas e ajudam a fortalecer a aura pesada do momento sombrio que está instaurado. A paleta de cores varia de acordo com o que está acontecendo. Em certos momentos temos muita cor, neon e uma vivacidade rústica, enquanto em outros os tons frios predominam, o que combina muito com o cenário.

A trilha sonora também encaixa perfeitamente com o que está em tela, brinca com os sons, dá ritmo, empolga onde é necessário, desaparece onde há tensão. Tudo no seu devido lugar.

O ponto de vista do filme acontece em dois momentos: presente, com Lorraine contando o que aconteceu em um interrogatório, e o passado, onde a ação realmente aconteceu. E foi só ai que eu acho que houve um pequeno deslize. Num momento, do meio pro fim do filme, senti que a quebra nem sempre estava fazendo bem e sim dando uma desacelerada onde eu gostaria de estar desbravando com mais rapidez. Fora isso, não tenho o que reclamar.

Filmes de ação não são fáceis de fazer. É preciso haver verossimilhança, boa continuidade e um tom que não deixe a coisa sair do controle. Quando esse tom tem um leve ar irônico, eu considero o combo perfeito. Em Atômica temos um bom roteiro, uma história intrigante – apesar de nada inovadora -, boas atuações, cenas muito bem feitas e coreografadas, belas sacadas, uma fotografia muito bem ambientada e Charlize Theron dando o seu show. McAvoy que me desculpe, mas esse filme é realmente da Atomic Blond. Está imperdível, vá correndo assistir.

thumb_livro

4estrelasb

ATÔMICA

Diretor: David Leitch

Elenco: Charlize Theron, James McAvoy, Sofia Boutella e mais

Ano de lançamento: 2017

Lorraine Broughton (Charlize Theron), uma agente disfarçada do MI6, é enviada para Berlim durante a Guerra Fria para investigar o assassinato de um oficial e recuperar uma lista perdida de agentes duplos. Ao lado de David Percival (James McAvoy), chefe da localidade, a assassina brutal usará todas as suas habilidades nesse confronto de espiões.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.