Belas Maldições – Terry Pratchett & Neil Gaiman

Belas Maldições é um livro dos autores Terry Pratchett e Neil Gaiman. Esse título já havia sido lançado em 1998 por aqui mas estava esgotado, e agora ganha reedição pela Bertrand Brasil com nova capa.

Sobre o Livro

O mundo como conhecemos vai acabar e tem data marcada, será em um sábado. Tudo isso porque o Anticristo está entre nós e as profecias estão todas alinhadas. De acordo As Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa, esse garoto será o responsável por isso. Basta aguardar.

O único problema é que quando a Irmã Maria Loquaz, da ordem dos satanistas, foi trocar as crianças e posicionar o Anticristo no lugar correto para ser cuidado, observado e conduzido, a coisa não saiu como o planejado. E eles só descobriram isso tarde demais, quando já haviam perdido o garoto.

“Só porque é uma noite tranquila, não significa que forças negras não estejam à espreita.”

Agora, 11 anos depois, correndo contra o tempo, tanto a turma do bem como a do mal precisam dar um jeito nessa situação, pois o sábado se aproxima e cada um tem um papel a cumprir. O que não se espera é que, talvez, esse garoto não seja o maligno menino que eles estão aguardando e a coisa saia um pouco – mais – do controle de ambos os lados.


Minha Opinião

Neil Gaiman é um daqueles autores que ou você ama ou você não entende, porque o cara tem um dom diferente na hora de escrever. Depois de um conto, O oceano no fim do caminho e Deuses americanos e, sem nunca ter lido nada de Terry Pratchett, foi a vez de encarar Belas Maldições. Primeiro de tudo quero dizer que foi um tiro bem no escuro. Tinha tanta gente comentando a republicação e o fato de o livro ser muito bom que eu fiz a tradicional Tamirez e não li a sinopse. E, realmente, a premissa é muito legal.

Já está claro pra mim que Gaiman gosta de brincar com os deuses e aqui ele escolheu algo bem peculiar: o Anticristo. Figura conhecida de várias lendas, filmes e até séries, ele seria o responsável pelo apocalipse. Mas e que tal se essa peça importantíssima no plano do time do mal fosse perdida? Isso mesmo, cresceu sem supervisão, sem auxílio, sem ninguém botando minhocas na sua cabeça. Será que uma profecia é suficiente pra carregar todo o mal necessário ou será que esse garoto pode ter escolhido ser bom?

“O Mal nunca dorme, e a Virtude está sempre vigilante.”

É ai que entra toda a moral dessa história. Esse é só o primeiro ponto, sendo o segundo o seguinte: quando a profecia foi feita as coisas eram bem diferentes. As crianças obedeciam os pais, tinham mais juízo. Agora, todo mundo tem opinião, não importa a idade. Os jovens tem mais personalidade e não gostam muito dessa história de “você tem que fazer isso ou aquilo”. Logo, talvez, não seja assim tão fácil controlar um garoto quanto parecia centenas de anos atrás. E os demônios terem perdido o menino unido ao fato de que o plano não está indo tão bem assim por causa da mente adolescente é simplesmente sensacional.

Muita gente coloca a religião e a igreja como algo superior, realmente divino. Tanta coisa ruim é e já foi feita em nome de Deus e do extremismo, que nem vale a pena mencionar. E ter esse tema trabalhado de forma tão simples e convincente, numa narrativa que traz reflexões e boas risadas é algo muito bacana. Normalmente o Anticristo protagoniza cenas de terror e atormenta as pessoas, mas não espere encontrar nada disso aqui. Ele é um menino de 11 anos e é isso mesmo. Agora volte ai quando você tinha 11 anos… adicione agora muito poder e o fato de ser indestrutível, pois é.

Mas nem tudo são flores e esse não é o livro mais fluído do mundo. Aliás, é uma característica do Gaiman. Como não li nada de Terry Pratchett não sabia o que esperar, mas achei bem alinhado com o que encontrei em Deuses Americanos, sem grandes mudanças. Há toda uma ambientação, capítulos que só servem para introduzir personagens, alguns que não dizem muita coisa, e lá a frente, tudo se junta num grande quebra-cabeças.

Os personagens que mais gostei foram o demônio Crowley, que eu não consegui desvincular de nenhuma forma do personagem de mesmo nome que aparece em Supernatural e o ator que o interpreta. Li o tempo todo visualizando ele. E o outro foi o anjo Aziraphale. A interação dos dois é muito legal e dei muitas risadas acompanhando as trapalhadas e comentários que um tece ao outro. Eles estão de lados opostos, tem tudo pra ser inimigos, mas na verdade nutrem uma amizade verdadeira. É hilário. Já o nosso Anticristo é uma figura. Ele tem um grupo de amigos que comanda, é preocupado com o meio ambiente e adora o seu cachorro. Um garoto normal, se não fosse pelo poder que tem em mãos. E também há bruxas, seus caçadores e outros elementos que complementam a história.

Descobri com essa leitura que gosto mais das obras de Neil Gaiman quando elas terminam e posso refletir sobre o todo, porque as leituras poder ser um pouco lentas e massantes, algo que eu não gosto. Mas, sempre que chego ao fim de um livro do autor tenho aquele momento meio epopeia, onde tudo vira algo grandioso. Acho que o segredo é perseverar pela leitura e ter a certeza que o resultado vai ser positivo.

Se você gosta dessas temáticas que brincam com deuses ou religião de uma forma diferente, Belas Maldições é uma boa pedida. Mas vá com calma, pode ser que vá de vento em polpa, e pode ser que você caminhe a passos de tartaruga como eu. Pra mim valeu a pena, espero que funcione com vocês também.

BELAS MALDIÇÕES

Autor: Terry Pratchett & Neil Gaiman

Editora: Bertrand Brasil

Ano de publicação: 2017

Segundo as Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, o mundo vai acabar num sábado. No próximo sábado, e ainda por cima antes do jantar. O que é um grande problema para Crowley, o demônio mais acessível do Inferno e ex-serpente, e sua contraparte e velho amigo Aziraphale, anjo genuíno e dono de livraria em Londres. Eles gostam daqui de baixo, ou, no caso de Crowley, daqui de cima. Portanto, eles não têm outra alternativa senão encontrar e matar o Anticristo, a mais poderosa criatura do planeta. O problema é que o Anticristo é um garoto de 11 anos e, ao contrário de tudo o que você já possa ter visto em algum filme, é um garoto que adora seu cachorro, se preocupa com o meio ambiente e é o filho que qualquer pai gostaria de ter. Além, claro, de ser indestrutível. E, como se ainda não fosse o bastante, eles ainda têm de lidar com o domingo…

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.