Blue Jay (2016) | Crítica

Blue Jay é dirigido por Alexandre Lehmann, e o roteiro é de autoria de Mark Duplass, que é um dos personagens principais. Esse drama é de uma delicadeza imensurável; te faz rir, sorrir e chorar junto com os personagens. É nítido que esse filme não existe para agradar a todos que o assistem, mas, sim, para esmagar o coração daqueles que o entenderam e sentiram essa bela história; além de requerer muita paciência e atenção aos detalhes. Justamente por esses motivos, temos aqui um filme que foge completamente das mesmices que já estamos acostumados a ver por aí.

Acompanharemos um casal de ex-namorados, Jim e Amanda, que se reencontram por acaso depois de 20 anos, em um supermercado, e decidem sair para conversar. Durante o encontro, eles vão passeando pela cidade em lugares que normalmente costumavam frequentar quando jovens, até chegarem na antiga casa de Jim, onde ainda estavam todos os seus pertences da época do ensino médio, quando namorava com Amanda.

Os dois adentram em uma nostalgia feroz mexendo em coisas antigas: diários, cartas, roupas, gravações; e agem de tal forma como se os anos não tivessem passado, como se nunca tivessem deixado de ser um casal, e isso só aumenta nossa certeza de que, em primeiro lugar, eles nunca se esqueceram. Como este não é um romance, “nunca terem se esquecido” pode ser um grande problema quando já se passara 20 anos, por conta disso, entra no ar um sentimento mais triste, que faz vir à tona o motivo do término/afastamento deles, qual ainda não fora superado por ambos.

O reencontro é passado em apenas um dia, e tirando a aparição de Jim e Amanda, que são os dois personagens principais, aparece só mais um personagem, Waynie, um senhorzinho que ainda lembra-se deles, dono de um mercadinho onde o casal costumava frequentar.

O filme é em preto e branco propositalmente para nos trazer sensação de memória, de lembranças, já que temos dois personagens recordando sua história passada. A composição da trilha sonora, por Julian Wass, tem uma carga dramática/melancólica que contribui e harmoniza muito com todos os demais detalhes, pois ela acaba tornando-se responsável por nos imergir – ainda mais – nessa história.

Blue Jay nem parece um filme, de tão real que parece ser! Não só pela história, mas pela química entre Sarah Paulson e Mark Duplass, que trazem muita verossimilhança. Os gestos e olhares de ambos não parecem nem atuação! Simplesmente tem-se a sensação de que estamos observando a vida deles… As cenas e diálogos longos só fortalecem esses pequenos detalhes, que acabam se tornando grandiosos quando você relembra a situação real em que os dois se encontram.

Atrevo-me a dizer, que para àqueles(as) que já viveram situação igual ou parecida e acabaram descobrindo a preciosidade desse filme, se sentirão emocionalmente representados, pois aqui não existe conto de fadas, existe vida real. E o que nós faríamos na vida real? O que você faria? É racionalmente possível atropelar anos de vida para reatar um amor de adolescência? Bom, sua opinião eu já não sei, mas para saber como Jim e Amanda lidaram com essa situação, você terá que assistir essa obra-maravilhosa-emocionante-sensível-de-arte.

Ademais, é um filme que precisa ser assistido com calma e coração, caso contrário, os créditos aparecerão e você estará decepcionado, não emocionado.

BLUE JAY

Diretor: Alexandre Lehmann

Elenco: Mark Duplass, Sarah Paulson e Clu Gulager

Ano de lançamento: 2016

Quando estão retonando para sua pequena cidade natal, na Califórnia, dois ex-namorados do ensino médio se encontram por um acaso. Os dois lembram do passado que compartilharam e passam a refletir sobre ele, levando em conta suas vidas atuais, que parecem não serem satisfatórias para eles.

Apaixonada por livros desde que me entendo por gente, me infiltrei aqui no Resenhando Sonhos para poder falar dessa paixão desenfreadamente (sem ser julgada).