A Cabana (2017) | Crítica

A Cabana é a adaptação da obra de William P. Young, escrita em 2007 e que chegou ao Brasil em 2008. Confesso que eu achava que o livro era ainda mais velho, pois tinha na cabeça que eu era mais nova quando o havia lido. Nessa época, lembro não ter gostado do final e, portanto, quando o anúncio do filme saiu, também não fiquei empolgada. Porém, como lembrava pouco sobre a obra, a ida ao cinema acabou por se mostrar válida. O longa é dirigido por Stuart Hazeldine, o mesmo de Presságio em 2009.

A obra conta a história de um homem que está atormentado após perder a filha. Ela desaparece em um passeio de família e, mesmo com indício fortes de abuso e violência, seu corpo nunca foi encontrado, dando-a como morta. Enquanto sua mulher vive na fé e passa isso a frente para seus filhos, Mack Phillips  vê Deus com bem menos amor, devido aos acontecimentos recentes, mas também graças a atos do passado que ainda o assombram.

Um ano depois do ocorrido, ele recebe um chamado para ir até a cabana onde o sangue e vestido de sua filha foram encontrados e pensa estar sendo atraído pelo criminoso que a levou. Porém, o mistério sobre o bilhete é que ele está assinado como “papa”, forma como sua mulher se refere a Deus. Entre confrontar o assassino de sua filha e uma piada de mau gosto, Mack vai até a cabana e não encontra lá exatamente o que esperava.

A Cabana é um filme sobre a fé. Não necessariamente de uma religião específica, mas a forma como vemos e lidamos com Deus. Quando as críticas começaram a sair, vi muita gente massacrando o filme e ponto seus pontos de vista religiosos em cima do desenvolvimento da trama. Eu, como não sou praticamente de nenhuma religião, mas de certa forma acredito em Deus, mantive um olhar mais cético.

Há também pequenas lições muito básicas que parecem quase uma doutrinação, mas que ao fim até acabam por fazer sentindo. Acho que o grande ponto forte do filme pra mim foi não se vincular exatamente a uma religião e segui-la de cabo a rabo, o que pode ter surtido o exato efeito oposto em quem tem a religião em sua vida de forma mais presente.

A trama, no entanto, por muitas vezes se arrasta e causa tédio no espectador. O filme claramente poderia ter sido mais rápido e dinâmico, mas manteve uma cadência lenta onde o protagonista caminha de um lado pra outro experimentando coisas diversas e passando por momentos de reflexão. Acho que acima de qualquer mensagem religiosa, o que me tirou do clima foi a lentidão com que tudo acontece e se desenvolve.

O grande show fica por parte de “Papa”, interpretado pela sempre surpreendente e carismática Octavia Spencer. Carregar o papel não é algo fácil e ela o faz de forma graciosa com vários alívios cômicos. Porém, não me pareceu suficiente pra salvar toda a parte interpretativa do filme. Os atores parecem fazer o básico do básico em cena e não há grande comoção, apesar de um ou dois momentos mais emocionantes. Ai, frente a toda essa situação, me pareceu que faltou um pouco mais de revolta ou peso argumentativo. De toda forma, acho que a ideia do filme era realmente passar isso, mesmo que não me agrade totalmente: alguém atormentado e irritado, sendo confrontado com a sutileza de algo amplo demais para ser explicado. Também temos a presença de uma brasileira, com a atuação de Sonia Braga.

Sobre o fim, agora eu já acho que o que foi exposto no filme fez sentido. Eu não lembro do livro pra saber se é exatamente igual, mas acho que há algumas pequenas diferenças. Apesar disso, acredito que dá forma exposta deixou o suficiente para que várias interpretações fossem adotadas, independente da religião de cada um.

A Cabana é um filme direcionado em que a reação do espectador com ele será baseada na crença de cada um. Não parece haver uma interpretação só, ou apenas uma correta. A forma como o filme se expõe permite explorar um pouco além do palpável e deixar a reflexão com as pessoas após o fim da exibição.

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A CABANA

Diretor:Stuart Hazeldine

Elenco: Sam Worthington, Octavia Spencer, Tim McGrawe mais

Ano de lançamento: 2017

Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.