A Colônia – Ezekiel Boone

A Colônia é o primeiro livro de uma trilogia do autor Ezekiel Boone, lançado no Brasil em 2016 pela Suma de Letras.

Sobre o Livro

A China derrubou de forma “acidental” uma bomba nuclear em seu próprio território e assustou o mundo. Enquanto isso, em uma floresta do Peru, turistas são devorados por uma massa negra. Na Índia, estranhos abalos sísmicos estão intrigando pesquisadores. Mas o que tudo isso tem a ver uma coisa com a outra?

Em Washington, Melanie, uma renomada pesquisadora é surpreendida quando uma de suas estudantes diz que algo inesperado chegou. Ela recebeu um contato e mandou importar para os Estados Unidos uma bolsa fossilizada que parece estar acordando depois de milhares de anos adormecida. Fascinada pela descoberta, e pelo fato de ter sido sempre uma curiosa sobre as linhas de Nazca, no peru, a cientista foca o seu olhar para esse casulo.

“A China havia explodido uma bomba atômica sem querer em uma parte pouco povoada do país. Basicamente, ops.”

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Enquanto o mundo tenta aos poucos conectar os acontecimentos, enquanto seu país se vê ameaçado por algo completamente inesperado, e que pode estar vindo de qualquer lugar sem os naturais instintos, pessoas de diversos lugares do mundo costurarão essa história. Algo acordou e o mundo está à beira de um desastre apocalíptico.


Minha Opinião

A primeira coisa que eu preciso falar nessa resenha é que eu sou extremamente aracnofóbica. É um bicho com o qual eu jamais farei paz, pois sinto um terror tremendo. Mas ai apareceu esse livro, que tem uma premissa muito legal e eu fiquei bastante tentada a tentar enfrentar esse medo através da literatura, lugar onde me sinto bastante confortável.

Ver um mundo sendo ameaçado por uma raça de insetos é algo que já foi tentado em outras obras, então minha expectativa aqui estava no diferencial do acordar dessa espécie ancestral, e também na forma como o autor contaria a história. Fórmula essa que não funcionou muito bem comigo.

A cada mudança de capítulo, mudamos também de narrador. Porém, ao invés de conectar logo a trama, o autor tira o seu tempo para nos apresentar o personagem e fazer com que mergulhemos em sua vida. Vida essa que por vezes é completamente irrelevante para a história. E, assim que finalmente nos ambientamos com o narrador em questão, a conexão é feita com a história e o capítulo acaba. Simples assim.

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A estratégia não seria ruim caso os personagens tivessem todos a mesma relevância. Entretanto, a maioria deles aparentemente está ali somente para conectar um fato ao outro ou nem mostrou seu verdadeiro motivo ainda. E isso tornou a leitura bastante frustrante. Toda vez que eu descobria algo que ascrescentava para a história ou me sentia confortável com o novo personagem, o capítulo se encerrava e era necessário começar tudo de novo. Alguns personagens veremos várias vezes, e outro não. Aos poucos você vai compreendendo o papel que cada um deles representa na história, mas até lá a confusão está instaurada, devido aos muitos nomes, lugares e conexões. E esse foi o meu principal problema com a trama.

Afora isso, o desenvolvimento é bastante lento e ficamos a todo momento aguardando o ponto onde a história mostrará para o que veio. A revelação, obviamente, só apareceu no final, e quando ensaiou para ficar boa, o livro acabou.

As cenas que eu temia, que eram as que envolviam as aranhas, são bem poucas e deveriam ser melhor exploradas. As poucas que aparecem e retratam o como esses seres caminham e devoram tudo o que veem pela frente tem um peso enervante, mas são muito breves e pouco trabalhadas, o que tira consideravelmente o apelo amedrontador que o título tinha pra mim.

“Basicamente, aranhas são eremitas. São antissociais e agressivas com outras aranhas. Elas gostam de ficar sozinhas. Mas nem toda aranha é assim.”

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Pelo que eu posso especular para um próximo livro, acredito que isso deverá ser um pouco mais trabalhado, devido aos rumos que a história tomou. E eu realmente espero que isso aconteça. Não deu tempo de “enfrentar meus medos” pois eles não foram explorados, e eu fiquei apenas imaginando o que estava acontecendo, e que não me era narrado de forma mais enfática.

Dentre os personagens mais centrais temos Melanie, que é ex-exposa do braço direito da Presidente dos Estados Unidos e Mike Rich, um policial que se vê preso em meio a tudo isso quando atende a um chamado de queda de avião e vê algo bastante estranho e assustador acontecer, esse segundo é o mais interessante. Também temos Kim Bock, uma fuzileira naval muito esperta e que está na linha de frente dessa luta. E estar na cabeça de Melanie é bem irritante às vezes, pelo que ela pensa e a forma como vê as pessoas ao seu redor. Visão essa que poderíamos ser completamente privados, caso a história tivesse sido contada de outra forma.

Não vou entrar em detalhes sobre as aranhas, a raça ou de onde elas vem, pois descobrir todas essas coisas faz parte da experiência de leitura que vocês devem ter, junto com os outros personagens. Porém, deixo aqui solto que não é algo impossível de acontecer, viu? (por favor, não!)

A Colônia trás uma premissa muito legal e instigante. Queremos conhecer essa nova espécie, descobrir o que a diferencia das aranhas normais e do que ela é capaz. Porém a trama não caminha bem nesse rumo e as pistas são escassas, enquanto ficamos presos à personagens por vezes irrelevantes. Acredito que a continuação possa vir a consertar um pouco disso, já que já conhecemos as peças centrais e, portanto, vou dar continuidade quando o segundo volume chegar por aqui. Fica aqui apenas o alerta para os leitores que forem se jogar de cabeça, assim como eu, pela proposta do livro, pra irem com calma, pois a história demanda uma certa paciência do leitor.

A COLÔNIA

Autor: Ezekiel Boone

Editora: Suma de Letras

Ano de publicação: 2016

Nas profundezas de uma floresta no Peru, uma massa negra devora um turista americano. Em Mineápolis, nos Estados Unidos, um agente do FBI descobre algo terrível ao investigar a queda de um avião. Na Índia, estranhos padrões sísmicos assustam pesquisadores em um laboratório. Na China, o governo deixa uma bomba nuclear cair “acidentalmente” no próprio território. Enquanto todo tipo de incidente bizarro assola o planeta, um pacote misterioso chega em um laboratório em Washington… E algo está tentando escapar dele. O mundo está à beira de um desastre apocalíptico. Uma espécie ancestral, há muito adormecida, finalmente despertou. E a humanidade pode estar com os dias contados.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos. Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo. Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Lara Caroline

    Oi Tamirez, tudo bem?
    Eu tenho um treco só de olhar para esta capa. Achei a premissa beeem legal mesmo, e achei interessante o fato dos capítulos serem narrados por cada personagem diferente em lugares diferentes do mundo. Não sei se a introdução da vida dos personagens atrapalharia o ritmo da leitura pra mim, é bem provável que sim, mas só lendo para saber.
    Beijos

  • rudynalvacorreiasoares

    Oi Tamirez!
    Não tenho medo de nada menor do que eu, desde que a veja…kkkk
    Para mim foi uma das minhas melhores leituras no ano passado e estou no aguardo da continuação (com urgência!).
    O que foi difícil para você, para mim foi o melhor no enredo, porque podemos apreciar a vida de cada personagem e saber como cada um se conecta em cada parte do mundo diferente.
    Acho que isso acontece justamente para dar o plot da continuação da série, espero que no próximo já tenhamos mais respostas objetivas.
    cheirinhos
    Rudy

  • Bruna Prata

    Nunca li nada igual, e nem sei se leria.
    Apesar de achar toda a premissa super interessante, também acharia problemas nessa interligação entre o personagens, lugares e o enredo (quando muito bem executado, me surpreende). Não tenho aracnofobia nem nada, mas essa capa da um negocio muito louco hahaha.

  • Lili Aragão

    Oi Tamirez, quando vi a capa desse livro me lembrei de um filme bem antigo e que passava no “cinema em casa – Aracnofobia”, mas pelo que li na resenha a história do livro é bem lenta em sua construção pra que eu compare com o filme, e acho que o fato de ter continuação possa ser um dos motivos pra que o autor tenha inserido tantos personagens e esse ritmo lento. Vou aguardar a resenha da continuação pra ver como a história prossegue, mas já adianto que eu gostaria que a participação das aranhas seja maior, afinal uma capa dessas merece rs ;)

  • Tays Costa

    Oi Tamirez!
    Nãooo tá errado! Tem que ter aranha em todos os capítulos! como assim?!
    Tenho um nojinho mas nada de meeeedo ou terror a aranhas. Então por esse motivo encararia de boa o livro.
    Mas, ahhh tenho problema com escrita lenta e hiper descritiva! Ahhh não rola!
    Talvez eu dê uma chance.. quando lançarem o resto da trilogia talvez.
    Veremos
    Beijosss

  • Thaynara Ribeiro

    Assisti pedaços de um filme com aranhas e estou quase no nível Rony Wesley de medo kkk Apesar da ficção parecer bem legal, não leria

  • Marta Izabel

    Oi, Tamirez!!
    Adorei a premissa do livro. Só fiquei um pouco decepcionada com o desenvolvimento da história. Pensei que seria com os os filmes muita ação!! Bom espero que nos próximos livros isso ocorra.
    Beijoss

  • Gislaine Lopes

    Oi Tamirez,
    Não leio muita ficção científica e todo ano digo que isto irá mudar, mas nunca vou atrás de livros do gênero e, quando encontro algum a sinopse não me atrai. A colônia, me chamou atenção pela história central e pela capa. Não tenho nenhum tipo de fobia com insetos, mas ao ler um livro com esta temática espero me sentir envolvida na trama a ponto de ter arrepios na pele.
    Com relação a forma como a história é contada, eu até entendo narrativa escolhida pelo autor, pois temos neste livro um “evento” que atinge o mundo todo e é aceitável termos pontos de vista em diferentes partes do planeta. Só que estes diferentes narradores podem acabar, sim, prejudicando a fluidez e ritmo da leitura, pois a história sofre muitas interrupções e fica mais difícil para o leitor se conectar com os personagens. Fiquei com a impressão que a cada novo capítulo eu teria que me readaptar ao livro.