Como eu era antes de você – O Filme

O mês de junho trouxe aos cinemas a tão esperada adaptação do livro Como eu era antes de você, da escritora Jojo Moyes. A expectativa aumentou principalmente quando foi divulgado que Emilia Clarke, de Game of Thrones, e Sam Clafin, conhecido pela franquia Jogos Vorazes, seriam os protagonistas.

O longa traz para a tela a história de Louisa Clark, uma personagem altamente alegre, sorridente, conversadeira, desastrada, sempre se preocupando com o bem-estar de todos – mas, acima de tudo, uma personagem adorável, que cria facilmente empatia com o espectador. De origem humilde, com a família passando por dificuldades financeiras, ela procura um emprego, e acaba sendo contratada para cuidar do jovem milionário Will Traynor, que, em decorrência de um acidente, ficou tetraplégico.

Will, por sua vez, não poderia ser mais diferente de Louisa: amargurado com a sua atual condição, ele tornou-se chato, rabugento e depressivamente sarcástico, tentando de todas as formas evitar as investidas de Lou de aproximar-se dele, e esperando que, inevitavelmente, ela fosse desistir do emprego, como acontecera com as outras pessoas que vieram antes dela.

will e lou

Talvez o que não passe pela cabeça da autora é que alguns acontecimentos podem ter sido retratados de maneira descuidada, principalmente se fizermos um recorte e observarmos a obra através da perspectiva de um deficiente físico, por exemplo. Entendi o que ela quis dizer. Compreendo que o Will, ao comparar sua vida pré e pós acidente, não tenha conseguido encontrar motivos suficientes para ter uma realidade tão contrária à que tinha antes de tudo. Entendi o sofrimento emocional e físico dele. Entendi que os acontecimentos não somente limitam seus movimentos físicos, mas também determinam limites muito rígidos para seus envolvimentos emocionais.

Mesmo tendo essa compreensão, eu senti dificuldades em aceitar o rumo que a história tomou. Eu já tinha uma resistência para aceitar isso antes, quanto tinha somente a história do livro em mente. No filme tudo é menos substancial, talvez por se tratar de uma adaptação e dos vários cortes necessários para encaixar um livro inteiro em uma obra de 110 minutos. Mas isso pode deixar nas pessoas que assistiram ao filme sem ler o livro uma sensação ainda maior de que o final poderia ter sido outro. Afinal, temos exemplos muito reais de pessoas que vivem muito bem, mesmo com limitações. Stephen Hawking e sua mente brilhante compartilhando um corpo cada vez mais debilitado é um caso. Aleijadinho, referência em arte, é outro bom exemplo.

Entretanto, ao seguir essa linha de raciocínio e não se aprofundar nas decisões do protagonista, o filme permite que outro ponto de vista seja explorado. Trabalha com possibilidades relacionadas ao livre arbítrio e ao poder de decisão que o homem tem. Isso tudo levando em consideração que cada um sabe o tamanho da sua dor e, portanto, entende as maneiras mais eficazes em lidar com ela. Concomitante a isso temos todos os questionamentos feitos levando em consideração a situação de Lou. Não porque ela e seu amor não foram suficientes para mudar a ideia de Will, mas porque houve empatia da parte dela para perceber a dor do outro, suas motivações e suas necessidades, fazendo assim com que ela repensasse não somente a vida do homem por quem se apaixonou, mas a própria vida, suas próprias limitações e possibilidades.

É com um ângulo voltado pra esse lado mais romântico e doce que o roteiro nos conduz, seduzindo o espectador a crer que é possível haver uma linda história de amor e até a recuperação do personagem. É por isso que ansiamos e torcemos, o bom e velho final feliz de contos de fadas. Apesar do tema, é uma trama que se conduz de forma leve até alcançar seu ápice. É ai que a dor realmente invade a tela e somos tomados pelo medo do que pode acontecer.

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No fim das contas, Como Eu Era Antes de Você nada mais é do que uma receita de bolo bem conduzida, investindo forte em bons sentimentos e na humanidade como motivações para seguir em frente. É um bom filme para se divertir com quem você quiser. Não existem cenas pesadas, violentas ou de conteúdo sexual, mas com toda a certeza pode levar a debates mais fortes, como os muitos que surgiram com o seu lançamento. Resta a cada espectador decidir com quais olhos quer apreciar essa história.

É colaboradora do Resenhado sonhos
Carioca, escorpiana e futura contadora.
Amante de séries e livros, que nunca consegue ler ou assistir o suficiente.