Comportamento Altamente Ilógico – John Corey Whaley

Comportamento Altamente Ilógico é do autor John Corey Whaley, lançamento de 2017 da editora Rocco.

Sobre o Livro

Lisa Praytor quer entrar para a 2ª melhor faculdade de psicologia do país, e para isso precisa escrever um texto excepcional sobre sua relação com transtornos psicológicos. Solomon Reed tem 16 anos e não sai de casa há 3, desde que sua agorafobia se tornou insuportável do lado de fora. Com um jogo de acaso, Solomon chama a atenção de Praytor e a menina vê nele a oportunidade de ajudá-lo e garantir sua redação.

Envolvido na situação também está Clark, o namorado de Lisa. Um garoto brilhante que tem alguns poréns com relação ao que a garota está fazendo. Com o tempo, um vínculo vai se criar entre esses três jovens que pode vencer a barreira estabelecida no começo e começar a causar algumas dúvidas.

“Veja bem, o mundo de Solomon não era tão solitário quanto pode parecer. Não era escuro e triste. Era pequeno, claro, mas confortável.”

Agora, os eles precisam aprender a passar pelas dificuldades da adolescência, tendo um ao outro para se apoiar, mas com o peso do que dois deles sabem estar fazendo.


Minha Opinião

Esse livro me chamou a atenção pelo nome e pelo buzz que gerou lá fora quando saiu. Várias pessoas falaram sobre ele e, ao chegar ao Brasil, teve sua capa adaptada a uma versão que não agradou tanto assim. Eu não leio tantos livros young adults, mas fiquei intrigada em saber se essa história fugiria um pouco dos clichês.

Comportamento Altamente Ilógico vai trabalhar a agorafobia, um transtorno psicológico que usualmente evolui de ataques de pânico, fazendo com que a pessoa se sinta extremamente incomodada com lugares amplos, públicos ou que possam levar a situações de aprisionamento, constrangimento ou impotência. Como não sabia quase nada sobre essa condição fui aprendendo conforme o livro andava e compreendendo as consequências e anseios de quem vive com isso, através da ficção.

Se formos pensar na premissa do livro ela já aponta pra algo péssimo: Lisa Praytor pretende se aproveitar da situação de Solomon para ter um ganho pessoal. Por mais que a garota diga para si mesma e para os outros que seu objetivo é ajudar Reed a melhorar e “curá-lo”, sua motivação distorcida e comportamento não podem ou devem ser esquecidos. O fato de uma das partes já não ter a total realidade da situação e, sendo ela a mais fraca e propícia a se machucar, gera um cenário péssimo.

Mas, pensando dessa forma, parece que o enredo vai ser completamente óbvio né? A coisa vai evoluir até que ele descubra e talvez role até um romance com Lisa?. Porém, é ai que o livro se salva em seus detalhes e desdobres. Solomon é gay e não tem interesse em Lisa. E, mesmo tendenciando em um breve momento para a história ter um toque de romance, isso logo cai por terra. Esse é um livro puramente sobre amizade e suas facetas.

“Não havia como negar. Agora sabia que era a mais absoluta verdade: ele tinha uma amiga. E estava morrendo de medo dela.”

Solomon é doce e querido. Um nerd de plantão e aquelas pessoas que são tão vivas quando na nossa presença que costumo chamar de “necessárias”. Ele a princípio não entende o que Lisa quer com ele, mas acaba abrindo seu coração para que uma amizade, a tanto tempo não permitida, crie espaço. Ele é seguro de sua sexualidade, tem um bom relacionamento com os pais e é atormentado sobre como será o seu futuro, já que não pretende sair nunca de casa. Agorafobia pode ser tratada, mas ao contrário do que Lisa supõe, não há uma cura específica, colocando ainda mais sobre os ombros da pessoa que sofre dela o peso de melhorar ou não.

Eu detestei Lisa desde seu primeiro momento. Ela queria usar alguém extremamente sensível para seu ganho pessoal. Mesmo que suas justificativas estivessem misturadas com o desejo de ajudar, uma coisa não anula a outra e eu não consegui me relacionar nem um pouco com a personagem. Já Clark, que no começo pode parecer alguém a quem não iremos gostar, ao chegarmos no meio do livro já o estamos adorando. Ele é aquele cara brilhante que é popular, mas que está um pouco cansado das “bullshits” das pessoas que o cercam em seus círculos. E é realmente quando os três interagem que a trama ganha um tom diferente e começa a se confundir em sua essência.

“Não comece uma briga só porque é a coisa mais fácil a fazer.”

Fora a relação dos três há também toda a construção familiar em volta de Solomon. A figura de sua avó é muito especial e ela dá muita força a ele. O pai e a mãe também, mas há um anseio enorme de que ele melhore, de que de algum passo em frente, que acaba anulando pra ele esse amor e fazendo com que ele também se preocupe com o que vai lhe acontecer.

Acho que independente do nível desse transtorno, nunca é bom que a pessoa se feche totalmente. É importante o convívio, mesmo que em ambientes fechados, com outras pessoas e amigos e, nesse único aspecto, acho que Solomon realmente precisava de uma interferência. Entretanto, as motivações do livro em si já começam causando desconforto.

Eu gosto que a história não seguiu caminhos completamente óbvios, mas pra mim também não foi o suficiente para que eu achasse o livro ótimo. Em alguns momentos parece haver uma certa falta de foco em pra onde a trama quer ir, em o que quer passar e isso gera uma certa inconstância.

Comportamento Altamente Ilógico é uma leitura super leve, curtinha e fluida sobre uma condição que não é muito comentada, mas que merece ser conhecida. O autor já havia sido publicado no Brasil com Quando Tudo Volta, pela Novo Conceito, mas esse acabou sendo o meu primeiro contato com sua obra. Acho que, apesar do tema importante, a história em si não foi tudo o que eu estava esperando, mas deve agradar quem curte mais livros do gênero e quer dar uma fugida dos clichês totais.

COMPORTAMENTO ALTAMENTE ILÓGICO

Autor: John Corey Whaley

Editora: Rocco

Ano de publicação: 2017

Um garoto de 16 anos tímido e retraído que sofre de agorafobia (transtorno de ansiedade que leva a pessoa a evitar locais que não considera seguros); uma menina ambiciosa e realista que sonha em entrar para a faculdade de psicologia. Determinada a provar que merece ser aceita no segundo melhor curso do país, Lisa se aproxima de Solomon para ajudá-lo a superar suas dificuldades, trazendo também seu encantador namorado, Clark, para próximo de sua “cobaia”. Logo, os três formam laços inesperados de amizade. À medida que se conhecem melhor, porém, os planos de Lisa começam a sair de controle, e cada um deles é obrigado a rever suas certezas e encarar seus medos. Será que Sol, Lisa e Clark conseguirão encontrar novos arranjos em suas vidas, servindo de apoio um ao outro na difícil tarefa de encarar a vida adulta que se aproxima?

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.