Coroa Cruel – Victoria Aveyard

Coroa Cruel é um livro de contos baseado na série A Rainha Vermelha da autora Victoria Aveyard. Foi publicado em 2016 pela editora Seguinte.

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SOBRE O LIVRO

Coroa Cruel traz dois contos interessantes que exploram o universo de A Rainha Vermelha, agregando mais detalhes sobre a estrutura social e política de Norta, sobre a guerra travada entre prateados e vermelhos e também sobre os eventos que ocorrem no primeiro livro da série.

O primeiro conto, Canção da Rainha, narra a história de Coriane, mãe de Carl e primeira esposa do rei Tiberias VI. Nesse conto, conhece-se mais sobre o passado da personagem, seus anseios e desejos, como se tornou rainha de Norta e também sua rivalidade com Elara, que anos mais tarde ascende ao poder. No período em que a personagem viveu, a casa o qual ela pertencia (Jacos) estava desmoronando e a situação econômica ficando cada vez pior. Enquanto o pai de Coriane quer que ela se comporte como uma princesa mimada, a personagem deseja ter uma vida diferente, independente e não ditada pelas regras da sociedade. Se necessário, Coriane fugirá para viver o que sonha. Nesse conto também há maior exploração do personagem Julian, que tem significativa importância no livro A Rainha Vermelha e na trajetória de Mare Barrow.

“Não existe nada tão horrível quanto uma história não contada.”

O segundo conto do livro, Cicatrizes de Aço, tem uma trama um pouco mais tensa. Narrado em primeira pessoa, acompanhamos a trajetória de Diana Farley e a Guarda Escarlate. Farley é uma capitã da Guarda, destemida e rígida. Ela percorre os territórios de Norta espalhando a mensagem da rebelião vermelha recrutando novos soldados para a causa. Enquanto vai narrando missões, confrontos com os prateados e acordos comerciais secretos, a personagem vai cruzar o seu caminho com Shade Barrow, um vermelho que possui informações cruciais sobre os prateados e que fará a rebelião vermelha tomar novos rumos, já que agora estão mais próximos de virar o jogo e instaurar uma nova aurora em todo o reino.


MINHA OPINIÃO

Eu li A Rainha Vermelha ano passado e foi uma daquelas leituras que você não quer largar o livro em nenhum momento, nem mesmo depois que a história termina. Eu gostei muito do universo criado pela autora, das questões políticas e da representação extremista da sociedade, bem como da evolução da personagem e da trama. Logo, a oportunidade de explorar outras facetas desse mundo surgiu com os contos de Coroa Cruel.

No primeiro conto, conhecemos Coriane Jacos, uma humilde, porém, simpática prateada. A casa Jacos, a qual pertence está falindo, e ela possui muitos receios sobre o seu futuro e de sua família. Ainda que seja uma cantora, ou seja, que ela pode convencer qualquer pessoa por meio de suas palavras, Coriane quer conquistar o seu lugar de forma normal, sem manipular as pessoas com seu poder. Em seu diário a personagem compartilha seus medos e receios, bem como sua vontade de mudar as coisas.

“Jamais sairei daqui, escreveu. Estas paredes douradas serão meu túmulo.”

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Em certo momento, com seu jeito encantador e simples de ser, Coriane despertará o interesse do príncipe Tiberias VI, sendo que isso resultará no casamento dos dois. O fato desperta atenção de todos os prateados, já que o casamento não segue as regras do reino (onde jovens de todas as casas de Norta apresentariam seus poderes na Arena e o príncipe então escolheria a mais interessante para si), principalmente de uma poderosa – e má – prateada, Elara Merandus. Elara é obcecada pela coroa e acredita que Coriane manipulou o príncipe com seu canto para se casar com ele. Cega pelo ódio, Elara decide transformar a vida da atual princesa em um inferno, e fará qualquer coisa para assumir o trono, nem que isso signifique torturar ou matar.

Ainda que a presença de Elara nesta história seja só superficial, é suficiente para entendermos suas ações no primeiro livro da série. Desde cedo ela se mostrou possessiva e vingativa, mas ao mesmo tempo, muito inteligente e cautelosa. Quando ela mostrou a verdadeira face no primeiro livro, fiquei meio sem reação, afinal, uma personagem calma e elegante, de uma hora para outra agir daquela forma, foi muito estranho. Mas agora compreendo que na verdade desde sempre Elara foi de uma personalidade ambígua, uma verdadeira “bomba-relógio” só aguardando a hora certa de acionar o detonador. Se havia alguma dúvida do porque Elara era tão sanguinária, o conto Canção da rainha entrega as respostas.

“O risco faz parte do jogo. Não vamos chegar a lugar nenhum se pensarmos apenas na própria pele.”

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No segundo conto teremos um aprofundamento sobre a história da capitã Farley e o papel da Guarda Escarlate na rebelião contra os prateados. A narrativa deste conto é feito em primeira pessoa, contada pela própria personagem. Através de relatórios de missão e ações em campo, vamos compreender as reais motivações dos vermelhos em sua busca por liberdade e igualdade social.  Também neste conto vamos ver a busca de Farley por reconhecimento e destaque dentro da Guarda. Logo no começo vemos a sua coragem e sua fidelidade à causa. Farley é uma vermelha destemida e brava. Não importa a dificuldade que surja pelo caminho, ela está disposta a superá-los e levar a Guarda Escarlate adiante.

A Farley deste conto me pareceu pouco menos madura do que no primeiro livro da série, já que aqui ela costuma tomar decisões precipitadas e contrariar as regras do comando superior. Ainda que ela seja reconhecida como uma das melhores capitãs da guarda, sua vontade de ganhar mérito pelas ações quase sempre expõem os planos da Guarda aos prateados. Porém, ao longo do conto, veremos como ela se transforma em uma guerreira mais eficiente e mais forte, chegando ao momento em que corresponde à sua personagem no primeiro livro da série. Achei muito bacana essa transição da personagem, já que uma das principais perguntas que eu tinha era “como ela sabia tanto sobre os prateados”? Neste conto descobrimos, e simpatizamos ainda mais com as suas ações e motivações.

“Vamos nos levantar, vermelhos como a aurora.”

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Ainda que não tenha sido uma leitura cinco estrelas, eu gostei bastante dos contos, principalmente do Cicatrizes de Aço. Ambos dão informações extras que tornam mais compreensíveis os eventos que ocorrem em A Rainha Vermelha. É interessante entender, sob óticas diferentes, as razões por trás das ações dos personagens. Quando lemos um livro narrado só por um personagem, temos a tendência a aceitar tudo o que ele descreve como verdade. Mas quando há mais personagens contando partes da mesma história, é mais fácil questionar o que acontece e ponderar quais informações são ou não verdadeiras.

A edição está bem trabalhada pela editora, mantendo a capa simples, porém, com efeito metálico que dá um belo destaque para a obra. Há também no final do livro um mapa mostrando os territórios de Norta, onde acontece a maior parte da história, bem como suas fronteiras com Lakeland, que está há muitos anos em guerra com Norta. Há também detalhes de outras cidades e, suponho, de outro país (Piedmont), o que me leva a crer que em algum ponto da série vão ter alguma importância ou significado.

Mesmo não sendo uma leitura obrigatória, recomendo para todos os fãs da série a lê-lo. Afinal, o universo criado pela autora é grande, e conhecer um pouco mais dos personagens envolvidos nos ajuda a gostar ainda mais da história.

COROA CRUEL

Autor: Victoria Aveyard

Editora: Seguinte

Ano de publicação: 2016

Duas mulheres — uma vermelha e uma prateada — contam sua história e revelam seus segredos. Em Canção da rainha, você terá acesso ao diário da nobre prateada Coriane Jacos, que se torna a primeira esposa do rei Tiberias VI e dá à luz o príncipe herdeiro, Cal — tudo isso enquanto luta para sobreviver em meio às intrigas da corte. Já em Cicatrizes de aço, você terá uma visão de dentro da Guarda Escarlate a partir da perspectiva de Diana Farley, uma das líderes da rebelião vermelha, que tenta expandir o movimento para Norta — e acaba encontrando Mare Barrow pelo caminho. Esta edição traz, ainda, um mapa de Norta e um trecho exclusivo de Espada de vidro, o aguardado segundo volume da série A Rainha Vermelha.

É colaborador do Resenhando Sonhos.
Catarinense, Publicitário formado pela UNOESC, apaixonado por sci-fi, distopias e suspense policial. Fã de Arquivo X e Supernatural, sonha um dia encontrar os aliens.