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A atual crise existencial de ser blogueira

Why-Blog

Eu tinha vários posts prontos e também tinha várias ideias aleatórias para escrever um post hoje, mas dai ontem, em uma das comunidades sobre blogs que faço parte no Facebook uma menina levantou uma questão que me deixou bastante indignada. Na postagem ela afirmava que não se sentia confortável em dizer que era blogueira porque ela não ganhava dinheiro com o blog e perguntou aos membros como eles se sentiam, se consideravam blogueiros ou não.

Ao ler os comentários, vi as meninas dizendo que não se consideravam blogueiras. Pra mim foi tão banal, que eu, que quase nunca participo ou respondo postagens nos grupos que me inserem tive que ir responder. Como assim não se sente confortável? Quando foi que o conceito de blogar virou exclusividade de quem fez disso uma profissão? Se é assim, eu que blogo a mais de 10 anos sou O QUE? Qual é o nome que eu ganho quando aqueles que profissionalizaram o blog tomaram para si a denominação blogueiro?

Hoje em dia, quando me perguntam sobre o blog ou descobrem ele, as pessoas tendem a olhar meio atravessado. Parece que virou obrigação ser bem sucedida pra poder compartilhar coisas em um espaço na internet. Antes, ter um blog era um sinônimo de ter um diário, hoje virou sinônimo de querer fazer sucesso. Quando é que a gente perdeu no meio de tanta gente se dando bem a essência do que realmente importa na bloguesfera? Quando é que eu devia ter parado de dizer que blogava porque meu blog não me rende um centavo? Quando é que o fato mudou e as pessoas passaram a sentir vergonha de blogar e não lucrar com isso?

Mas eu lucro sim, lucro em conhecer blogs legais, em dividir histórias bacanas, em conhecer pessoas ótimas, em compartilhar um pouco de mim e do que penso. Ganho no compartilhar, no pessoal, no emocional, não no financeiro. Será que uma coisa precisa ser tão diferente assim da outra? Será que eu preciso arrumar uma definição nova para o que eu faço porque a sociedade roubou de mim minha identidade?

Não. Me desculpem, mas eu blogo e portanto sou blogueira. Não ganho um centavo com isso, mas ganho muito mais que isso. Blogo porque gosto de compartilhar, blogo porque sinto falta de ter uma voz, blogo por amor. Cuido do Resenhando com amor. Respondo cada comentário com amor e não preciso receber nada em troca pra isso. Fico feliz em fazer ~for free. Se alguém tem que trocar de nome, não somos nós que fazemos isso a mais de década, não é quem mantém a essência do principio. Se um nome novo tem que ser criado, que se crie pra quem monetizou o simples ato de abrir o coração.

Não tenho nada contra as blogueiras famosas, respeito e sei que muitas delas merecem o resultado pelo trabalho e dedicação ao longo do tempo. O que eu não aceito é que esse resultado precise diminuir os outros. Eu sou publicitária. Se eu não trabalhasse na área iria deixar de ser? Não, ta escrito no meu diploma, eu estudei pra isso. A relação é bizarra, mas serve. É como me sinto com relação a isso. Não sinto vergonha de blogar. Ninguém deveria sentir. E se você sente, bom, talvez o motivo pelo qual você faz isso é que está errado.

 

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.