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Death Note (2017) | Crítica

Antes de expressar todo o meu desgosto com essa adaptação eu gostaria de dizer que quem nunca assistiu ao anime, tem grandes chances de gostar. Essa hipótese é possível, sim. Para aqueles que gostam de ação, sangue jorrando na tela e um casal nada convencional, esse pode ser um bom filme. Agora, se você já conhece o anime e nutre aquele amor pela história, esqueça tudo isso. Você sentirá tanta raiva e impotência quanto eu.

Na história, o adolescente Light Turner (Sim, Turner. Já começamos bem, pelo visto.), vive sua vida normalmente, enfrentando os mesmo problemas que os outros estudantes da sua idade. Eis que certo dia, um caderno cai na sua frente. Esse caderno tem o nome de Death Note e vem cheio de regras sobre o seu uso. Segundo ele, ao escrever o nome de alguém, mentalizar o rosto dessa pessoa e designar uma maneira para a sua morte, isso acontecerá. O que Light não sabe é que junto com esse caderno vem o seu dono, um shinigami ou deus da morte, se você preferir.

Rapidamente Light se vê preso a esse caderno querendo vingar a morte de sua mãe e eliminar todos os criminosos da terra. E, juntamente com a sua namorada Mia, eles partem nessa jornada para purificação do planeta. Não demora para que esse poder suba a cabeça de Light e ele passe a cometer certos deslizes que despertarão a curiosidade de um famoso detetive conhecido apenas como “L”. E é nesse momento que os dois passam a fazer jogadas para descobrir qual deles levará a melhor.

Não sei como expressar para vocês a profundidade da minha tristeza ao assistir essa adaptação. Vejam bem, eu já esperava isso. Mas sempre resta aquele fio de esperança, não é mesmo? Esse filme é fraquíssimo, com personagens rasos e mal explorados, muitos detalhes omitidos e outros tantos drasticamente mudados e como foi pouco tempo de filme, cerca de uma hora e quarenta minutos, eles correram muito com a história. O filme definitivamente não pegou a essência do anime.

Vamos por partes: Light está péssimo. Esqueça aquele cara inteligente, inexpressivo e que não se preocupava com ninguém. Não temos nada disso aqui. Apenas um jovem movido pela vingança e manipulado pela namorada. Ah, a namorada Mia. Não encontrei nenhuma semelhança com a personagem original. Em um primeiro momento podemos concluir, já que nada é explicado a fundo, que ela é uma jovem problemática e muito ambiciosa. E que tem praticamente os mesmos pensamentos que Light. Tanto que, ele não tarda em compartilhar com ela o seu segredo.

Já o meu querido “L” foi um dos piores. Vi uma ou duas características do personagem do anime. O resto, está deplorável. Aqui temos alguém completamente despreparado e nervoso. Aquela calma característica e quase apatia que já conhecemos é completamente deixada de lado. Mas quer dizer que não teve nada de bom? Ok, o Ryuk está com visual bacana. E ponto, acaba ai. Aqui o nosso shinigami é outro. Intrometido, malvado e toda a hora a espreita de Light. Passou a impressão de que era ele que influenciava nas várias atitudes de Light, o que não é verdade. Ele sempre deixou que o próprio garoto tomasse as suas decisões e teve um papel muito mais relevante no anime.

O ponto alto do anime, para mim, sempre foi essa dualidade de sentimentos e no quanto havia essa discussão entre correto e errado. No quanto somos aptos a julgar outros seres humanos pelo o que eles estão fazendo com esse poder de eliminar alguém da terra, por ele ser considerado culpado de algo. O anime levanta vários questionamentos e nos faz pensar em como agiríamos se estivéssemos no lugar de Light. Outro fator que chamava a atenção era a genialidade dos dois jovens. Um tentava ser mais inteligente que o outro e era incrível essa capacidade de sempre pensar no movimento seguinte do seu oponente.

E ainda em tempo: o que foi o primeiro encontro entre Light e Ryuk? Lamentável. Em vários momentos me deu vontade de chorar ao ver como os personagens foram representados na trama. Isso que nem estou entrando no mérito das escolhas para os papéis. Com isso concluo que nem tudo é passível de adaptação. Seria muito melhor ter ficado sem essa e creio que a Netflix não foi feliz na sua empreitada.  Em suma, não desejo esse filme para o meu pior inimigo. Leia um livro, dê um passeio ou plante uma árvore. Agora, se você, assim como eu, gosta de passar raiva com algo para ficar comentando com os amigos depois, assista por sua conta em risco.

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DEATH NOTE

Diretor: Adam Wingard

Elenco: Nat Wolff, Keith Stanfield, Willem Dafoe e mais

Ano de lançamento: 2017

Adaptada do mangá de Takeshi Obata, a história gira em torno do jovem Light Turner (Nat Wolff), estudante brilhante que não sabe o que fazer com seu futuro até o dia em que encontra o Death Note. Ele descobre que pode adicionar nomes ao caderno, causando a morte de tais pessoas, e logo decide se livrar de vários criminosos. Seus atos, no entanto, despertam a atenção da polícia e Light começa a ser seguido por um perigoso homem.

É colaboradora do Resenhando Sonhos.
Natural de São Sepé, atualmente morando em Santa Maria.
Formada em Gestão da TI pela URCAMP e cursando Produção Editorial na UFSM.
Apaixonada por livros, Johnny Cash e cachorros.