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Dica de Série: Mars

Desde que o ser humano alcançou a Lua, com as missões Apollo, seu desejo de conquistar o universo só cresceu. Mal havíamos pisado no nosso satélite e já pensávamos em ir para Marte, o planeta vizinho mais promissor em se tratando de uma colonização. Apesar disso, já se passaram mais de 50 anos e nunca fomos até ele, exceto envio de sondas e outras naves-robôs. E parece que esse sonho ainda vai demorar um bom tempo, talvez para 2030, quem sabe.

Mas porque Marte ainda não foi visitado? Esse é um dos focos trazidos pela série Mars, escrita por Ron Howard (Código Da Vinci, Apollo 13) e Brian Grazer (Plano de Voo, No Coração do Mar), e produzida em 2016 pela NatGeo. A série, que é uma mistura de documentário e drama de ficção científica, especula com grande verossimilhança o que de fato poderia atrapalhar a ida do ser humano até Marte e, ao chegar lá, quais problemas surgiriam.

“Nós sonhamos. Faz parte da nossa natureza. Está no nosso sangue, nas células, esse instinto de construir, esse impulso de ir além do que conhecemos.”

A trama é dividida em seis episódios de aproximadamente 50 minutos de duração cada. Ela alterna em duas linhas temporais, sendo uma em 2016 e a outra se passando a partir de 2033. O que se passa em 2016 compõem a parte “documental” da série, onde diversos especialistas, engenheiros, físicos e empresários da tecnologia aeroespacial discursam sobre o sonho de chegar à Marte, as dificuldades encontradas, os primeiros anos da conquista espacial, a melhoria em pesquisa tecnológica, entre outros.

Entre os nomes que aparecem no documental, estão Elon Musk, Neil deGrasse Tysson e Robert Zubrin, além de inúmeros outros. Eles servem como guias durante a série para contar ao público como seria a missão ideal e segura ao planeta irmão. Elon Musk, no caso, tem recebido bastante holofotes nos últimos anos. Empresário visionário da Tesla Motors e da SpaceX, já anunciou várias vezes que sua meta de vida é enviar uma missão tripulada até lá. Recentemente, um dos grandes feitos de Musk foi a criação de foguetes reutilizáveis. Dessa forma, o custo de missões espaciais tenderão a se tornar mais baratas, já que será possível acionar remotamente o foguete para que volte à Terra e pouse, sem se perder na atmosfera, como acontece atualmente.

Todos esses grandes cientistas explicam as difíceis condições de vida existente no planeta vermelho. Além da gravidade ser menos (1/3 da nossa), o clima árido e seco praticamente impossibilita qualquer forma de vida por lá. Além disso, a falta de atmosfera no planeta representa risco para missões tripuladas, tanto no pouco quanto na decolagem de uma nave. Assim sendo, há anos as agências espaciais tem estudado a superfície do planeta, procurando por lugares mais planos e com menores riscos a oferecer. Outro detalhe importante também é que antes se ser possível enviar uma missão humana pra lá, é necessário entender e testar como uma equipe se comportaria em uma viagem tão longa.

“Podemos ir mais longe no Sistema Solar. Não só para visitar, mas para ficar.”

Diversos testes de isolamento são realizados aqui na Terra para simular e testar as condições psíquicas e emocionais de cada pessoa, bem como avaliar e identificar qualquer outro possível imprevisto que poderiam enfrentar em Marte (como falta de energia em decorrência das longas tempestades de areia, que inutilizaria os painéis solares). O legal disso tudo é que a linguagem usada pelos cientistas reais que aparecem na série é de fácil compreensão e não exige conhecimento técnico prévio. É como se você estivesse lendo um livro de física, mas sem precisar compreender os complexos cálculos envolvidos em cada coisa.

No lado ficcional da série, ela pega emprestada os conceitos e estudos apresentados pelos cientistas e então recria uma viagem tripulada ao planeta vermelho. Ali tempos a missão Deadalus, sob comando de Ben Sawyer (Ben Cotton) e com uma equipe formada por outros 5 astronautas. Cada um deles tem uma missão específica ao chegar no planeta, como estudar a geologia, a composição química, o clima, etc. A série não perde tempo em diálogos desnecessários, nem mesmo em mostrar a partida ou a longa viagem ao planeta. Isso tudo já foi explorado em outros filmes. O foco é mostrar a chegada e o surgimento dos primeiros conflitos, bem como abrir caminho para a terraformação do planeta.

A trama se passa em 2033, quando então finalmente as agências espaciais criaram tecnologias suficientes para enviar o ser humano com segurança ao planeta. Claro que, apesar disso, alguns clichês vão surgir, mas acredito que isso não seja de todo ruim, afinal, é uma simulação audiovisual, talvez na vida real algumas daquelas cenas realmente aconteça. Logo, é aceitável que quando um integrante da equipe se machuque, ele se recuse a parar a missão para ser salvo, ou mesmo que algum cálculo errado faça com que a nave pouse há quilômetros de distância do ponto certo. Para todos os efeitos, é preciso suspender um pouco da descrença e ir absorvendo aos poucos o que é mostrado. Lembre que nunca fomos ao planeta, não temos de saber como será a visita.

“Se tudo sair como planejado, nos teremos chegado à base são e salvos e estaremos prontos para começar a fase mais emocionante da exploração científica da história da humanidade. Caso contrário, nós fomos até a escuridão, para que vocês possam encontrar a luz.”

Apesar de ter só seis episódios, senti firmeza no conteúdo apresentado e fiquei até um pouco aflito ao ver os desafios encontrados pelos astronautas. De fato, ir ao planeta Marte não é como ir a Lua. A jornada de ida e de volta leva cerca de 7 meses cada, e lá você está sozinho e por contra própria. Se algo der errado, pouca coisa pode ser feita para ajudar. Logo, é mesmo incrível acompanhar os personagens enfrentando as diversas situações de risco e problemas, seja eles psicológicos, físicos ou até mesmo sociais.

Marte é baseada em parte no livro How We’ll Live on Mars, do escritor e jornalista Stephen Petranek e tem sido descrita como a produção audiovisual mais real e precisa já feita sobre o planeta Marte. Não tenho como dizer se concordo ou não, pois isso foge do meu conhecimento, mas de fato, a série me deixou bastante envolvido e entusiasmado. A mistura entra documentário e drama funciona muito bem e torna o conteúdo mais crível. E o melhor, a série foi renovada para a segunda temporada. Só resta agora esperar pela liberação dos novos episódios e acompanhar até que ponto a colonização de Marte trará benefícios à história humana.

MARS

Diretor: Ron Howard e Brian Grazer

Elenco: Ben Cotton, Alberto Ammann, Jihae e mais

Ano de lançamento: 2016

A bordo do foguete Daedalus, o comandante Ben Sawyer (Ben Cotton) lidera a primeira missão humana a Marte, no ano de 2033. Enquanto observamos a viagem e os primeiros dias da tripulação, especialistas no planeta comentam sobre as condições de vida e sobre os avanços nas pesquisas e desenvolvimentos no caminho para a viagem da Terra ao planeta vermelho.

É colaborador do Resenhando Sonhos.
Catarinense, Publicitário formado pela UNOESC, apaixonado por sci-fi, distopias e suspense policial. Fã de Arquivo X e Supernatural, sonha um dia encontrar os aliens.