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Dica de Série: The Fall

The Fall é uma série de televisão de drama policial produzida pela BBC irlandesa e criada por Allan Cubitt. A história se passa em Belfast, Irlanda do Norte e conta a história de Stella Gibson (Gillian Anderson, Dana Scully de Arquivo X), uma oficial de polícia obstinada e durona que está investigando uma série de assassinatos. Paralelo a isso conhecemos logo de cara quem está por trás desses crimes: Paul Spector (Jamie Dornan, Christian Grey de Cinquenta Tons de Cinza) que à primeira vista parece apenas mais um pai de família, muito amoroso com os filhos e dedicado a psicologia, mas que esconde uma vida dupla.

Paul identifica e escolhe as suas vítimas a dedo: bonitas, bem sucedidas e independentes. Após isso, invade as suas casas para uma primeira impressão, mas principalmente para deixar a sua marca e apavorá-las. Depois de uma primeira investida ele volta e assassina brutalmente suas vítimas, mas o que intriga a todos é o cuidado que ele dedica aos corpos depois. Lhes dá banho, arruma, pintas as unhas e deixa em poses para tirar suas fotos, quase como se elas fossem suas bonecas.

A partir daí acompanhamos esse thriller psicológico. De um lado um psicopata escondido por trás de uma imagem que contrasta com o que ele realmente é e do outro uma mulher autoritária e impetuosa que sabe o que quer e destaca-se em meio aos outros colegas que são em sua grande maioria homens. Sentimos uma espécie de tensão entre os dois, mesmo sem se conhecerem. Nos vemos tomados por uma ânsia de saber quem encontrará quem primeiro. As duas primeiras temporadas de The Fall, disponibilizadas na Netflix são curtas, totalizando 11 episódios (5 na primeira e 6 na segunda). A BBC confirmou a terceira temporada como a última.

Impressões sobre a série

Fiquei sabendo dessa série há pouco tempo e não sei como não havia me deparado com ela antes. Uma trama cheia de segredos e a típica caça entre gato e rato. Um assassino com tendências psicopatas e requintes de crueldade, que possui sua própria maneira doentia de tratar suas vítimas. Já no primeiro episódios percebemos o desequilíbrio mental que ele possui e ficamos chocados ao constatarmos como é a sua vida privada. Na hora que começamos a assistir observamos duas coisas: Stella é a maior badass que vocês vão conhecer e Paul é completamente louco.

Um dos pontos contrastantes nessa série, além das personalidades dos personagens, é o quanto as aparências enganam. Paul é respeitado, tem uma família e passa toda a pose de bom moço. Quando ninguém está olhando ele se transforma num monstro sádico e manipular com tendências machistas e que ao que tudo indica escolha suas vítimas por se sentir diminuído por elas. Ele conquista a confiança das  mulheres com sua beleza, com gentilezas e o seu falso sorriso. Em contrapartida, Stella é uma mulher independente e profissional. Dona do seu próprio nariz, mais macho que muito homem e fã de sexo casual com homens mais jovens.

E sobre a atuação de Jamie Dornan, esqueça aquele Christian Grey que fez – ou não – você suspirar. Paul é um legítimo psicopata. Acho que toda a cara de louco que faltou no senhor Grey sobrou no nosso querido Paul. Nessa série a sua performance é digna de uma pessoa com sérios distúrbios mentais. Nem pense em encontrar aqui um ricaço boa pinta que alega ser tão preocupado com sua amada (ou seria escrava?).

Os diálogos são muito bem elaborados e vem como um tapa na cara para essa sociedade machista. Conforme assistimos, vamos notando essas alfinetadas e que provam o quanto as mulheres ainda sofrem (e como!) no mundo atual. A todo o momento sentimos referências aos problemas passados diariamente por elas. Stella é simplesmente fantástica com suas respostas e afrontas ao colegas de trabalho que veem nela uma ameaça. Em nenhum momento ela se deixa abalar e sempre tem uma maneira de contornar e responder aqueles que estão a importunando.

Apesar de pouca conhecida, a série é muito bem cotada pelos que assistiram. Ainda estou terminando a primeira temporada, mas estou bem empolgada para entender qual a motivação que leva Paul a agir de maneira tão doente. Seria algum problema na infância? Ele realmente se sente tão diminuído perto das mulheres? Seria algum problema especial com a sua esposa que não desconfia de nada? Várias são as minhas perguntas e eu estou ansiosa pelas respostas.

É colaboradora do Resenhando Sonhos.
Natural de São Sepé, atualmente morando em Santa Maria.
Formada em Gestão da TI pela URCAMP e cursando Produção Editorial na UFSM.
Apaixonada por livros, Johnny Cash e cachorros.