The Discovery (2017) | Crítica

Estreou este mês na Netflix produção original estrelada por Robert Redford, Jason Segel e Rooney Mara.

A mortalidade é uma condição que nos aflige desde quando nos entendemos por espécie. Datam-se de dezenas de milênios atrás os primeiros rituais funerários registrados e a narrativa escrita mais antiga da História que se tem notícia remete à epopeia de Gilgamesh, de aproximadamente 5000 a.c, sobre um imperador que busca a imortalidade mas defronta-se com a negativa dos deuses que lhe avisam da morte como condição natural e inevitável de se ser humano. Seguindo a linha desta temática que nos é tão cara, que gerou religiões e civilizações, “The Discovery” é um filme que trata da possibilidade de vida após se morrer. Assunto poderoso, complexo e conflituoso; e que por isto mesmo, ao ser tratado, merece a devida grandiosidade – coisa que a produção original da Netflix não faz.

Em elenco estrelado, com Jason Segel (“How I Met your Mother”), Rooney Mara (“Millenium”, “A Rede Social”) e Robert Redford, a história acompanha o neurologista Will (Jason Segel) em um mundo em que foi descoberto cientificamente que existe “algo” após a morte, apesar de não se saber exatamente o quê; descoberta responsável por uma onda de suicídios por todos os lugares. Na jornada, Will conhece Isla (Rooney Mara) ao ir em direção a sua ilha natal, onde vai visitar seu pai, Dr. Thomas Harbor (Robert Redford), o responsável por descobrir o novo “plano de existência” pós-“morte”.

O maior problema do filme reside em seu roteiro – a magnitude do tema exigia respostas mais satisfatórias ou, melhor, maiores perguntas existenciais geradas para o espectador. A forma da peça é a de um thriller de suspense que não põe grandes mistérios ao longo da drama, senão aqueles característicos de nosso medo da morte, o que faz a história ancorar-se em tal temática para a sua tensão dramatúrgica no lugar de esta se dar por atributos e qualidades do próprio roteiro. Ao espectador atento, não será raro ao longo do thriller a previsão do próximo desdobramento dos acontecimentos. A premissa é ótima, mas as promessas postas em cima da mesa não vão se concretizando conforme chega ao fim da trama.

Contudo, em termos de direção, o filme não se compromete. O diretor Charlie McDowell (filho de Malcomn McDowell, o Alex de Laranja Mecânica) é competente no uso da trilha sonora, de close-ups e na escolha dos planos. A Arte acompanha o clima de cores mais acizentadas em meio a um mundo sombrio, ressaltando certas cores em determinados momentos, em paralelo ao uso frequente de luzes incidindo à câmera pela Fotografia que, por vezes, com forte auxílio do digital, cria um mundo onírico e superiluminado; e, apesar dos grandes atores no elenco, nenhum deles se destaca em demasia.

Pretensioso ao tentar tratar de temas inalcançáveis a sua compreensão, “The Discovery” é um filme que me fez lembrar da melhor peça audiovisual que já vi tratar do tema da vida após a morte: uma esquete de pouco mais de um minuto do clássico programa de humor da BBC britânica Monty Python. Como apresentador de um programa de debates, John Cleese anuncia que discutirão naquele show se existe vida após a morte e, para tanto, foram trazidos para a roda de discussão três cadáveres. Inquiridos os três sobre a existência de vida pós-morte, eles obviamente não respondem, e o apresentador conclui pelo “não”. Às vezes um minuto e meio de ironia e irreverência são mais verdadeiros e inteligentes do que uma hora e quarenta minutos de puro preciosismo.

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THE DISCOVERY

Diretor: Charlie McDowell

Elenco: Jason Segel, Robert Redford, Rooney Mara e mais

Ano de lançamento: 2017

Dois anos após a vida após a morte ser provada cientificamente, um homem busca ajudar uma jovem mulher a superar os fantasmas de seu passado.

É colaborador do Resenhando Sonhos.
Cético, é daqueles que precisam ver para crer.
Pedro é estudante de Jornalismo na UFRGS, cinéfilo e meio míope.
  • Lili Aragão

    Oi Pedro, é uma pena que o filme tenha sido pretensioso demais e não tenha sido tão bom quanto esperado. A ideia é boa e a pergunta que ele busca responder (?!) é boa e sempre vai existir. O trecho final da critica falando sobre a esquete de comédia é muito interessante e verdadeira e mesmo que sendo tratada como uma brincadeira, é realmente uma percepção inteligente de um fato :)

  • Natália Costa

    Quando se assiste aos trailers das produções originais Netflix vc sempre cria expectativas, pq parecem ser todas ótimas! Nem sempre…hahahaha

  • Bruna Prata

    Estou tão por fora dos lançamentos da Netflix (menos sense8, aló tempo) que nem sabia sobre esse filme. A premissa é realmente ótima, mas é uma pena que as vezes vem a decepcionar, em alguns quesitos.

  • Amanda Barreiro

    Confesso que nem tinha visto a estreia desse filme (o tempo é tão curto que só estou focando nas séries atrasadas, rs), mas a premissa é realmente interessante. Uma pena que o roteiro não tenha correspondido às expectativas. Detesto histórias muito previsíveis, o filme fica parecendo um imenso deja vu.

    Beijos!

  • Gabriela Souza

    Oi! Nunca ouvi falar desse filme hahaha Mas eu adoro temas “existenciais” como esse e, mesmo que talvez eu me decepcione, acho que vale a pena dar uma conferida e tirar minhas próprias conclusões. Beijoss

  • Lara Caroline

    Oi Pedro, tudo bem?
    Realmente vida após a morte é um tema complexo e que necessita de muitos recursos para ser bem falado. Não sabia do lançamento deste filme, porque estou desatualizada da Netflix por motivos de provas e seminários, mas assim que desocupar vou querer conferir a produção com meus próprios olhos.
    Beijos

  • Ramon Barbosa

    Essa Temática de vida após a morte sempre é interessante, pena que não foi bem desenvolvida. Gosto muito das produções próprias do Netflix. Asssim que puder, vou assistir e ter minhas conclusões.

  • Isabela Carvalho

    Não conhecia esse lançamento do netflix ainda…
    Não parece ser meu tipo de filme. Mas vou ver se entro lá e confiro depois ;)
    Obrigada pela dica!
    ;)

  • Eu não conhecia este filme, e nem vi ele entre os lançamentos da Netflix, achei bem interessante a historia do filme, quem sabe eu assista.

  • Marta Izabel

    Oi, Pedro!!
    Não conhecia esse filme mais gostei bastante da indicação vou procurar na Netflix!!
    Beijoss