Ecos – Pam Muñoz Ryan

Ecos é um livro da autora Pam Muñoz Ryan, lançado em 2017 pela Darkside Books.

Sobre o Livro

Cinquenta anos antes da maior de todas as guerras, o menino Otto entrou na Floresta Negra e lá encontrou Eins, Zwei e Drei, três jovens enfeitiçadas por um bruxa que as impede de deixar o lugar. Ajudando o garoto a encontrar o caminho de volta e após contar sua história, ele promete libertá-las e leva seus espíritos em uma gaita de boca.

Anos depois conheceremos Friedrich, um garoto que vê seu sonho de se tornar um maestro interrompido pelo crescente avanço do nazismo, num momento onde a marca que carrega no rosto o colocava como uma aberração e, portanto, um alvo. Dois anos mais tarde, Mike, um jovem pianista, vive em um orfanato com o irmão mais novo e sofre as maldades dos outros garotos e também da situação. Com o medo constante de ser separado do irmão e de vê-lo indo parar em lugar pior, o menino precisa se agarrar a tudo que surgir para fugir desse destino. Já sete anos a frente, Ivy precisa abandonar sua cidade, na qual iria se apresentar no rádio, para ir com os pais cuidar de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração nos Estados Unidos. Descendente de mexicanos e com amor pela música, a garota se vê cercada de ódio por aqueles que acreditam na traição oriental em meio a guerra.

“Você já parou pra pensar que uma pessoa pode tocar a gaita e passar a diante sua força, sua visão e seu conhecimento?”

De alguma forma misteriosa, o destino desses três jovens mais o do menino Otto se entrelaça, e é preenchido pela magia da música e os encantamentos de um mundo que soa cruel e que pode ser capaz de desacreditar todos os sonhos.


Minha Opinião

Ecos é um daqueles livros apaixonantes, principalmente se você, assim como eu, tem uma queda por histórias que envolvem a guerra. Depois de A guerra que salvou a minha vida, a Darkside traz mais um livro com background histórico. Esse, cercado por magia, uma fantasia dark, que nos mostra o lado cruel das pessoas, enquanto encanta com a beleza da aura daqueles que possuem um coração puro.

E, antes de qualquer personagem, a grande protagonista desse livro é a música. É ela o elemento que aparece em comum entre as histórias, que se dividem em quatro partes: o encontro de Otto com as três garotas amaldiçoadas na Floresta Negra; a história de Friedrich em 1933; os anseios de Mike e seu irmão em 1935; e a jornada de Ivy em 1941 no auge da guerra.

“Amigos denunciando amigos… Todo mundo com medo. Que horror virá em seguida?”

Cada um desses jovens possui uma história diferente a contar e uma personalidade que lhe marca. Friedrich sempre sofreu por ter nascido com o rosto marcado. E, depois de ter visto uma orquestra sendo regida, não consegue se conter quando ouve o som da música. Fecha os olhos e rege como se fosse ele o maestro, o que atrelado a sua aparência e ao momento, só lhe causa problemas.

“Vovó costumava dizer que a dor é a coisa mais pesada pra se carregar sozinho. Então sei tudo a respeito disso.”

Já Mike é o irmão mais velho e protetor. Franklin, que tem uma chance maior de ser adotado por ser mais jovem não quer se separar do irmão, já que fizeram um juramento de se manter juntos à avó. Porém, nem sempre é possível ter o que se deseja e mesmo que um cenário melhor possa se abrir em seu caminho, poderá ser necessário um escolha que não inclui seguir em frente unidos.

Ivy vive se mudando, mas achou que dessa vez ficaria tempo o suficiente para se apresentar na rádio, vaga essa que se esforçou bastante para conseguir. Mas um emprego para os pais cuidando da casa de uma família japonesa que está detida por causa das ameaças de traição, em função da guerra, acaba interferindo em seus planos e ela precisa deixar sua música pra trás.

Um elemento em comum, além da música em si, vai surgir nesses três momentos e depois, ao fim, teremos o interlace total das histórias, unindo cada nota a tocar apenas uma cadenciada e bela melodia. E, por mais que a história seja sofrida e dura em alguns momentos, há uma aura de esperança que mantém o leitor seguindo em frente, mesmo quando a parte de um personagem termina abruptamente, sem final, e você é obrigado a conhecer um novo elemento e vir a se apaixonar por ele da mesma forma que havia feito com o anterior.

Comparado com as histórias dos irmãos Grimm, Pam Muñoz impõe um pouco mais de complexidade ao apresentar histórias distintas, mas que fazem parte de uma mesma composição. E, que mantém os elementos básicos de uma fábula. Magia, esperança, bons corações e a maldade aqui representada pela guerra e por tudo de horrível que vem com ela. Se utilizando de um período sombrio de nossa história, a autora da vividez à narrativa, aproximando-a do nosso contexto, tornando os personagens nossos conhecidos e amigos.

Eu sou extremamente suspeita pra falar, porque leio muitos livros com background histórico, mas fui pega de surpresa por Ecos. O que me chamou a atenção foi ser uma “fantasia” que envolvia música e, como não sou de ler sinopse, só descobri o background durante a leitura, o que foi extremamente agradável. Os cortes para saltar entre as histórias me cortavam o clima, mas imediatamente depois de virar mais algumas páginas já estava imersa novamente com um novo narrador, conhecendo suas peculiaridades e acompanhando seu sofrimento.

E será que preciso falar alguma coisa sobre essa edição? É uma obra de arte em forma de livro. Com um design que combina em tudo com a história, cada detalhe é um plus, incluindo a lateral das folhas laranja, que certamente deixa o conjunto ainda mais bonito.

Independente da história que for contada, esse período histórico exprime dor. E mudou sim, além de marcar, a vida de muitas pessoas. Daqui há alguns anos esse livro pode ser visto como uma fábula ao lado de tantas outras mais conhecidas nossas e que também brincam com o sombrio, mas sempre vai parecer mais vívida por estar em cima de um plano de fundo real, pulsante e terrível.

Ecos é um livro belo, harmônico e sonoro, como foi escrito pra ser. É uma história tocante, sensível e cruel, sobre anseios, desejos e a natureza humana. É o encontro entre a magia e a realidade, feito pra alcançar até o mais duro dos leitores e o abraçar com suas páginas. Não há como sair imune ao eco de sua melodia.

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ECOS

Autor: Pam Muñoz Ryan

Editora: Darkside

Ano de publicação: 2017

Ecos, da premiada escritora norte-americana Pam Muñoz Ryan, é uma fábula como há muito não se via – ou se ouvia. Um conto de fadas dark, que resgata o melhor da tradição dos irmãos Grimm, combinado com delicados momentos do século XX, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que assolou os Estados Unidos nos anos 1930. O resultado é uma fantasia histórica repleta de perigos e beleza, emoldurada pelo poder da música. A aventura começa cinquenta anos antes da Primeira Guerra Mundial — “a guerra para acabar com todas as guerras” —, quando o pequeno Otto se perde na Floresta Negra e encontra as três irmãs encantadas, prisioneiras de uma velha bruxa, que conhecia apenas das páginas de um livro, e acreditava ser apenas uma lenda. Como em um passe de mágica, as irmãs ajudam o garoto a encontrar o caminho de casa. E Otto promete libertá-las, levando o espírito das três dentro de uma inusitada gaita de boca. Ao longo dos anos, o instrumento chega à mão de novos donos: um menino que vê o sonho de se tornar músico interrompido pela ascensão do nazismo; um jovem pianista prodígio que vive num orfanato e luta para não ser separado do irmão caçula; uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Personagens com dramas diferentes, mas um amor transformador pela música. Cada um à sua maneira, eles são afetados pela magia das três irmãs. Assim como os leitores do livro em todos os países em que ECOS foi lançado. Prepare-se para também ser arrebatado e enfeitiçado por essa fábula harmônica.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.