Em Um Bosque Muito Escuro – Ruth Ware

Em Um Bosque Muito Escuro é da autora Ruth Ware e foi lançado pela editora Rocco em 2016.

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Sobre o livro

Você acorda em um quarto de hospital sentindo muita dor. Você sente o cheiro de sangue, sente ele pegajoso nas suas mãos. Seus braços estão completamente arranhados e diversos hematomas estão espalhados pelo seu corpo. Você lembra de alguém disparando uma arma, lembra de ver muito sangue e após isso tudo é um branco total. É assim que Nora acorda. Totalmente perdida e sozinha, sem saber o que aconteceu e como foi parar lá. O rumor de que alguém morreu está no ar e a palavra homicídio passa a assombrar seus pensamentos.

Há dez anos Leonora Shaw deixou seu passado como Lee para trás e agora vive uma nova vida em Londres como Nora. Morando e trabalhando sozinha, essa escritora gosta de viver isolada e vê na vida solitária um refúgio. Toda metódica e organizada, nada sai da sua rotina que é extremamente regrada. Por isso, quando ela recebe um e-mail de uma mulher se intitulando Florence e que diz ser amiga de Clare, sua melhor amiga de infância, ela vê seu pequeno mundo ser abalado. Por que Clare apareceu depois de tanto tempo? Seu espanto apenas aumenta ao descobrir que o e-mail tem um propósito: convidá-la para a despedida de solteira de Clare Cavendish.

“Sou empurrada em cadeira de rodas por corredores compridos, com as luzes fracas da noite, passo por enfermarias onde dormem os pacientes. Alguns deles acordam quando passo, e posso ver o meu estado refletido em suas expressões chocadas, no jeito com que viram as cabeças para não ver, como se faz diante de algo que dá pena ou que é apavorante.”

No dia marcado, ela se depara com um lugar inusitado. Uma gigantesca casa de vidro, no meio de um bosque e totalmente isolada da civilização. A lista de convidados conta com apenas seis pessoas: Florence, Clare, Melanie, Tom, Nina e Nora.  Após uma noite regada a álcool e drogas, eles precisam lidar com a constante sensação de estarem sendo observados pelos vidros, fazendo jogos perigosos e encontrando marcas de pegadas na neve. O clima de tensão é constante e cada um vai revelando o seu lado mais obscuro conforme o final de semana avança. Mas a pergunta que fica é: o que mais aconteceu para Nora acordar daquela forma?


Minha opinião

Esse livro é uma mistura de sentimentos. A constante sensação de que uma grande revelação acontecerá é o que dá o toque mágico nessa história. Sempre falando em deixar o passado para trás, Nora nos confunde diversas vezes, principalmente com essa história de não gostar de ter o antigo apelido usado. Ela sempre deixa no ar o motivo que a levou a fugir da sua antiga vida e abandonar todo mundo. O segredo que gira em torno disso é surpreendente.

Por vezes, cheguei a questionar a sua sanidade e pensei que a vilã nessa história poderia ser ela. Esse livro possui todos os elementos necessários para um bom filme de terror e isso fez ele ganhar muitos pontos comigo. Pessoas isoladas em um bosque, neve, uma casa de vidro que passa a constante sensação de estarem sendo observados, além de personagens inquietantes e uma atmosfera sombria que passa a constante pergunta: o que acontecerá em seguida?

“- As pessoas não mudam – disse Nina com amargura. – Elas só ficam mais habilidosas para esconder o que realmente são.”

Como é Nora que narra os eventos para a gente, vamos descobrindo e “recuperando a memória” junto com ela, até chegarmos ao momento que a história se revela e eventos conflitantes passam a acontecer. A todo o momento ficamos com essa agonia para descobrir quem morreu, o que aconteceu e por que ela está tão machucada. A confusão dela é a nossa. Essa brincadeira de estarmos dentro da cabeça do narrador me agrada muito, pois cada revelação surpreende a ela e a nós também.

Essa história possui personagens que são 8 ou 80, é quase impossível gostar mais ou menos de alguém. Tudo é muito intenso. Uma das melhores é Nina, ela é extremamente crítica e ácida e não deixa que ninguém faça jogos com ela. Por trás dessa máscara de mulher forte, descobrimos uma mulher afável e amorosa que apenas usa essa imagem para se defender.

Em contra partida, Florence é a odiada da história. Não conseguia ler os trechos em que ela aparecia sem torcer o nariz. A sua efusividade e devoção a Clare tornam dela uma personagem muito chata e, algo que a autora pecou, foi de não explorar mais essa amizade e o passado de Flo. Percebemos desde o início que existe algo errado com ela.

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A narrativa é totalmente marcado pelo clima de tensão e aquela constante sensação de que mais cedo ou mais tarde virá o ápice da história. Para minha surpresa, o verdadeiro propósito da história só acontece mais para o final, tudo o que vinha antes era para preparar o terreno para o grande desfecho do livro. Só ligamos os fatos nas últimas páginas e, apesar de ter um final que não é surpreendente, a história para chegar até ele é muito bem elaborada. O decorrer dela é excelente, apenas senti falta de um final arrebatador para o livro ser perfeito, porque infelizmente eu já imaginava o que aconteceria.

Outro ponto que achei positivo é que a autora vai enrolando até contar o que realmente aconteceu naquela noite, quando estamos no clima das lembranças de Nora, o livro corta para ela no hospital e não sabemos o que aconteceu, por isso, corremos para chegar no próximo capítulo. Creio que essa foi uma boa estratégia para prender o leitor.

O livro teve seus direitos vendidos para o cinema em 2015 e existem rumores de que será adaptado para o cinema por Reese Whiterspoon, mas que ela não atuará no filme. Dentre os nomes citados para atuarem estão: Emily Blunt, Amanda Seyfried, Zosia Mamet e Naya Rivera. Não encontrei maiores informações sobre ele, mas acredito que, se bem explorado, ele poderá superar o livro.

A história faz uma análise dos comportamentos humanos e mostra o lado mais sujo e dissimulado de todos nós. Nos apresentando como o ser humano pode ser capaz de jogar com os outros. Quando a verdadeira faceta de todos os envolvidos é revelada, as máscaras caem e conseguimos até identificar esse tipo de pessoa na nossa volta. Talvez um dos maiores problemas do livro seja o momento em que um certo personagem é inserido na história, e não que ele não seja importante, pois é o que muda o final. Entretanto, faltou explorar mais um pouquinho pra que a história fizesse mais sentido. Em suma, é um livro pra os adoradores de suspense e revelações bombásticas. Se você gosta desse tipo de livro, não deixe de ler.

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EM UM BOSQUE MUITO ESCURO

Autor: Ruth Ware

Editora: Rocco

Ano de publicação: 2016

A britânica Ruth Ware alcançou as listas dos mais vendidos do The New York Times, USA Today e Los Angeles Times com este surpreendente romance de estreia que chega ao Brasil pela coleção de suspense Luz Negra. Em um bosque muito escuro é narrado por uma escritora reclusa que aceita o convite para a despedida de solteira de uma amiga de escola com a qual não tinha contato há anos. Quarenta e oito horas depois de chegar ao local da festa, uma casa de campo isolada, ela desperta numa cama de hospital, com a devastadora certeza de que alguém está morto. E mais do que tentar lembrar o que aconteceu no fatídico fim de semana, precisa descobrir o que fez. Com uma atmosfera inquietante, em que segredos do passado são revelados aos poucos e as relações se constroem pelo entrelaçamento de admiração, carinho, inveja e ressentimentos, Ruth Ware entrega um thriller arrebatador, que não à toa a colocou entre os principais nomes do novo suspense feminino, como Paula Hawkins e Gillian Flynn

É colaboradora do Resenhando Sonhos.
Natural de São Sepé, atualmente morando em Santa Maria.
Formada em Gestão da TI pela URCAMP e cursando Produção Editorial na UFSM.
Apaixonada por livros, Johnny Cash e cachorros.