Escândalo de Cetim – Loretta Chase

Escândalo de Cetim é o segundo livro da série As Modistas, da autora Loretta Chase, lançado no Brasil em 2016 pela editora Arqueiro

Sobre o Livro

Aqui acompanhamos a história de Madame Sophia e do Conde de Longmore, ou Sophy e Harry, personagens que já apareceram no primeiro livro da série das Modistas. Sophia é uma das proprietárias da Maison Noirot e a irmã do meio. Sophy é a especialista em chapéus e responsável por criações que são ao mesmo tempo mirabolantes e lindas. Mas sua principal característica é ser dona de uma mente incrível que a permite não somente encontrar maneiras de se tornar invisível quando precisa investigar a vida dos aristocratas – e assim conseguir assunto para rechear as páginas do jornal de fofocas de Londres, o Morning Spectacle – mas também criar planos infalíveis para resolver qualquer tipo de situação.

“Que tipo de vida terrível ela levara? Era uma modista. Da maneira como falava, sua profissão fazia com que uma guerra parecesse um chá das cinco.”

Ela vai se aliar ao Conde de Longmore, irmão mais velho de Clara, que após romper seu noivado com o Duque de Clevedon acabou se envolvendo em um escândalo com um lorde falido, e agora está com o casamento marcado. Correndo o risco de perder sua melhor e mais valiosa cliente e ao mesmo tempo se compadecendo de Clara, por ser obrigada a casar com um homem desonrado e interesseiro, Sophia mostra porque é considerada uma verdadeira mestra dos disfarces e manipulações.

Já o Conde de Longmore decide que se aliará à Sophia simplesmente porque precisa ajudar sua irmã a recuperar a reputação. Não tem absolutamente nada a ver com uma tremenda atração que ele sente pela modista, muito menos importa o fato de que ela tem os maiores e mais lindos olhos azuis de toda Londres.


Minha Opinião

Embora esta série conte a história de um casal diferente a cada livro, Escândalo de Cetim retoma muitos acontecimentos do livro anterior, pois diversos personagens de Sedução da Seda estão presentes aqui. Por conta disso é importante que a série seja lida desde o inicio, caso contrário o leitor poderá não compreender totalmente algumas particularidades da história, além de ter possíveis spoilers sobre a trama.

Nesse segundo volume, Loretta Chase optou por uma história com menos drama e mais humor, se levarmos em consideração seu antecessor. Temos a trama principal, que envolve a modista que traça planos mirabolantes para resolver qualquer situação inconveniente que apareça; no caso é tentar livrar a Maison Noirot dos problemas financeiros ao mesmo tempo em que faz de tudo para recuperar a reputação de uma jovem que é, ao mesmo tempo, uma amiga e a cliente mais importante do ateliê. Para que essa trama se desenvolva, a autora criou uma subtrama envolvendo Lady Clara, que tem bastante presença neste livro, e um lorde falido e desesperado que faz uso de artimanhas para conseguir um dote valioso – e assim quitar suas dívidas e se livrar do seus credores.

Para conseguir alcançar seus objetivos Sophia utiliza vários disfarces e interpreta papeis que deixaria qualquer atriz indicada ao Oscar no chinelo. Neste livro ela vira criada em festas importantes, uma prima chata e exigente quando precisa espionar a concorrência, a amante de um aristocrata quando é necessário viajar entre várias cidades em busca de uma Lady desesperada e sua dama de companhia; mas principalmente, Sophia se torna a salvadora que precisa ser.

Para ser capaz de interpretar diversos papeis e resolver questões urgentes, ela tenta não levar em consideração seus sentimentos. Aqueles que já haviam dado sinais da existência, e que cada dia vão ganhando mais espaço no coração de Sophia (e também em outras partes localizadas mais em baixo). Tudo isso porque a presença do Lorde Longmore está cada vez mais constante, já que além de amigo da família ele também é irmão de Lady Clara, e por isso o melhor aliado que Sophia poderia ter para lidar com a situação delicada da jovem dama.

“Ele lhe mostrou que havia um mundo desconhecido no que se refere a beijos. Mas aquela intimidade não se comparava a essa, ao contato dele com suas roupas de baixo, seu vestido, tudo o que tocava seu corpo. Sophia estava tremendo por dentro. Entretanto, por fora ela era uma Noirot.”

Henry é um conquistador. Tem mãos que são hábeis tanto para despir mulheres quanto para se envolver em brigas e duelos. Ele não é considerado um homem dos mais inteligentes, mas é aquele tipo de pessoa que faz de tudo por quem lhe é importante e não mede esforços para isso. Ele não se apaixona, não pensa em casamento; poder se meter em uma briga aqui e outra acolá, aproveitando seu tamanho avantajado, ao mesmo tempo em que conquista belas mulheres e passa suas noites entre mesas de carteado e lençóis de seda está muito bom pra ele. Ele é feliz assim. Ou ele quer acreditar nisso, enquanto não consegue tirar a ardilosa Noirot da cabeça. Tão diferentes entre si, mas com objetivos em comum, eles unem forças e – além de acolher um jovem órfão malcriado, irritado, esfomeado e inteligentíssimo – saem em busca de respostas e soluções.

Aqui a ideia de mulher empoderada e a frente de seu tempo está presente, como costuma ser nos romances de época. Sophy não vê problema em tomar a iniciativa para resolver qualquer problema que surja, e na situação de Lady Clara não poderia agir de outra forma. Enganar para descobrir os planos da concorrência, usando um lorde como comparsa e um moleque de rua como vigia; interpretar o papel de alguém da aristocracia para seduzir um lorde ordinário e desta forma evitar uma tragédia emocional; ou talvez viajar ao lado do homem que faz seu coração bater mais forte, mas sem jamais demonstrar exatamente tudo aquilo que gostaria de fazer com ele, são algumas situações em que Sophy se envolve sem pensar duas vezes. Ela não tem medo, não tem receio e nem vergonha. E se quer que algo seja muito bem feito, ela toma a dianteira e faz.

A narrativa toda é basicamente sobre a protagonista buscando formas de resolver questões alheias,  que de uma maneira ou de outra acabam afetando os negócio das Noirots. Claro que nem tudo acontece facilmente, já que ter uma irmã costureira que casou com um dos melhores partidos de Londres não ajuda a melhorar a imagem dessas modistas, pelo contrário. Mas é interessante ver Sophia e Longmore juntos, a princípio para proteger Clara, e depois por conta do sentimento incontrolável que surge entre eles.

“Ela se aproximou um pouco mais da janela. Em seguida, deu uma boa gargalhada, e as fitas dançaram, os laços tremularam, e ele achou que nunca tinha ouvido nada mais maravilhoso do que aquele som.”

O romance entre os dois ganha força aos poucos, e embora diversas características deste gênero literário estejam presente, eu senti falta de mais interação romântica entre Sophy e Henry. Talvez eu tenha sentido isso porque o livro não é totalmente focado nos dois, já que uma subtrama envolvendo Clara está ali desde o início, e é justamente por conta disso que o casal se aproxima. Acontece que eu gostei tanto da química entre os dois, que fiquei querendo mais. De qualquer maneira, Escândalo de Cetim consegue prender a atenção do leitor que curte romance de época, mas também daqueles que aproveitam uma narrativa cheia de aventuras. Com um ritmo acelerado, situações hilárias e acontecimentos imprevisíveis, é o tipo de leitura que flui sem dificuldades e deixa o leitor com um sorriso bobo nos lábios em diversos momentos.

ESCÂNDALO DE CETIM

Autor: Loretta Chase

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2016

Irmã do meio entre as três proprietárias de um refinado ateliê de Londres, Sophia Noirot tem um talento inato para desenhar chapéus luxuosos e um dom notável para planos infalíveis. A loura de olhos azuis e jeito inocente é na verdade uma raposa, capaz de vender areia a beduínos. Assim, quando a ingênua lady Clara Fairfax, a cliente mais importante da Maison Noirot, é seduzida por um lorde mal-intencionado diante de toda a alta sociedade londrina, Sophia é a pessoa mais indicada para reverter a situação.
Nessa tarefa, ela terá o auxílio do irmão cabeça-dura de lady Clara, o conde de Longmore. Alto, musculoso e sem um pingo de sutileza, Longmore não poderia ser mais diferente de Sophia. Se a jovem modista ilude as damas para conseguir vesti-las, ele as seduz com o intuito de despi-las. Unidos para salvar lady Clara da desonra, esses charmosos trapaceiros podem dar início a uma escandalosa história de amor… se sobreviverem um ao outro.

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.
  • Lili Aragão

    Oi Krisna, eu acho que os livros da Loretta geralmente tem essa pegada de apresentar mulheres a frente de seu tempo, as protagonistas femininas dela a meu ver sempre tem destaque um pouquinho maior e gosto muito disso e assim achei essa leitura bem legal. Me diverti com Sophy e achei que isoladamente ela e Henry foram personagens muito bons, mas juntos faltou um pouco de química e a questão de Clara que você citou deve mesmo influenciar nesse aspecto. Ainda assim é um livro muito bom e vale a pena. Curti a resenha ;)

  • Thais M. Costa

    Olá. nao sou muito fã de romance histórico, mas sua resenha me deixou com vontade de ler. bjus

  • Carol Mendes

    Não sou de ler esse gênero, mas falam tão bem dessa série que tenho certa curiosidade.
    Bom saber que retoma fatos do livro anterior, mas mesmo podendo ser lido de forma independente, eu prefiro ler na ordem mesmo.
    Sua resenha ficou ótima e amei as fotos!

    Virando Amor

  • Samuel

    Não costumo ler romances de épocas, muito menos romance, mas a resenha me fez interessar pelo livro

  • Manu Cardoso

    A Loretta Chase é a minha autora de romances de época preferida e eu gostei muito desse livro. =)
    Acabei de comprar o terceiro volume da série e já estou de olho no lançamento do quarto!
    =)
    Bjs

  • Amanda Barreiro

    Oi! Poxa, infelizmente eu sou super por fora de romances de época, é um gênero que eu realmente não curto. Sua resenha ficou muito boa, mas não consigo me interessar por esse tipo de história. Que bom que te agradou, parece ser uma boa indicação pra quem gosta. Beijos.

  • Camila Rezende

    Ainda nao li nenhum romance de época, mas tenho muita curiosidade em começar a ler.
    Sempre leio pessoas falando bem deles.
    Gostei da sinopse e me interessei pelo livro depois de ler a resenha.
    Vc acha que essa serie e boa pra começar a ler romance de época?

  • Natália Costa

    Estou precisando ler Romances de época, vejo muitas resenhas e me chama muita atenção. O mais parecido que já li foram romances de banca de época…kkkkk
    A capa é linda, parece com um daqueles do quarteto da Julia Quinn! Queria começar pelos livros dela, comprios Bridgertons mês passado e ainda não iniciei. Esperando um brecha nas leituras atuais!

  • Leticia

    Tenho varios romances de epoca na minha wishlist, e ate comprei um, mas começar um que é bom, nada 😅 Pior que essa resenha é de um que faz parte de uma serie, varios livros pra acompanhar haha

  • Samanta Samy

    Primeiramente: que capa linda!!
    E em segundo lugar, mas não menos importante: obrigada por avisar que devo ler desde o inicio.
    Fico toda perdida na hora de comprar romances de épocas. Não sei se são continuações ou histórias a parte.
    Estou me aventurando nesse ramo recentemente.
    Beijos!

  • Franciele Débora

    A sinopse é boa, mas não é algo que me chama atenção, por ser um romance de época, é um gênero que não faz o meu tipo. Gostei de sua resenha. E capa é linda!
    Beijos.

  • Carolina Oliveira

    Até gosto bastante de romances de época, mas essas séries parecem ser uma cópia das outras, n tem trazem mais do mesmo. No entanto, esse parece se diferenciar um pouco por conta da trama da Clara, né?

  • Gabriela Souza

    Oi! Como sempre costumo dizer, não sou fã de romances de época, mas amo saber que em todos eles (ou todos que já vi em resenhas) possuem protagonistas empoderadas. Amei a capa do livro. Beijos