Escola de vilões – Jen Calonita

Escola de Vilões foi escrito pela autora Jen Calonita e publicado no Brasil em 2015 pela Única Editora.

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SOBRE O LIVRO

Gilly é uma garotinha que vive com sua família composta pela mãe, o pai e cinco irmãos em um pequeno casebre. A família de Gilly tem um negócio local de venda e fabricação de sapatos. O negócio da família nunca rendeu o suficiente para garantir uma vida exatamente confortável, no entanto, depois que Ela (Sim, a princesa mais conhecida como Cinderela) permitiu que sua fada madrinha copiasse os sapatinhos de cristal, originalmente fabricados pelo pai de Gilly, os lucros caíram bastante.

Essa é uma das principais razões que levam Gilly a odiar os nobres, por achar que não passam de egoístas e que não se importam minimamente com os pobres do reino, o que faz com que ela passe a praticar pequenos furtos para garantir que sua família tenha um pouco mais do que tem, mesmo que ainda esteja longe de ser o suficiente.

“Você mandaria um vilão fazer o trabalho de um herói?”

Nossa história se passa em um reino de contos de fadas, onde princesas já conhecidas, como Branca de Neve, Cinderela, a Bela Adormecida e Rapunzel governam e onde antigos vilões fazem um trabalho de reabilitação no RCF: Reformatório dos Contos de Fadas, comandado por ninguém menos do que Flora, a ex madrasta malvada de Cinderela, para onde os pequenos vilões delinquentes são levados. Desde pequenas ladras como Gilly, até fadas desobedientes, gnomos e outros seres mágicos.

E é para lá que Gilly é enviada após ser apanhada cometendo seu quarto furto em uma loja de acessórios. Inicialmente, ela segue como uma boa ladra que se preze e não concorda com a ideia, no entanto, a visão de Gilly não só sobre si mesma e suas atitudes, assim como com relação ao reformatório irão mudar quando ela fizer algumas descobertas junto de seus novos amigos. Aparentemente não só o RCF, mas como todo o reino correm um perigo real mesmo que ainda não tenham tomado conhecimento, e está nas mão desses heróis improváveis combater o mal.


MINHA OPINIÃO

Nesta história somos levados a um questionamento, que embora em minha opinião tenha sido tratado de forma superficial, que é de antigos vilões podem realmente ser “reformados” ou “convertidos” em heróis. A premissa do livro é sem dúvida bem interessante e acredito que sendo o primeiro livro da série tenha deixado um gancho para que algumas questões ainda possam ser trazidas e solucionadas ao longo dos próximos livros.

A leitura é bastante leve sendo infato-juvenil tradicional, possui 192 páginas, letras grandes e espaçamento confortável. A escrita da autora é bastante casual, o que faz com que o livro tenha uma leitura fluida e rápida. Ao contrário do que pode parecer inicialmente, não é por alguns pontos aos quais questiono que eu não tenha me envolvido com a leitura, ao contrário, somos colocados em algumas situações com as quais queremos saber o que virá a seguir.

Além disso, a autora consegue nos transportar ao reino mágico que criou junto com os personagens, sobretudo o mais interessante, através dos “Pergaminhos de Felizes Para Sempre” espalhados ao longo de todos os capítulos, remetendo a um aspecto de realeza e de um reino “antigo” como costuma ser comum em contos de fadas.

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Outro ponto ao qual tentei não me prender foi o fato de a autora ter mudado o nome de algumas princesas já conhecidas por suas histórias originais, como por exemplo: Aurora, nossa velha Bela Adormecida, que neste livro passa a chamar-se, Rose. No entanto, acredito que o foco da autora tenha sido realmente criar uma trama nova, abandonando um pouco os contos antigos, o que pode parecer um pouco irônico, já que na capa da obra existe um livro de título “Grimm’s fairy tales”.

A história em suma parece interessante, mas como mencionei a trama principal é tratada com muita superficialidade, não deixando muito o enredo principal se desenvolver. De resto, a narrativa é completamente voltada para um público mais jovem, o que pode incomodar um leitor mais adulto e que espera encontrar aqui um livro mais bem estruturado, apesar da temática.

“Um oferecimento da Rede Encantada – que surge magicamente nos pergaminhos ao redor de Encantadópolis, ao longo dos últimos dez anos!”

Acredito que além das ressalvas, exista algo que possa nos encantar verdadeiramente, como por exemplo a história de Gilly e sua família. Uma pequena criança que tem uma ideia de que a única forma de ajudar é roubar dos nobres que tanto tem. Esse questionamento pode ser trazido até mesmo para o nosso mundo. Tantos jovens aos quais julgamos e pré-julgamos, talvez tenham sido criados sob os mesmo pensamentos. Isso é algo que normalmente não queremos enxergar, ou ao menos, não queremos pensar, e existe forma melhor de refletir sobre isso do que por meio de um conto de fadas?

Além de Gilly, todos os outros personagens tem motivações para estarem no RCF, motivações que vocês terão que descobrir sem mim, pois faz parte da experiência de leitura do livro. Acredito que esta série tenha tudo para dar uma nova visão e criar novos contos de fadas, para uma geração que não nasce mais tão apegada aos velhos clássicos.

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ESCOLA DE VILÕES

Autor: Jen Calonita

Editora: Única

Ano de publicação: 2015

Será que um vilão pode se recuperar? Gilly não se considera exatamente uma garota má… Porém, quando se tem cinco irmãos e irmãs mais novos, é preciso ser criativo para ajudar nas despesas. Ela é uma ladra muito boa, e disso tem certeza e pode se gabar. Até ser pega. Depois de roubar uma presilha, é sentenciada a passar três meses no Reformatório de Contos de Fadas – no qual os professores são aqueles antigos vilões que já conhecemos, como o grande Lobo Mau e a malvada Madrasta da Cinderela. Quando, porém, ela faz amizade com alguns estudantes, como Jax e Kayla, aprende que esse reformatório vai muito além de sua missão heroica. Há uma batalha ganhando forma e Gilly precisa descobrir: os vilões podem realmente mudar? Descubra o Lado B dos contos de fadas.

É resenhista do Resenhando Sonhos.
Estudante de Direito, 20 anos, mineira, mora em Belo Horizonte e ama o universo literário.