Espada de Vidro – Victoria Aveyard

Espada de Vidro é o segundo livro da série A Rainha Vermelha, da autora Victoria Aveyard. O lançamento é de 2016 e saiu pela editora Seguinte.

Sobre o Livro

*Esta resenha contém spoilers do livro anterior

Mare e Cal conseguiram escapar, mas a jornada não vai melhorar. Maven começa a caçá-los no momento em que eles deixam a arena e, é somente a ajuda de Farley que faz com que eles tenham alguma chance de seguir em frente. Eles vão ser levados para um dos esconderijos da Guarda Escarlate e descobrirão que o que aparentava ser uma pequena rebelião na verdade é uma sociedade muito bem organizada, grande e financiada por várias pessoas com interesses diversos.

Porém, ao chegarem lá já enfrentarão outro problema. O capitão que comanda esse posto não gosta da ideia de ter um prateado e mostra um grande desprezo pelos Sanguenovos, aqueles que assim como Mare são vermelhos, mas com poderes prateados, chamando-os de aberrações.

“Sinto algo rasgando dentro de mim. É a barreira entre o humano e o animal, entre a razão e a loucura.”

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Porém, assim que conseguem se safar dessa situação, eles partem para o que realmente norteia a história desse livro. A caça de ambos os lados pelos Sanguenovos. Mare e Cal querem salvá-los e treiná-los, para que no momento certo eles ajudem a tirar Maven do poder. Este, por outro lado, quer matá-los ou capturá-los e usar suas mortes como uma forma de  atacar Mare em busca da sua submissão e o retorno.

Em um jogo de cão e gato, ambos vão sofrer perdas e conquistar algumas vitórias, enquanto vemos surgir uma gama imensa de Sanguenovos com poderes cada vez mais surpreendentes e poderosos.

Minha Opinião

Entrei nessa leitura esperando um livro fantástico, era isso o que a maioria das pessoas diziam e, como eu gostei de A Rainha Vermelha, não via como poderia não gostar de Espada de Vidro. O fantástico veio, mas no fim do livro levei um balde de água fria tão grande, que não sei qual foi a última vez que um livro de fantasia me irritou tanto com apenas 5 páginas. Mas vamos por partes.

Gostei muito do livro ser dividido em várias etapas e vários conflitos. Não há apenas um grande ato pra se esperar durante as quase 500 páginas, mas pequenos e grandes problemas que vão surgindo ao longo da trama e que vão traçando o caminho para que o leitor se mantenha tenso durante todo o livro e vá devorando ele rapidamente.

O crescimento da escrita de Victoria Aveyard também é notável. A trama desenvolvida aqui é bem mais complexa e densa do que vimos no primeiro livro, gerando aquele sorriso no rosto do leitor que gosta de ver a evolução. Há e não é pouca. O livro é cheio de ação, estratégias, decisões tomadas em cima da hora que mudam tudo e claro, aquele ditado que aprendemos no primeiro livro se forma aqui como algo muito verdadeiro: “todo mundo pode trair todo mundo”. Fique atento!

Os personagens também tiveram muitas modificações de personalidade. Cal está preso, acuado, mas também sabe que é poderoso e que pode usar isso quando for necessário. Ele compreende que precisa matar Maven, mas não sabe como alcançar esse objetivo ainda, então vai sendo levado com a maré e nas horas que precisa, toma decisões acertadas. É um personagem que pensa com a cabeça, não com o coração, por mais explosivo que às vezes ele se mostre.

“Se sou uma espada, sou uma espada de vidro, e já me sinto prestes a estilhaçar.”

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Já Mare é a que mais muda. Ter poderes e alcançar algumas vitórias põe ela em posição de crueldade e antipatia em alguns pontos do livro. Ela está mais sombria, mas isso não veio a toa. Ela perdeu muito, teve sua vida virada de cabeça pra baixo e está sendo vista como uma líder, mesmo que ainda não saiba como lidar com isso. Às vezes nos assustamos com seus pensamentos e no quanto de uma hora pra outra, quando a raiva a atinge, ela é capaz de mudar completamente de postura. Mas, apesar de tudo isso, no fim do livro é exatamente essa personagem que decepciona.

Ela passa a trama toda dizendo que não vai se render, que Maven pode fazer o que quiser que ela não será sua marionete. Ela vê pessoas morrerem por não dar o braço a torcer, e mesmo que isso a afete ela sabe que ele será ainda mais poderoso se puder usar ela, e isso a convence de que custe o que custar, ela vai seguir em frente e no momento oportuno, conseguirá matá-lo.

Eu, que fui uma das defensoras do primeiro livro, por ver muitas pessoas o desfazendo por incorporar algumas características de histórias que já vimos por ai antes, fiquei sem ter como argumentar quando o livro terminou. Como mencionei antes, em questão de 5 páginas, a protagonista perde completamente a personalidade que construiu e defendeu o livro todo e toma uma decisão, se colocando em uma posição que vi acontecer anteriormente, praticamente de forma igual, em a Trilogia Grisha, que pra mim é a que mais se assemelha à Rainha Vermelha. Achei a decisão é burra em vários aspectos e doeu ainda mais por saber que a autora é mulher e resolveu por a protagonista que vinha de forma bem sucedida construindo, despencando ladeira abaixo com uma centena de palavras.

Eu sei que provavelmente isso não vai incomodar quem não leu a Trilogia Grisha e que talvez nem vá fazer sentido, porém nesses livros há uma cena praticamente igual com a protagonista Alina Starkov e, como eu adoro a trilogia, foi realmente impossível desvincular naquele momento, pois eu discordava completamente do que estava acontecendo e ainda por cima estava tendo um déjà vu. Isso estraga o livro? Não, mas a gente poderia ter ficado sem essa.

No que diz respeito a história principal o livro se desenrolou bem, não focamos nunca no romance, apesar de ele dar as caras em alguns momentos, mas logo qualquer hipótese de triângulo amoroso é descartada e seguimos por um caminho onde qualquer movimentação nesse sentido é sutil. Achei o livro dinâmico e bem orquestrado enquanto a apresentar twists e surpresas ao leitor. Fico com o coração partido por ele não ter terminado exatamente da mesma forma, mas espero algo grandioso da sequência.

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O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou numa arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar.
Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de monstro que ela está tentando deter.

 

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.