#EspecialPoe – Berenice

Berenice é um dos contos escritos por Edgar Allan Poe e publicado em 1835 em um periódico da época. Assim que lançado, ele causou indignação aos leitores devido à violência retratada, o que fez com que mais tarde o autor publicasse uma versão censurada.

A história narra a vida de homem chamado Egeu, que está prestes a se casar com sua prima Berenice. Aparentemente, Egeu é um homem com uma personalidade peculiar que lhe faz cair em períodos de intenso foco ou fascinação por algo, especificamente fazendo com que ele se isole do mundo exterior. Enquanto ele se encontra em um desses períodos, sua amada Berenice começa a sofrer de uma doença que os médicos desconhecem e vai definhando pouco a pouco até que a única parte de seu corpo que se encontra em boas condições são os dentes. É através da obsessão de Egeu por coisas e pessoas, acontecimentos estranhos se desenvolvem após a morte de sua amada.

Neste conto podemos ressaltar uma das características mais marcantes de Poe. Apesar de não deixar de apresentar aspectos “sobrenaturais”, assim como na maioria de suas obras o sentimento que transparece é mais uma aflição do que o medo propriamente dito. É estranho dizer que por mais que os tempos tenham mudado, talvez nos sintamos, assim como os leitores da época em que o conto foi publicado inicialmente, senão chocados, incomodados por sua violência aparente, como uma forma de expressão de sentimentos e pelo psicológico sinistro de seus personagens.

“E que, assim como na ética o mal é uma consequência do bem, da mesma realidade, da alegria nasce a tristeza.”

Apesar de já ter lido outras obras do autor, esta me chocou de uma forma diferente, assim como acontece com cada vez em que leio um de seus contos. Acredito que eu possa dizer que o que mais me surpreende é o fato de que os personagens de Poe são sempre humanos em sua forma mais sombria, e transparecem suas agonias e pensamentos cruéis de forma tão clara que causam ao mesmo tempo medo e angústia.

Se você já leu o conto, conta o que você achou aqui embaixo nos comentários ;)

 

É resenhista do Resenhando Sonhos. Estudante de Direito, 20 anos, mineira, mora em Belo Horizonte e ama o universo literário.
  • Camila Rezende

    Olá Ana Luiza,
    Só li um conto do autor por indicação aqui do grupo, vou colocar esse na lista para ler depois.
    Pelo que deu pra notar na sua resenha é que não imporá o ano em que agente lê esse conto, ele ainda fará o leitor ficar um pouco incomodado pelo que acontece na estória.

  • Nathi

    Ainda não tive a oportunidade de ler esse conto, mas achei super intrigante a história. Confesso que o medo nunca foi algo sentido por mim ao ler algo do Poe, sinto mais aflição e perturbação do que qualquer coisa, como você bem disse ao resenhar esse conto. Ótimo texto!

  • Thais M. Costa

    Esse conto me parece pesado, nao li tbm mas vou procurar saber mais a respeito. Otima resenha

  • Natália Costa

    Ainda não li este, e sou tão apaixonada pelo Poe que já quero ler logo! hahahaha
    Todos são instigantes e marcantes!

  • Karina Rocha

    Os contos dele me fazem lembrar dos filmes de terror/suspense. Quero ler esse conto com sua versão completa,apesar de ter sido censurado devido a violência, fiquei curiosa do porque dessa censura, quero ter minhas próprias impressões.

  • Kristine Albuquerque

    Acredito que personagens humanos, quando retratados em seu aspecto mais sombrio, são os que mais nos assustam, não por medo, mas por ver o que tentamos esconder de nós mesmos sobre a natureza humana. Ótima resenha :)

  • Gabriela Souza

    Oi! Pode parecer estranho, mas eu iria preferir ler a versão não censurada do conto. Nunca tinha parado pra pensar e perceber que, realmente, todos os personagens do Poe estão na sua “forma mais sombria”. Admito que gosto disso por um lado, já que amo livros/contos sobre esse gênero, e gosto de pensar em até que certo ponto o ser humano pode chegar. Beijos