Estamos Bem – Nina Lacour

Estamos Bem é um stand alone da autora Nina LaCour, lançamento de 2017 pela Plataforma 21.

Sobre o Livro

Marin encara o recesso de fim de ano com a certeza de quem ficar sozinha nos dormitórios da faculdade é a melhor coisa que ela pode fazer. Quando sua colega de quarto Hanna vai embora, ela começa os preparativos para 3 dias que virão à frente. Três dias para ela lidar com o passado e poder seguir com sua vida.

Sua melhor amiga (ou ex-melhor amiga?) Mabel está vindo de Los Angeles passar um tempo com ela, antes de voltar para a cidade das duas para o Natal. Porém, desde que Marin deu as costas a todos quatro meses atrás, o contato entre as duas também cessou, deixando muitas coisas não ditas.

“O problema da negação é que, quando a verdade chega, você não está pronta.”

A questão é Marin sabe que está sozinha. Ela não tem mais ninguém no mundo. E a dor que esse encontro pode causar vai além das lembranças do que sua vida era, mas também das muitas coisas não resolvidas que existe na relação das duas. Agora, sem ter como se esconder e contando as horas para esses três dias chegarem ao fim, a jovem vai ter que descobrir se a solidão é algo de que ela precisa para se curar, ou se esconder.


Minha Opinião

Eu não estava pretendendo ler esse livro, mas foi um daqueles momentos onde eu acordei, olhei pra ele e pensei que era o momento certo para conhecer essa história. O que eu já sabia sobre ele era que deveria esperar uma história sensível que envolveria um possível relacionamento entre duas garotas, o que pra mim de certa forma é uma novidade, já que das minhas experiências com literatura LGBT, o casal sempre era masculino.

A surpresa porém, é que isso não é nem sequer a ponta do iceberg, e sim uma lasquinha dele. A trama de Nina LaCour construída aqui, não vive apenas para trabalhar esse tema, mas sim para expressar o tamanho de uma dor que parece não ter fim e que vai sendo engolida e mascarada até que a pessoa em questão ache que não há mais com o que lidar, já que escondeu tudo dentro de si.

A jornada de Marin aqui é aos poucos compreender o que aconteceu e o que as consequências disso representam na sua vida. E junto com ela caminhamos ao longo das páginas desvendando o que é tudo isso que a assombra. Sabemos que ela está sozinha. Sabemos que ela perdeu a mãe muito cedo e morava com o avô. Sabemos que se ela está sozinha esse avô não existe mais, e também sabemos que há algo que mudou na sua relação com Mabel.

Mas cada fragmento dessa história é nos dados no momento em que a protagonista resolve lidar com ele, pouco a pouco, traçando um quebra-cabeças que remontam a vida da qual Marin tanto se afastou. E, mesmo que ela pareça forte, é triste ver o quanto aquilo a consumiu a ponto de ela nem mesmo se reconhecer e poder afirmar com certeza que aquela pessoa não é mais ela e que esses últimos quatro meses foram o suficiente para que tudo mudasse em si, para algo mais solitário e recluso.

“Eu tinha afastado a dor. E a encontrara nos livros. Chorava pela ficção em vez de chorar pela verdade. A verdade era irrestrita, sem enfeites. Não havia linguagem poética nela, nem borboletas amarelas, nem inundações épicas. Não havia uma cidade presa embaixo d’água nem gerações de homens com o mesmo nome, destinados a repetir os mesmos erros. A verdade era ampla o bastante para se afogar nela.”

O que LaCour consegue passar claramente ao leitor, através do nosso coração que palpita com tristeza, é a imensa solidão que mora com aquela menina. O anseio interno dela de acreditar que está tudo bem quando claramente não está. O desejo de crer que o que ela precisa é estar sozinha, porque não vê ninguém ao seu redor para a socorrer, deixando assim um vazio que a consome, porque fica oculto até estar grande demais para ser ignorado.

Não dá nem pra dizer que isso se esconde nas profundezas da história pra trazer por sutileza, porque essa solidão atua quase como protagonista junto com Marin, lembrando a todo o momento que há algo errado. E, mesmo assim, não é como se a personagem estivesse em total depressão ou em negação. Parece mais uma constatação, uma situação que existe e ponto. Ela está lidando com aquilo (mesmo que não) porque não vê outra forma.

Mas, apesar de parecer pesado, é na verdade uma história bem rápida de ser lida e ansiamos por desvendar tudo o que há para ser descoberto. E queremos tanto que tudo dê certo que nos tornamos os maiores torcedores da protagonista. Acredito que o livro tem exatamente o tom certo para a história que se propôs contar e conseguiu trazer vários conflitos sem fazer um mix ruim, ou tirar a atenção de algo mais sério.

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ESTAMOS BEM

Autor: Nina LaCour

Editora: Plataforma 21

Ano de publicação: 2017

Marin deixou tudo para trás. A casa de seu avô, o sol da Califórnia, o corpo de Mabel e o último verão agora são fantasmas que ela não quer revisitar. O retrato de uma história em que já não se reconhece mais. Ninguém nunca soube o motivo de sua partida. Nada se sabe sobre a verdade devastadora que destruiu sua vida. Agora, ela vive em um alojamento vazio e está sozinha no inverno de Nova York. Marin está à espera da visita de sua melhor amiga e do inevitável confronto com o passado. As palavras que nunca foram ditas finalmente se farão presentes para tirá-la das profundezas de sua solidão.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos. Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo. Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Pamela Liu

    Oi Tamirez.
    O único livro LGBT que li foi Todo Dia.
    Marin parece uma personagem bem palpável, alguém comum, que têm suas tristezas e solidão presentes na sua vida. Já quero acompanhar a sua jornada e estar lá com ela para ela não se sentir tão
    Acho que vou gostar muito desse livro. Ele parece passar uma emoção singela que fará com que a gente reflita mais tarde sobre alguns aspectos da nossa vida.
    E que capa mais linda é essa?
    Bjs

  • Carolina Santos

    Já tinha te chamado esse livro na minha lista de leitura hoje desculpe mas acabei deixando ela passar vou tentar colocar essa leitura em dia mas não prometo nada

  • Lili Aragão

    É realmente mais difícil vermos um relacionamento entre mulheres representando relacionamentos homo nos livros e isso já é um diferencial e acho bacana quando o autor faz o leitor torcer pelo protagonista e envolvê-lo completamente na história, que tem um tom melancólico. Não sei se seria uma dica pra ler por agora, mas anotei pra pensar nela futuramente ;)

  • Daiane Araújo

    Realmente, acho que a autora não quis focar no romance entre as personagens e, sim, na solidão e luto vivida pela Marin. Ou até mesmo focar na depressão, pois a depressão e a solidão andam lado a lado…

  • Júlia Assis

    Estou extremamente ansiosa para ler esse livro, quase comprei ele na black fraude mas quando fui comprar ele tinha esgotado. Uma das coisas que me chamou a atenção foi esse romance, apesar de me falarem que ele não é o foco da narrativa. Lendo sua resenha percebi que sou bem parecida com a personagem, sempre me sinto sozinha, mesmo estando cercada de pessoas. Adorei a resenha tami, e só aumentou ainda mais a minha vontade de ler esse livro :)

  • rudynalvacorreiasoares

    Oi Tamirez!
    Não conhecia o livro e bom ver a temática LGBT.
    Muitos questionamentos que só serão desvendados quase no final do livro, deve dar um ar de certo mistério.
    Solidão é muito sério e quando se guarda dentro de si, é difícil de digerir. Realmente mexe com o psicológico e pode causar outros sintomas.
    Sabe que também gosto de ter meu tempo para as coisas? Mas não acho que sou solitária, nem sinto solidão, acho que é mais opção de fazer as coisas sozinha e curtir isso, sabe?
    Deve ser angustiante mesmo o que a protagonista passa.
    Vou ver se consigo ler.
    Valeu a indicação.
    cheirinhos
    Rudy

  • anne

    Parece ser um livro tenso, com muitos segredos e coisas não ditas, daqueles que dão um nó na garganta quando lemos. Fiquei triste por Marin estar tão sozinha :/

  • verônica medeiros horn

    Ainda não li nenhum livro LGBT, mas tenho muita curiosidade em ler, este livro me pareceu ser uma história de auto conhecimento e reflexões, a acho que é sempre bom passarmos algum tempo sozinhos par por a cabeça no lugar, a solidão pode ser uma aliada e não uma inimiga, espero que isto seja bem tratado no livro.

  • Joyce

    Fiquei encantada com sua resenha e agora estou louca para ler esse livro Tamirez.
    A capa dele também é muito linda com essa menina de costas.
    Já estou acompanhando o preço do ebook dele na Amazon.