A Estrela da Meia-Noite – Marie Lu

A Estrela da Meia-Noite é o terceiro e último livro da série Jovens de Elite, da autora Marie Lu. O livro é lançamento de 2017 da editora Rocco.

*Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Sobre o Livro

Adelina Amouteru agora é rainha e marcha com seu exército em busca de novas conquistas. Porém, escondido atrás do aumento do território, está seu verdadeiro motivo: encontrar Violetta. Desde que se confrontou com a irmã e ela fugiu, a Loba Branca tem sido ainda mais perturbada pelas vozes em sua cabeça e pelo que descobriu.

“Ela era a personificação da frieza. Houve uma época em que a escuridão cobriu o mundo, e a escuridão tinha uma rainha.”

Aparentemente os Jovens de Elite estão morrendo. O poder que lhes deu triunfo começou a avançar contra o corpo frágil que o comporta e Rafaelle tenta a todo custo achar algo que possa ser feito para impedir isso. Entretanto, o que pode oferecer uma solução também impõe quase uma missão suicida. Reunir Rosas e Punhais em um único objetivo pode ser mortal, mas também sua última chance.


Minha Opinião

Chegar ao fim de uma série é sempre algo que mexe comigo. Pode ter a ver com alívio, tristeza, felicidade. Porém, se é uma em que eu me apeguei, o que mais sinto junto com a ansiedade de saber o desfecho é medo. Jovens de Elite me reatou com Marie Lu, me apresentou um mundo instigante e uma personagem diferente. Ela não é a jovem bondosa e em apuros. Ela também não é a corajosa que vai salvar o mundo. Adelina é sombria, moldada pra ser uma vilã, cheia de problemas e fantasmas.

Sociedade da Rosa teve um desenvolvimento ok, mas não chegou a surpreender, fazendo com que minha expectativa para A Estrela da Meia-Noite baixasse um pouco. O que encontrei nesse volume foi um mix de várias coisas, e enquanto adorei o porquê do livro ter o nome que tem e do toque final da trama, enfrentei o resto da narrativa e das justificativas com muita estranheza.

Me pareceu um pouco “too much” o caminho que a autora escolheu para justificar toda a febre do sangue e porque tudo estava vindo abaixo agora. Essa foi uma história onde eu nunca me questionei o que tinha causado o “efeito jovens de elite”. Eu estava satisfeita em saber que algo biológico ou mágico havia transformado esse mundo e a vida das pessoas. Não achei que iria receber uma explicação pra isso e, quando vi a mirabolância que estava se formando para explicar, não enxerguei a necessidade e nem o alinhamento concreto pra sustentar tal coisa.

Com 250 páginas não me pareceu sólido tentar construir as várias camadas que eram necessárias. Precisávamos ter visto mais sinais ao longo dos outros livros também. E é claro que os trechos pré capítulo ajudam ou dão até certa indicação, mas mesmo assim não foi algo que funcionou muito bem comigo.

Em se tratando de narração, temos o ponto de vista de Adelina, Rafaelle e outros dois personagens em momentos chave da história. O livro é muito rápido de ler e os capítulos são curtos, o que deixa tudo muito dinâmico. Por causa da pouca quantidade de páginas quase não existe “rodeio”, o que pode ser bom em alguns casos e um problema em outros.

“Aonde quer que fossem, o céu escurecia e o chão rachava – as nuvens se agrupavam atrás do exército como uma criatura viva, preta e trovejando com fúria. Como se a própria Deusa da Morte tivesse vindo.”

Adelina foi sendo construída para ser vista como uma personagem má. Porém, mesmo que sejamos empurrados a crer nela como uma vilã, estar em sua companhia também afasta isso. A maldade que sempre a cercou, e as inclinações de sua ascensão a jovem de elite moldaram-a em algo que parece não ter um ponto de retorno. Porém, enquanto tenta se manter afastada das vozes que a cercam, não vi um enorme progresso de Sociedade da Rosa para esse livro. Com eles definhando, imaginei que ela estaria muito mais descontrolada aqui.

E é claro que é impossível negar que ela também não está fazendo nada de bom. A personagem inverte a lógica social, elevando os malfettos ao comando e os “normais” a sofrerem com a pouca comida, a degradação social e o que for necessário para dar o troco. Ainda sabendo que sua postura era errada, não consegui detestar a personagem ou torcer para que algo ruim lhe acontecesse.

Uma das coisas que não gosto sobre esse livro foi o fato de Magiano ter sido posto na condição de praticamente um acompanhante, perdendo o brilho que foi lhe dado no livro anterior. Esse é um personagem que ao meu ver merecia mais destaque e quem sabe uma história sob o seu ponto de vista, de um antes ou depois. Também teremos os outros Punhais, Maeve, Violetta e algumas outras peças que aos poucos vão se encaixando na narrativa dentro da proposta que a autora quis trabalhar.

“Há veneno penetrando no mundo. Em algum lugar, há uma fenda, uma ruptura na ordem das coisas.”

E, como disse pra vocês, é o significado do nome que realmente arrebatou meu coração e fez com que eu não terminasse essa trilogia frustrada. É uma daquelas coisas que veio pra aliviar um pouco do descontentamento que eu vinha aos poucos sentindo enquanto fazia a leitura. Não anula, mas certamente contribui para que a experiência tenha sido positiva.

Sendo uma história no tom que se construiu, não venha esperando um final de contos de fadas. O que virá aqui é bem agridoce. E acho que a personagem da qual menos gosto é Violetta, juntando todo o papel que ela tem nos três livros. Ela é a legitima personagem que foi pintada para ser a boa moça, mas faz tanta coisa que desencarreira cenários péssimos que a santidade não se aplica por aqui.

Independente de qualquer coisa, ler essa trilogia foi uma experiência muito especial e não me arrependo. Eu não gosto da trilogia Legend, então Jovens de Elite foi a minha forma de reconciliação com a Marie Lu e quero muito ler seu livro novo, Warcross. Adelina também adquiriu um lugar especial no meu coração como uma personagem diferente, moldada a ser mais do que apenas uma heroína ou bondosa. Bons vilões estão em falta e quero muito ler mais tramas que explorem personagens mais humanos e não apenas pessoas unilaterais feitas para serem combatidas e odiadas.

Se você chegou até aqui, é claro que deve ler o livro e terminar essa trilogia. E, caso ainda não tenha começado, acho que vale a pena sim adentrar esse mundo. Ele vai deixar saudades e mesmo com muita coisa mudando, é um lugar onde eu gostaria de voltar a dar uma espiada.

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A ESTRELA DA MEIA-NOITE

Autor: Marie Lu

Editora: Rocco

Ano de publicação: 2017

Adelina Amouteru sobreviveu à febre do sangue, fez uso de seus dons, formou seu próprio exército, vingou-se de seus traidores e conquistou a vitória. Mas seu reinado triunfante está ameaçado, e o inimigo não vem de fora; a sede de vingança da jovem levou seu lado cruel e sombrio a sair do controle, e ela terá que curar antigas feridas se quiser manter tudo o que conquistou. No desfecho da eletrizante trilogia Jovens de Elite, Marie Lu coloca sua protagonista diante de uma nova ameaça que a levará a revisitar fatos dolorosos do seu passado e a fazer uma aliança arriscada e difícil. Será que Adelina está preparada para se transformar na estrela da meia-noite e, finalmente, conhecer a paz?

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos. Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo. Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Natália Costa

    Nunca li nenhum livro da série, então evitei levar spoilers. Mas a capa é linda e queria saber se vale a pena iniciar a série! Bjoss

  • rudynalvacorreiasoares

    Oi Tamirez!
    Já estava com saudades…
    Não li nenhum dos livros da série ainda.
    Bem, mesmo que a sociedade não aceite o que é feito por Adelina e que ela não é tão boa quanto se imagina, tem a perda da irmã que ela não sabe onde anda e deve mexer com ela.
    Gosto desse lance de poderes.
    Entendo que a explicação seja um pouco mirabolante e não dá para engolir, mas acredito que aí está a mudança total do enredo e a lógica anterior, é um tanto desafiante, não?
    “É prova de inteligência saber ocultar a nossa inteligência.” (François La Rochefoucauld)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

  • Carolina Santos

    Eu tinha adorado A Sociedade da Rosa, achei que nada superaria e eu comecei A Estrela da Meia Noite sem saber o que esperar, claro que não duvidava da capacidade dela de dar um final digno a essa trilogia, mas não tinha a menor noção doa rumos que a história tomaria.