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Exorcismo – Thomas B. Allen

Exorcismo é um relato de Thomas B. Allen sobre o caso “real” que inspirou William Peter Blatty a escrever o best-seller O Exorcista, que também virou um sucesso com a adaptação cinematográfica. O lançamento é de 2016 pela Darkside Books.

Sobre o Livro

Em 1971, William Peter Blatty lançou O Exorcista e viu seu romance se tornar um grande sucesso, ganhando um filme logo na sequência. O livro que seria baseado em uma situação real conta a história de uma menina que foi possuída e depois exorcizada por um padre católico. Duas décadas depois Thomas B. Allen lança Exorcismo, a história real que inspirou a obra de Blatty, levando em consideração os diários a pouco tempo descobertos, e que retratam mais detalhadamente a jornada do membro da igreja responsável pelo ritual.

“Um exorcista tem que tocar o mal, respira-lo, se concentrar nele. Um padre se vê como um ser vivo trabalhando ao lado de Deus. Para agir contra o diabo, um exorcista penetra nas sombras profundas e tateantes do mal. Quando ele aparece, os demônios focam o mal nele.”

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Segundo o que é contado por Allen, em 1949 um menino de 13/14 anos, Robert Mannhein (nome fictício), começou a apresentar um comportamento estranho, tendo traços de sua personalidade mudados drasticamente, além de eventos inexplicáveis acontecendo na casa da família. Objetos desapareciam e se moviam, luzes piscavam e o menino apresentava lesões no corpo, além de atitudes estranhas sempre que era posto para dormir. Tudo isso começa a se manifestar algum tempo depois da morte da tia de Robert, que gostava de brincar com tabuas ouija e ensinava o garoto.  A família, que era dividida entre luteranos e católicos procura primeiro um cuidado médico e não encontra explicações plausíveis para o que está acontecendo, buscando então no âmbito religioso ajuda para combater o mal que caiu sobre a família.

É quando eles vão para outra cidade, algumas semanas depois a pedido do garoto, para ficar na casa de outra tia, que ele entrará em contato pela primeira vez com o padre Baudern, e um estudo mais aprofundado e religioso sobre o que está acontecendo começa. Se atentando para os “sintomas” do que seria uma possessão, o padre acaba por acreditar realmente que há algo de errado com o menino e pede autorização para realizar um exorcismo. É ai que começa a rotina em que, noite após noite, Baudern visita a casa da família para realizar a cerimônia.

ORDEM CRONOLÓGICA DOS FATOS

  • 1949 – O padre William S. Baudern realiza exorcismo em um garoto
  • 1968 – William Peter Blatty escreve ao padre pedindo informações sobre o que aconteceu, mas recebe negativa em resposta. Os diários ainda era privados e o padre não tinha permissão da igreja para falar sobre o assunto.
  • 1971- Blatty lança O Exorcista, uma novelização da história vivida em 1949, baseada nos poucos relatos que conseguiu e nas notícias que saíram na imprensa.
  • 1973 – O filme O Exorcista é lançado e bomba nos cinemas
  • 1993 – Thomas B. Allen lança Exorcismo, contando a história real por trás do que aconteceu, incluindo o diário do padre na íntegra.

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Minha Opinião

A primeira coisa que se pensa a olhar pra um livro desses, seja pela capa, edição ou título é que será uma história que causará medo. Mas não se engane, o tom que autor usa para conduzir a narrativa é quase jornalístico, como se estivéssemos lendo um documentário. Somente as primeiras cenas causam algum desconforto no leitor e mesmo assim não servem para o livro ser considerado amedrontador. Portanto, se você não gosta de livros de terror porque sente medo, acho que Exorcismo pode ser uma boa pedida pra você começar a tentar driblar essa situação.

Tirando isso da frente, acho que o tópico seguinte é a credulidade do relato. Pra mim algumas coisas soaram bastante falsas e isso não ajudou com que eu tomasse isso como uma história real. O primeiro fator é que o menino passa uns quatro meses possuído e, só manifesta os problemas a noite, sendo de dia um menino completamente normal e os pais o tratando como se nada estivesse acontecendo.

É difícil questionar esse tipo de coisa, assim como as muitas decisões estranhas que a família toma (como se mudar de cidade porque a entidade pediu), porque são tempos diferentes. Estamos falando dos anos 40 e de um enorme conflito religioso, já que temos uma família dividida entre as próprias crenças.

“A família de protestantes e católicos se reuniu para decidir o que fazer em seguida. Entre os parentes havia também aqueles que seguiam o espiritualismo de tia Harriet e aqueles que acreditavam em parapsicologia. Eles insistiam que outras alternativas além do exorcismo fossem experimentadas.”

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Mesmo assim, todo o contexto de demora, dos múltiplos exorcismos até a história se resolver, da forma como a família trata aquilo de forma corriqueira e até da falta de “personalidade” desse demônio, não me convenceu. Mas, somado a isso temos o fator de repetição. A história se repete em idas e vindas e explicações complementares. Tudo podendo ser evitado, por exemplo, se você ler diretamente o diário na íntegra contido no fim do livro.

Parece que o autor precisava encher páginas para ter um livro e acabou colocando coisas desnecessárias e tendo situações muito repetitivas, o que cansa e entedia o leitor. Pra mim, algo que solucionaria isso seria o livro ser apresentando como um diário comentado, ao invés de termos Allen reescrevendo tudo o que já é mostrado no diário. Podíamos ter o diário e na sequencia as anotações ou conclusões do autor sobre o que tinha sido contado ali, com complementos exploratórios aos textos mais diretos do padre.

É claro que não teríamos o antes e talvez o começo da história, mas nada que não pudesse ser resolvido com um prefácio ou uma pequena introdução.

“Um jornal noticiou que quando o garoto esteve na cidade não identificada do Meio-Oeste, três exorcismos foram realizados, um por um pastor luterano, outro por um padre episcopal e um terceiro por um padre católico romando. (Não há registros de um exorcismo episcopal e não existe ritual luterano de exorcismo.)”

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Exorcismo foi a leitura do mês de junho do Vórtice Fantástico POA e posso dizer que rendeu várias discussões. As vertentes religiosas, a forma como os médicos e psicólogos lidaram com a situação, a postura da família, dos padres e, claro, dos padres que se envolveram no processo.

Não há bem como comparar as duas obras. Allen escreve um relato documental com o anexo de informações, enquanto Blatty transformou os fragmentos de sua investigação em um romance, trocando inclusive o sexo do personagem principal para causar mais empatia com o público. Como eu ainda não li O Exorcista, não posso traçar muito mais paralelos aqui, mas pelo filme dá pra notar que “a possuída” do livro e filme sofreu muito mais do que o garoto em termos de mudanças corporais ou até mesmo de personalidade. Acho que a forma como o livro é escrito, mais seu conteúdo em geral, não colaborou para que eu tivesse uma experiência plena e satisfatória.

É inegável dizer, porém, que a edição desse livro não está muito bonita. Há todo um cuidado com todos os detalhes, como já é um padrão da editora Darkside. A tábua ouija que está na folha de guarda tem tudo a ver com a história e ajuda a dar aquele toque mais sombrio pro livro. E, quem compra o livro lacrado ainda leva o marcador em forma de ponteiro, para poder ter suas próprias experiências de conversa com o outro lado (se assim desejar).

O livro é sim interessante e cheio de referências e novas informações sobre como o ritual funciona ou como a igreja se posicionava na época, mas peca em ser repetitivo e seco demais, não aproximando o leitor da trama e, portanto, não causando o devido amedrontamento que deveria vir junto com a história. Me parece que acreditamos em coisas que nos causam pavor ou medo, e isso tira nosso foco do que é crível ou palpável, deixando o leitor e até o espectador mais imerso, evitando tanto questionamento. Acho que é certo dizer que o medo serve como uma fator de credibilidade, mas infelizmente ele não está presente aqui. Mesmo assim, para quem é fã de terror ou curte estudar e saber mais sobre esses rituais ou questões de possessão, que são sempre assuntos delicados,devido a falta de registros reais sobre os acontecimentos, vai encontrar em Exorcismo um acréscimo valioso à sua estante.

EXORCISMO

Autor: Thomas B. Aleen

Editora: Darkside

Ano de publicação: 2016

A história real aconteceu em 1949, e você pode conhecê-la — se tiver coragem! — no livro EXORCISMO, do jornalista Thomas B. Allen, lançamento da DarkSide Books em 2016. Exorcismo narra em detalhes os fatos que aconteceram com Robert Mannheim, um jovem norte-americano de 14 anos que gostava de brincar com sua tábua ouija, presente que ganhou de uma tia que achava ser possível se comunicar com os mortos.
Thomas B. Allen contou com uma santa contribuição para a pesquisa do seu trabalho. Ele teve acesso ao diário de um padre jesuíta que auxiliou o exorcista Bowdern. Como resultado, seu livro é considerado o mais completo relato de um exorcismo pela Igreja Católica desde a Idade Média. Os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren definiram a obra de Thomas B. Allen como “um documento fascinante e imparcial sobre a lluta diária entre o bem e o mal”.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.