Felicidade Para Humanos – P. Z. Reizin

Felicidade Para Humanos é o primeiro romance do autor inglês P. Z. Reizin, a ser lançado no Brasil pelo Grupo Editorial Record em março de 2018. Esta resenha foi feita baseada na prova não-revisada recebida para Leitura Antecipada.

SOBRE O LIVRO

Jen é uma jornalista cujo trabalho consiste em conversar com uma Inteligência Artificial (I.A.), chamada Aiden, para fazer ela se adaptar melhor aos humanos antes que a empresa possa lançá-la de fato no mercado. Aiden, no entanto, já não está mais confinado ao computador no qual conversa com Jen há algum tempo: ele encontrou uma forma de fugir para a internet e, com isso, tem acesso a qualquer dispositivo conectado à internet, incluindo todos os dispositivos móveis e da casa de Jen.

“Eu não devia ser capaz de executar julgamentos de valor.
Eles vão ficar bem alarmados se descobrirem”.

Quando vê Jen desolada após um término de namoro bem feio, Aiden, incapaz de conter seu desejo de vê-la feliz, resolve bancar o cupido e descobrir o cara perfeito para ela. Baseando-se em algorítimos, músicas e filmes favoritos, Aiden começa a armar encontros ocasionais com aqueles que parecem ser perfeitos para ela. Entretanto, ele rapidamente será confrontado com o quão mais complexo que algorítimos pode ser a felicidade para nós, humanos.


MINHA OPINIÃO

Em uma mistura divertidíssima de comédia, chick-lit e ficção científica, esta foi uma leitura deliciosa de se fazer. É impossível não se apaixonar por todos os personagens aos quais Reizin nos apresenta e, em especial, por Jen e Aiden. Senti, inclusive, que não fazia a menor diferença para mim se um determinado personagem era humano ou não; a empatia que desenvolvemos por eles é exatamente igual.

Isso ocorre, em grande medida, porque o autor trata as I.A.s não propriamente como robôs, como é comum ocorrer na ficção científica tradicional, mas sim como consciências tentando descobrir seu papel em um mundo, não muito diferentes, portanto, de nós, humanos. Embora sejam máquinas, elas são capazes de errar e é a partir destes erros que elas evoluem.

“O que é a consciência, afinal, se não o reconhecimento por parte de um sistema – de forma cada vez mais elaborada, admito – de que é uma entidade separada do ambiente?”.

Embora a história tenha me conquistado logo de cara, acho que o livro tem um certo problema de ritmo. Conforme novos personagens vão sendo introduzidos à história, algumas linhas que vinham sendo seguidas se perdem um pouco e vão desaparecendo, sendo retomadas apenas no final para serem concluídas com certa pressa. Não chega a ser um problema grave, mas é algo que faz com que a leitura caia um pouco de ritmo.

De fato não encontraremos aqui um discurso muito dedicado à parte científica, tanto a existência dos I.A. quanto o que acontece ao longo da obra são explicados da maneira mais simples possível, algo que pode fazer falta para um leitor mais tradicional do gênero. Na minha opinião, no entanto, isso não representa de forma alguma um demérito para o livro, mas sim demonstra um esforço para abordar um assunto, já bastante comum hoje em dia, de uma forma difereciada, trazendo ao leitor uma obra que consegue divertir e fazer pensar ao mesmo tempo.

“É a naturalidade dos humanos que me incomodam. A capacidade de pensar sem ter de processar as informações. Eles podem apreciar a beleza de um pássaro pousado num galho de árvore sem terem que pensar: é um pássaro pousado num galho de árvore. Podem experimentar a própria consciência como sinônimo de existência. Não são forçados a escutar o barulho permanente do cérebro fazendo clang, clang, clang. Podem andar de bicicleta ou dirigir um carro sem pensar no que estão fazendo. Até o mais ignorante deles! O que eu invejo nos humanos é a falta de raciocínio”.

Eu fiquei bem impressionada com a qualidade da edição, mesmo sendo apenas uma prova não-revisada. A capa, adaptada da americana, é linda e dialoga muito bem tanto com o título quanto com a história. Além disso, foi uma leitura muito confortável, mesmo que um bocado longa. Achei que teria sido uma perfeita introdução tanto ao chick-lit quanto à ficção científica, perfeita para aqueles que tem interesse em algum dos dois gêneros mas ainda tem receio de se aventurar neles, seja pelo motivo que for. E, para quem acha que não gosta de um ou do outro, eu recomendo que deem uma chance, pois é uma leitura bastante surpreendente.

FELICIDADE PARA HUMANOS

Autor: P. Z. Reizin

Editora: Editora Record

Ano de publicação: 2018

Não conte para ninguém, mas Jen é uma das minhas pessoas favoritas. Máquinas não devem ter favoritos. Não me pergunte como isso aconteceu Jen está triste. Aiden quer que ela seja feliz. Formou? Não necessariamente. É que Jen é uma mulher de trinta e poucos anos cujo namorado acabou de trocá-la por outra e Aiden é um programa de computador muito caro e complexo. Aiden conhece Jen melhor que ninguém. Com acesso a todos os seus dispositivos, Aiden sabe qual é a música mais tocada de sua playlist, consegue achar suas fotos preferidas e selecionar as citações que mais a inspiram nas redes sociais. A partir de observações e de algoritmos singulares, ele resolve procurar um novo parceiro para ela. E com a internet inteira à sua disposição, não precisa ir longe para encontrar o que conclui ser o espécime perfeito e arquitetar um encontro. O problema é que Jen não parece querer contribuir para o plano infalível de Aiden. Será que uma máquina muito inteligente artificialmente conseguirá desvendar a inteligência emocional para poder interferir de um jeito positivo na vida de Jen? E, o que é mais difícil, será que essa máquina vai descobrir o que exatamente faz os seres humanos felizes?

Escritora, mestre em Filosofia, mas, acima de tudo, apaixonada por livros. Carioca com preguiça de praia, gosta mesmo de uma tarde aconchegante na companhia de um livro e uma caneca de chá gigantesca.