Garota Desaparecida – Sophie McKenzie

Garota Desaparecida é o primeiro livro de uma série de suspense da autora britânica Shopie McKenzie. É lançamento de 2016 pela editora Verus.

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SOBRE O LIVRO

Quem sou eu? Essa é a pergunta que dava início ao trabalho que Lauren Matthews precisava escrever. Vivendo em Londres, com 14 anos e desde muito jovem tendo a consciência de que era adotada, ela se via em uma complicada tarefa: dizer quem ela era. Mas Lauren não sabia por onde começar, pois nem mesmo sabia coisas sobre o seu passado. E quando encontra em um site de crianças desaparecidas a notícia de uma garotinha que tem características físicas parecidas com as suas, e ainda, sumiu praticamente no mesmo mês em que ela foi adotada, Lauren fica em choque e começa a suspeitar que seus pais a tenham roubado de sua verdadeira família.

Tentando descobrir a verdade, Lauren pergunta detalhes de sua adoção para os pais, mas isso só gera desentendimento entre a família e aumenta ainda mais as suspeitas dela. Porque seus pais se negariam a lhe contar sobre o passado? Será que eles a tinham mesmo roubado de outra família? Conversando com o seu melhor amigo, Jam, Lauren decide vasculhar nas coisas pessoais da mãe para encontrar alguma informação.

Após alguns dias de busca, Lauren encontra nos pertences da mãe documentos sobre a sua adoção e para seu espanto, ela foi adotada nos Estados Unidos, exatamente onde a garotinha do site havia desaparecido. Diante da possível verdade, Lauren acredita que a única forma forma de descobrir a verdade é ir para o outro lado do Atlântico e procurar pela família da garota desaparecida, para descobrir se seria ou não a sua família verdadeira. E para por em prática o seu plano, Lauren contará com a ajuda de seu amigo Jam. Juntos, eles conseguem convencer a família a ir passar férias em Boston. Seria o plano perfeito e ela poderia enfim descobrir quem ela era.

“Antes, eu queria saber sobre o meu passado. Agora, eu realmente precisava saber”

Ao chegar nos Estados Unidos e enganar sua mãe dizendo que iriam dar uma volta pelos arredores, Lauren e Jam fogem para Vermount, onde se encontra a primeira pista de seu passado: a agência onde foi adotada. Porém, eles não faziam ideia de que a verdade por trás de sua adoção eram mais sombria do que imaginavam e que as pessoas envolvidas fariam de tudo para mantê-la oculta. Sozinhos e com pouco dinheiro, eles precisam confiar apenas um no outro se quiserem continuar vivos e, principalmente, se quiserem relevar todos os segredos do passado de Lauren.


MINHA OPINIÃO

Apesar de eu ler suspenses policiais e similares com frequência, é a primeira vez que que leio um livro com assunto um tanto quanto delicado: sequestro de crianças. Com uma pesquisa rápida que fiz no Google, encontrei um site que diz que só no Brasil desaparecem pelo menos 40 mil crianças por ano. É um dado alarmante. Sendo assim, fiquei interessado em saber como a autora iria tratar do assunto na história.

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Toda a história do livro envolve o drama de Lauren em descobrir sobre o seu passado e se foi ou não sequestrada de sua verdadeira família. Por ser uma adolescente, suas ações são impulsivas e muitas vezes ela não sabe como reagir diante das consequências que suas atitudes criam. Sua relação um pouco conturbada com a família também é um motivo a mais para ela se interessar em descobrir sobre o seu passado. O problema da personagem é que para ela o que importa é saber a verdade, não importa como. E quando ela descobre o que quer saber, não sabe como reagir. O que parecia ser simples é na verdade algo bastante complexo.

A história é dividida em duas tramas. A primeira parte contém mais ação, onde acompanhamos a personagem em sua busca pela verdade, que a fará viajar até os Estados Unidos e lá começar a coletar as pistas. É nessa parte também onde os vilões da história farão sua primeira aparição, e, de forma indireta, ajudam a personagem a encontrar a verdade. Já na segunda parte, a narrativa é mais concentrada no drama familiar, na reação da personagem diante da verdade, em seu estado emocional e em como ela tem agido diante do que descobre. A narração acontece em primeira pessoa e é pela visão de Lauren que o leitor compreenderá as dúvidas, anseios e conflitos mentais que rondam ela.

“Por algum motivo, eu nunca tinha me dado conta de que as respostas para todas as perguntas do meu passado podiam estar dentro da minha própria cabeça.”

Apesar de o livro ser mais rápido e não explorar de forma clara a personalidade dos personagens envolvidos, durante a leitura é fácil notar algumas características distintas entre eles. Lauren é uma garota de 14 anos, indecisa, com inúmeros pensamentos sobre a vida e um pouco solitária. Por saber que é adotada, muitas vezes ela se sente deslocada da família, e até briga com os pais, acusando-os de não terem direito de mandar nela, já que não são seus pais biológicos. O seu melhor amigo é Jam, e é com ele que ela gosta de passar a maior parte do tempo. Mesmo ela dizendo para si mesma que não é dependente de ninguém, e que não precisa de um garoto para fazer as coisas, muitas das decisões que ela toma são influenciadas pela opinião dele.

Jam, por sua vez, se mostra mais racional e meticuloso, analisando as ações e as possíveis consequências delas, e sempre que pode ajuda os seus amigos, mesmo que isso custe seus sonhos e desejos.  Sua relação com os pais é muito complicada, já que eles são separados, e há tempos ele não vê o pai. Ele acredita que a mãe é doida e que se importa demais com coisas desnecessárias, como hipnose e astrologia. Sendo assim, ele prefere passar o tempo longe de casa e sempre que possível com Lauren. Particularmente gostei mais desse personagem, pois criei uma certa identificação no sentido de ser mais meticuloso e pensativo. Uma coisa que gostei nele é que, mesmo sendo um adolescente, na maior parte do tempo ele age mais com razão do que com a emoção, e com isso, evita muitas confusões.

“Não me leve a mal. Não sou nenhuma desmiolada medrosa que precisa de um cara forte para cuidar dela. Estou acostumada a ir sozinha de um lado para outro em Londres. E já viajei de avião antes também.”

Utilizar adolescentes para narrar a história, ao meu ver, foi uma ideia bem oportuna, pois é nessa fase que o jovem se vê cheio de incertezas, conflitos, emoções e tudo mais. Explorar as ações dos personagens de forma impulsiva e depois mostrar que eles não sabem reagir diante das consequências cria bastante sentido à trama do livro. Talvez isso explique também porque o livro é mais rápido e com pouca enrolação.

O problema é que, por utilizar adolescentes, muitos eventos que acontecem no livro colocam em dúvida a veracidade da história. Por exemplo, como pode dois adolescentes fugirem em um país estrangeiro e os pais não chamarem a polícia, não ligarem, etc? Ao meu ver, na vida real algo assim não aconteceria. Eventos como esse aconteceram diversas vezes no livro, e em quase todas elas eu parei de ler e imaginei “isso não condiz com algo que um adolescente realmente faria”. Pelo menos eu não consegui acreditar nesses fatos.

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A história é legal, tem um ritmo bacana e é bem fluida, mas a contradição das atitudes dos personagens fizeram com que o livro não me conquistasse por inteiro. É um livro ok: uma trama legal, escrita leve e ações rápidas. Mas apenas isso. Possivelmente se um adolescente ler vá ter uma experiência melhor do que alguém da minha idade (já passei alguns anos da adolescência).

Garota Desaparecida pode não ser um livro interessante para leitores mais assíduos e mais velhos, mas para jovens e para quem busca uma leitura mais leve, fluida e com foco na ação, e não nos detalhes, certamente essa é uma opção. Com uma boa dose de suspense, drama e amor juvenil, a história nos deixa pensativos sobre o que pode ter acontecido com as milhares de crianças desaparecidas no mundo todo e também nos mostra que muitas vezes, julgamos as pessoas ao redor sem saber de verdade o que se passa dentro da casa ou da cabeça delas.

GAROTA DESAPARECIDA

Autor: Sophie McKenzie

Editora: Verus

Ano de publicação: 2016

Lauren mora na Inglaterra e sempre soube que é adotada. Mas, quando uma breve pesquisa sobre o seu passado revela a possibilidade de ela ter sido roubada de uma família americana ainda bebê, a vida de Lauren de repente parece uma fraude. O que ela pode fazer para tentar encontrar os pais biológicos? E seus pais adotivos terão sido os responsáveis por sequestrá-la? Lauren convence sua família a fazer uma viagem para o outro lado do Atlântico e, lá chegando, foge a fim de tentar descobrir a verdade. Mas as circunstâncias de seu desaparecimento são sombrias, e os sequestradores de Lauren ainda estão à solta — e dispostos a qualquer coisa para mantê-la calada.

É colaborador do Resenhando Sonhos.
Catarinense, Publicitário formado pela UNOESC, apaixonado por sci-fi, distopias e suspense policial. Fã de Arquivo X e Supernatural, sonha um dia encontrar os aliens.

  • Lara Caroline

    Oi Reinaldo, tudo bem?
    Achei a proposta do livro super interessante, falar sobre estes assuntos com adolescentes através da literatura é uma forma leve de passar alguns ensinamentos.
    Achei bem estranho também você ter citado que eles fugiram do país, tipo, como adolescentes tem este poder pra sair de um país sem que ninguém perceba e nem faça nada??
    Achei a intenção da autora boa até, mas ela pecou em algumas coisas.
    Beijos

    • Reinaldo José Nunes

      Oi Lara, tudo bem e vc?
      Pois então, a história do livro é bem interessante, mas de fato a autora peca em alguns pontos. No caso ali de fugir, a Lauren e o Jan fogem nos Estados Unidos, depois que chegam de viagem junto com a mãe dela. Pra mim, isso não aconteceria de forma tão simples na realidade. Sei lá, pareceu um pouco irreal.

      Mas a trama é interessante, bem leve e fluida.

      Beeijos *–*

  • Daiele

    Olá!
    Essa capa é muito intrigante e o titulo tbm, mas confesso que a sinopse ao meu ver é bem fraquinha. Não tive vontade alguma de ler esse livro, e ao acompanhar a resenha, tive menos vontade ainda, hahaha. Isso pq o que vc disse ali, de como podem dois adolescentes em um país estrangeiro sumirem e os pais nao se importarem, é algo que me incomoda muito nos livros, é fora da realidade demais, e isso não é facil de engolir.
    Eu tbm tenho problema com livros onde os personagens são “crianças” e querem agir como adultos, e essa protagonista para mim é muito chata. Como pode dizer que não depende de ngm e que os pais adotivos não tem direito de mandar nela?!
    Não sei o que se passa por tras desse possivel sequestro, mas pelo que entendi a menina é bem cuidada pelos pais adotivos e ela nao tem o direito de falar absurdos como esse…
    Bom é isso, mais uma vez a resenha esta incrivel, mas eu nao tive vontade de ler.

    • Reinaldo José Nunes

      Olá Daiele, sim isso é muito recorrente em livros que tem personagens jovens, que são os pais ausentes. Claro que o foco da história é o que acontece com os adolescentes, mas a ausência dos pais dá uma impressão de falsa realidade na história.

      Os únicos tipos de livros onde essa ausência não me incomoda é em livros apocalípticos e distópicos, pois aí o contexto é outro. Beirando o fim do mundo acredito que sim, adolescentes podem ter atitudes mais “adultas”, já que a regra do ambiente se torna “sobreviver ou morrer” hahha

      Beeijoss

      • Daiele

        Também penso assim, quando se trata de sobreviver aí tudo é valido né, haha

        • Reinaldo José Nunes

          Sim, é até justificável o nível de desumanização digamos hahah

  • Lili Aragão

    Oi Reinaldo, o tema do livro “sequestro de crianças” foi o que me chamou a atenção nesse livro, é realmente delicado e se bem escrito poderia render uma boa história, mas essa protagonista de 14 anos impulsiva me preocupa e fez com que eu me perguntasse se eu não vou acabar achando que ela tá naquela fase “rebelde sem causa” haha, as cenas improváveis por eles serem adolescente também não me empolgaram, contudo fiquei curiosa pra saber o desfecho, assim não consegui decidir ainda se vale a pena procurar o livro pra ler :/

    • Reinaldo José Nunes

      O desfecho é interessante, no caso, pelo drama de ela ir em busca da verdade e encontrar algumas respostas para o que procurava, e a forma como ela passa a lidar com isso. Ainda que ocorra uma cena no final que ao meu foi muuuuito manjada haha

      Se você quer uma leitura rápida e super leve, esse livro é bom, mas se quer algo mais exigente, então creio que seja melhor ir por outros caminhos hehe

      Beijos

      • Lili Aragão

        Entendi e acho que vou por outros caminhos ;) rsr

        • Reinaldo José Nunes

          hahah :D

  • Gislaine Lopes

    Oi Reinaldo, gosto muito de suspense e a sinopse deste livro aborta um tema ao qual nunca li a respeito. Algumas coisas me chamaram a atenção, sendo que algumas vc apontou em sua resenha. O fato de lidarmos com protagonistas adolescentes foi uma jogada, digamos, diferente do autora, já que livros de suspense e thillers abordam temas mais sérios e adultos e, portanto, tendem a ter protagonistas adultos. A personagem ter essa atitudes impulsivas, tem a ver com sua idade e da forma como se relaciona com os pais, o fato de ela saber que é adotada, pois fiquei imaginando que a trama seria muito diferente se ela só descobrisse isso no decorrer da história. Com certeza, teríamos um relacionamento diferente entre ela e os pais e escolhas diferentes no seu caminho em descobrir a verdade!!

    • Reinaldo José Nunes

      Ooi Gislaine, exatamente. A proposta da autora é muito interessante. O que ao meu ver não é coerente é algumas ações que creio que na vida real não aconteceriam da mesma forma, como por exemplo, duas crianças fugirem por um estado desconhecido e não terem nenhum tipo de problema, seja com a polícia, com outras pessoas desconhecidas, etc.

      Mas fora isso a história é boa, o drama vivido pela personagem antes e depois do que ela descobre é muito bacana também :D

  • Bruna Prata

    Esses recortes no título me chamou atenção quando esse livro foi divulgado pela editora, mas acabei deixando-o no esquecimento. Também nunca li nada sobre sequestro infantil.
    Depois de ler a resenha e ver as falhas cometidas, esse livro me pareceu mais “fantasioso”, principalmente onde não acontece denúncias ou algo do gênero por parte dos pais quando dois adolescentes embarcam para outro país. Estou bastante indecisa se dou uma chance ou não.

    • Reinaldo José Nunes

      Oi Bruna como vai?
      De fato a capa chama bastante atenção. Em um primeiro momento pensei que fosse uma história de sequestro, onde o sequestrador enviaria charadas através de recortes de letras (mas depois de ler percebi que a lógica das letras é não criar uma identificação da escrita, subentendendo a falta de identificação da vida da personagem)

      Se você tem dúvidas sobre a leitura, ente procurar o livro em PDF e ler o primeiro capítulo, se der tudo certo, seguia em frente heheh

  • Alison de Jesus

    É raro encontrar livros que abordam sequestro de crianças mas forma de como isso nos é apresentada é um tanto ficcional,pois faltaram elementos que reforçassem o tema e o tornasse mais perto da realidade. Beijos.

  • Marta Izabel

    Oi, Reinaldo!!
    Adorei a premissa do livro parecer ser muito interessante!! Gostei muito da sua resenha!! Achei muito interessante o tema abordado no livro que é um tema muito presente na nossa realidade.
    Beijoss