Garotos de Lugar Nenhum – Elise McCredie

Garotos de Lugar Nenhum é um livro da autora Elise McCredie. Sua publicação é de 2017 pela editora Rocco.

Sobre o livro

Sam, Felix, Andy e Jake estudam no mesmo lugar e pouco têm em comum. Após participarem de um passeio promovido pela escola e ficarem juntos no mesmo grupo, se envolvem em uma situação estranha: ao se perderem dos outros precisam passar a noite em uma floresta esquisita. Quando amanhece e eles retornam para casa, descobrem que tudo mudou. Seus pais não são exatamente como eram no dia anterior, muito menos suas casas. As pessoas não os reconhecem e eles percebem que é como se nunca tivessem existido.

“Talvez fosse como nos contos de fada, em que você consegue aquilo que quer, mas perde outra coisa valiosa. Tipo aquela sereia que queria ter pernas, mas, quando caminhava, sentia como se tivesse andando em cima de facas.”

Os quatro garotos estranhos unem forças e tentam descobrir o que aconteceu, o motivo de tantas mudanças e o principal, como podem reverter essa situação. Eles querem voltar para casa, para a normalidade com a qual estavam tão acostumados. Mas antes que isso aconteça eles precisam enfrentar suas próprias questões, seus medos e, acima de tudo, seres malignos que querem prendê-los ali para sempre.


Minha Opinião

Garotos de Lugar Nenhum tem uma premissa interessante; quatro jovens que precisam se unir para lutar contra os perigos e descobrir um caminho de volta para casa. Essa pegada, que lembra os clássicos Conte Comigo e Os Goonies, e  por que não citar Strange Things, tem – em teoria – uma receita que costuma agradar quem gosta de narrativas que focam na amizade, na relação fraterna entre os protagonistas, no desenvolvimento pessoal de cada personagem e nas aventuras e desventuras que surgem a partir daí.

A história do livro começa passando essa ideia, e de certa maneira isso foi capaz de me prender enquanto apresentava um pouco de cada um dos rapazes. Felix é o emo que vive uma situação delicada com a família e que se culpa por uma tragédia que mudou a vida de alguém que ama, ele gosta de misticismo e escreve em seu livro das sombras feitiços que gostaria de fazer. É isso que o aproxima dos outros garotos. Sam é o atleta bem de vida que tem tudo aquilo que um adolescente quer: habilidades esportivas e sociais, uma namorada bonita e uma família que o entende. Andy, o nerd, é o que tenta encontrar uma maneira lógica de encarar a vida; e Jake é o garoto que tem um relacionamento distante com o pai enquanto vê na mãe a razão para ser quem é.

Embora muito diferentes um do outro, quando se juntam, os garotos acabam se complementando de alguma maneira e é justamente essa relação que agrada conforme vai ganhando forma; mas além da história deles como grupo, o livro mostra a perspectiva de cada um dos rapazes. A narrativa em terceira pessoa e alternando o ponto de vista, permite que o leitor conheça os personagens, suas motivações, seus desejos, fraquezas e qualidades. Descobrimos quem eles são antes de tudo e acompanhamos o desenvolvimento de cada um após o fenômeno que os transporta para um mundo que, embora igual, é totalmente diferente. Um universo paralelo em que eles simplesmente não existem e que os coloca na posição de enxergar como seria sua vida, e a vida de cada membro da família, caso eles não tivessem nascido.

O que fazer então quando, ao mesmo tempo em que eles sentem um desejo enorme de voltar para a vida ‘real’,  acreditam que continuar ali, perdidos, poderia tornar mais fácil a existência de pessoas que eles amam? Esse questionamento é frequente na narrativa, ao mesmo tempo em que vamos acompanhando o dia a dia de garotos que não têm nada nem ninguém para ajudar além deles mesmos. Pelo menos por um tempo, claro. Personagens secundários vão surgindo aos poucos, cada um desempenhando um papel que colabora para a construção da história. Seja na hora dos garotos lidarem com questões práticas do dia a dia, como, por exemplo, precisar se alimentar ou frequentar a escola; seja para lutar contra o que pretende mantê-los presos ali. Vivos ou mortos.

“Sobre o telhado de alumínio corrugado havia uma espiral, como se uma broca gigantesca houvesse tentado abrir caminho por ali. Seja lá o que fosse aquela coisa, ou criatura, estava determinadíssima a apanhá-los.”

O livro tem uma premissa interessante, como disse no começo. Mas talvez por eu ter iniciado a leitura com outras obras em mente e usando-as como parâmetro para comparação, acabei me decepcionando um pouco. Achei a história a forçada e sem sentido em diversos momentos. Penso que muitas colocações foram desnecessárias e deixaram a narrativa vazia e pobre de sentido; isso porque eu queria saber mais sobre a relação entre eles, qual a ligação deles com os elementos da natureza tão citados na história, o motivo deles terem ido parar naquele mundo, ou o que eles poderiam fazer para sair dali. Não me interessava saber que a falta de banho os deixava em uma situação desconfortavelmente fedorenta. Não fazia sentido, para mim, acompanhar a parte boba, por assim dizer, da história.

Então ao terminar o livro eu percebi duas coisas: a primeira é que eu criei expectativas demais, e quando elas não foram atendidas eu me frustrei; mas não posso culpar a história por esse sentimento. O segundo ponto está intrinsecamente ligado ao primeiro, que é o fato de talvez eu estar vivendo um momento no qual histórias assim, mais infantilizadas e com esse toque caricato já não despertam em mim uma satisfação, como acontecia no passado. Então isso deixa claro que leitura é sim coisa de momento, e que talvez esse livro possa agradar leitores mais jovens; que vivam uma fase da vida semelhante a que os protagonistas se encontram. Se for assim e a empatia surgir, a história pode surpreender.

Ah, uma dica para quem quiser ter uma ideia razoável sobre o livro, ou acompanhar a história através de outro formato, é assistir a obra que o inspirou. Garotos de Lugar Nenhum (Nowhere Boys) é uma série australiana de 2013, com faixa etária sugerida à partir dos 10 anos. Tem duas temporadas disponíveis na Netflix, das 3 que foram lançadas.

GAROTOS DE LUGAR NENHUM

Autor: Elise McCredie

Editora: Rocco

Ano de publicação: 2017

Já imaginou retornar para casa depois de uma excursão da escola e descobrir que ninguém se lembra de você? Que sua existência simplesmente foi apagada, como se você nunca tivesse nascido? Parece um pesadelo, mas é o que acontece com Felix, Andy, Sam e Jake em Garotos de lugar nenhum, versão em romance da primeira temporada do famoso seriado de TV australiano Nowhere boys. Depois de passarem uma assustadora noite de tempestade perdidos na floresta durante o que seria um passeio rotineiro a um parque nacional da região, os meninos finalmente conseguem retornar para casa. Mas, estranhamente, ninguém os reconhece, nem mesmo seus familiares. Presos em um universo paralelo onde eles não existem para o mundo a sua volta, os quatro tentam entender o que aconteceu quando percebem que uma força das trevas está à solta. E precisam lutar para restaurar as coisas, antes que ela os destrua de uma vez por todas.

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.
  • Kristine Albuquerque

    A premissa parece mesmo boa, mas, como tu traz, talvez o desenvolvimento não tenha sido tão bem trabalhado pela autora, intencionalmente ou não. Soma-se então as expectativas e a comparação a outras obras, e o resultado pode ser mesmo decepcionante. Concordo contigo sobre a questão de momento da leitura, somos mesmo sujeitos às mudanças. O legal é que, ao reconhecer isso em nós, diminuímos a autocobrança e podemos assim sentir prazer com o que estamos vivenciando (e lendo) no presente. :)

  • Karina Rocha

    O livro deve ser bem intrigante de se ler, essa idéia de estar no mundo sem estar, onde as pessoas não os notam deve ser desesperador, porém ao mesmo tempo, uma aventura. Fiquei curiosa para saber que criatura das trevas está a solta e o porque de ninguém se lembrar dos meninos.

  • Vitória Pantielly

    Oi Krisna
    Olha, vou ser sincera, sua resenha está maravilhosa, mas a premissa no livro não me ganhou. Tenho a intenção de assistir a adaptação primeiro, assim quem sabe me desperta a vontade.
    O que percebi é que os garotos mesmo sendo bem diferentes, tem muito em comum, principalmente nas questões familiares.
    Acredito mesmo nisso de leitura de momento, e como você disse, o livro pode despertar o interesse de pessoas mais jovens.
    Bjs

  • Gabriela Souza

    Oi! Eu amei a premissa do livro. Ela possui pontos que já me instigaram a ler desde o inicio da resenha. Achei bem legal o livro não focar apenas nas tentativas de reverter aquela situação, e sim na amizade que se forma entre os personagens. Uma pena que tu criou expectativas demais e acabou não sendo tudo isso. Não pretendo ler o livro tão cedo, mas se um dia eu o pegar para ler, já sei que não devo esperar muito. Beijoss

  • Natália Costa

    Não achei a premissa do livro interessante não, acho que não leria. Enfim, sua resenha está ótima, apenas a história que não me chamou a atenção mesmo!
    Talvez eu não me decepcionaria, por não ler com expectativas né! rsrsrs

  • Nathi

    Achei a premissa do livro muito boa, mas acho que não seria algo que eu diria “Meu Deus, preciso ler esse livro”. Gosto muito quando abordam a amizade e conflitos internos dos personagens e, ao decorrer da leitura, mostram a evolução de cada um. Agora, parando pra pensar, deve ser um pouco cansativo essa narrativa alternada entre 4 personagens, eu prefiro quando há no máximo duas. Além disso, tenho essa coisa de criar expectativas e me decepcionar também, bem como de comparar com outras obras do mesmo teor hahaha, triste fim. Enfim, quem sabe num futuro (distante) eu pegue pra ler… Ótima resenha, by the way!

  • Thais M. Costa

    Esse livro me trás muita expectativa, agora to com medo de acontecer igual rsrsrs. Estou vendo muitas pessoas falando sobre ele.

  • Gabriela Souza

    Oi! Já li outras resenhas sobre o livro, e de cara não me agradei. Achei os personagens super estereotipados. Acho que se a autora tivesse desenvolvido melhor os personagens, teríamos uma obra um pouco melhor, já que a premissa é sim muito interessante. Beijos