A Guerra que Salvou a Minha Vida – Kimberly Bradley

A Guerra que Salvou a Minha Vida é um livro da autora Kimberly Bradley. O lançamento é de 2017 pela Darkside Books.

Sobre o Livro

Ada mora com o irmão Jamie em um lugar muito pequeno junto com a mãe. Enquanto ele pode sair, ir para a escola e brincar, Ada é obrigada a ficar trancada em casa pois possui um “pé torto”, e a mãe a proibiu de sair de casa para não envergonhá-la.

Quando os bombardeios de Hitler começam e há uma possível evacuação de Londres, os primeiros a serem rearranjados para lugares seguros são as crianças e uma oportunidade de liberdade surge para Ada. Em um trem que leva ela, o irmão e uma centena de outras crianças para o interior, a menina começa a confrontar o mundo pelo lado de fora, como jamais viu.

“Minha casa era uma prisão. Eu mal suportava o calor, o silêncio e o vazio.”

Ao chegar na cidade onde vai ficar, o primeiro confronto é que por causa do estado lastimável de sujeira que eles estavam, ninguém os escolhe, forçando a pessoa responsável a bater na porta da Srta. Smith e pedir que ela fique com os dois. Mas mesmo longe da mãe e do lugar horrível onde viviam, as sombras do que Ada passou e espera voltar a viver ainda a assombram e soam muito mais amedrontadoras do que as bombas que caem do céu.


Minha Opinião

Esse é um livro que tem como background a 2ª Guerra Mundial, mas não se enganem, essa não é uma história sobre a guerra, sobre Hitler ou sobre o Holocausto. A Guerra que Salvou a Minha Vida é a história de Ada, de sua dor e de seus tormentos. Uma menina inglesa de apenas 10 anos que mesmo sem a guerra já sofreu o suficiente nesse tempo por uma vida inteira.

Eu sou fascinada por histórias com esse background histórico, reais ou ficcionais, mas me mantive um pouco afastada recentemente por ter ficado um pouco saturada dos mesmos olhares. Aqui, Bradley não almeja contar a história de uma menina judia ou afetada pela guerra diretamente, mas uma jovem que teve sua vida invadida por esse detalhe, quando em seu olhar haviam coisas bem mais importantes acontecendo.

“No fim das contas, foi a combinação das duas guerras – o fim da minha pequena guerra conta Jamie e o início da grande guerra, a do Hitler – que me libertou.”

Já adianto que não é uma história surpreendente, mas é certamente tocante e emocionante. A fórmula usada aqui, da jovem mal tratada que encontra no refugio de alguém estranho o possível amor que não recebeu da própria mãe já foi aplicada em outros livros, sendo a novidade e o diferencial a época em que a história se passa e seu background histórico.

Ada é encantadora e conseguimos sentir sua dor. Ela se sente tão só por não poder sair e ao mesmo tempo acredita que talvez realmente seja melhor que ela fique presa em casa, pois ninguém a aceitaria. Essa imagem de ela ser algo quebrado foi plantada na menina pela própria mãe e pela forma agressiva e abusiva cpela qual ela trata a menina.

Jamie, ao contrário, por ser completamente perfeito e saudável é o filho de ouro, aquele que recebe todo amor, atenção e liberdade, mesmo tendo apenas 6 anos. Ele não possui o mesmo ressentimento com a mãe que Ada tem, pois a ele nunca foi direcionado o ódio que a irmã recebeu. Portanto, a visão dos dois é muito diferente durante toda a história. Os dois não querem se separar, mas para Jaime ficar longe da mãe é algo ruim, algo que ele quer que acabe logo; enquanto para Ada é sua salvação, liberdade.

E, ao contrário do que possa parecer em um primeiro momento, Ada não vai simplesmente abraçar o mundo. Há muito medo no seu amanhã, em como as pessoas vão tratá-la. Ela duvida de todos, não aceita o amor, tudo é duvidável. Foi essa a semente que a mãe plantou nela, de que alguém jamais seria capaz de amar alguém que era “aleijada”, que não caminhava direito.

Com tudo isso, Kinberly Bradley transformou uma premissa simples em algo encantador que vem emocionando os leitores, sejam eles motivados a ler pela história de Ada ou pelo contexto histórico. Eu que gosto das temáticas da 2ª Guerra e já li muitos livros ficcionais e não, gostei bastante dessa nova visão e uso do cenário. A guerra doa alemães não era a guerra que essa menina estava travando, havia algo muito mais próximo e perigoso que habitava o seu coração.

“Eu não sentia raiva. Sentia tristeza. A tristeza era tanta, que eu me perdia nela.”

A leitura é super rápida e a escrita da autora é muito fluída. Eu li o livro em uma noite e não parei enquanto não alcancei o desfecho. A edição da Darkside também está muito bonita e esse é mais um livro que compõe o catálogo Darklove, que contempla as autoras mulheres da editora. A capa é condizente com a história, mas dentro dos padrões de customização, achei que ela iria ser mais texturizada para simular os tecidos expostos.

Acho que esse livro é uma ótima recomendação para vários públicos diferente e que gostem dos mais diversos gêneros. A trama caminha por vários lugares e toca em uma série de pontos importantes como a família, os laços de amizade, a sociedade da época e até mesmo o homossexualismo feminino e como isso era encarado pelas pessoas junto com seus preconceitos.

A Guerra que Salvou a Minha Vida é o caminho de reconstrução de uma alma quebrada e machucada. É a jornada de uma menina para voltar a acreditar em si mesma e naqueles que o cercam. É uma busca constante por confiança, por vencer os medos e para reencontrar o amor.

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A GUERRA QUE SALVOU A MINHA VIDA

Autor: Kimberly Bradley

Editora: Darkside Books

Ano de publicação: 2017

Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.
Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.