Hellraiser – Clive Barker

índice

Hellraiser foi escrito por Clive Barker, escritor e diretor inglês especializado no gênero terror. Foi lançado pela primeira vez no ano de 1986 pela editora inglesa Dark Harvest como a terceira edição do “Night Visions Anthology series”, com o título “The Hellbound Heart”. Devido ao sucesso, foi posteriormente lançado isolado pela editora Harpercollins. No Brasil a primeira edição a ser lançada é de 2015 mesmo, pela editora Darkside.

SOBRE O LIVRO

O livro gira em torno de um núcleo de quatro pessoas:  os irmãos Frank e Rory Cotton; Julia e Kirsty. Frank é um hedonista que dedicou sua vida a experimentar os mais diversos limites do prazer, seja ele com substância ilícitas ou mesmo com as mais hediondas práticas sexuais. Rory e Julia são um casal em crise no casamento e Kirsty é uma amiga do casal, que secretamente é apaixonada por Rory.

O livro se inicia com um relato de Frank sobre a aquisição de um produto místico chamado “caixa de Lemarchand”. A caixa, adquirida por Frank em uma de suas viagens na sua busca incessante de saciar seu desejo por sensações extremas, é famosa por proporcionar à aqueles que conseguem a abrir, vislumbres de prazer jamais experimentados pelo homem. Frank é um alvo fácil dessa promessa, pois desde cedo ele convive com uma insatisfação que nenhuma das experiências a que teve acesso, por mais intensa que fosse, pode aplacar. Sendo assim o dispositivo imediatamente se tornou a sua mais nova obsessão.

Depois de conseguir a caixa para si, ele decide dar início a exploração. A caixa, toda revestida de brilhante laca preto dá a impressão que não facilmente cederá seus segredos ao desconhecido que a explora. Mas após um bom tempo de trabalho, e graças a um posicionamento ocasional de polegares e dedos médios, Frank consegue acessar um compartimento da caixa. No momento em que acessa, começa a ouvir ao longe o badalar de um sino. Cada desafio subjugado ao decifrar a caixa era seguido de modificações no quarto em que estava. As badaladas se tornavam mais fortes e as luzes do quarto piscavam no ritmo. Encorajado pelo sucesso, ele mergulha em furiosas tentativas até que consegue abrir todos os compartimentos.

O quarto previamente preparado por Frank, com direito a altar com jarras de urina e chão coberto de pétalas de flores, finalmente torna-se um portal para acessar a dimensão que a caixa prometia. Porém, para surpresa de Frank, não são voluptuosas mulheres untadas que aparecem no seu quarto, mas sim quatro seres deformados. Os seres atendem pelo nome de Cenobitas, tem o corpo todo mutilado e recosturado, com suturas feitas com cinzas. Ganchos e correntes prendem e retesam as partes dos seus corpos escarificados, como as pálpebras que permanecem sempre abertas por correntes.

3

Os Cenobitas recolhem as oferendas e perguntam a Frank se ele está preparado para experimentar o máximo de prazer, o avisando, que esta sensação que experimentaria o transformaria para sempre. Ansioso por experimentar enfim um prazer da magnitude que sempre quis, Frank aceita e é testemunha da característica principal dos Cenobitas. Estes seres não diferenciam prazer de agonia e consomem a alma e o corpo de Frank em um sem fim de sofrimento e dor.

Tempos depois o casal Rory e Julia estão em busca de uma nova casa, e compram a casa onde o irmão desaparecido antes residia. O casal passa por um momento de instabilidade no casamento, quando, apesar dos esforços de Rory, Julia se mostra cada vez mais distante e desinteressada pelo marido. Julia carrega um segredo consigo que a marcou profundamente. Segredo esse que lhe custaria o casamento. Dia após dia a mesma se vê desejando ter novamente a experiência que a tiraria da mesmice do relacionamento com o pacato Rory. O marido, apesar de ser somente 18 meses mais velho que o irmão, não poderia ser mais diferente. Apesar de não falar muito do irmão, na ocasião de uma bebedeira, Rory confidenciou a Julia as aventuras do mesmo. Drogas, diversos crimes e prostituição eram recorrentes, mas não bastavam. Frank nos últimos tempos passara a viver em um estado de permanente delírio, fruto de suas experiências que não obedeciam quaisquer fronteiras delimitadas pela moral. Julia se vê envolvida desde então.

“Eles não eram totalmente diferentes; certa melodia cadenciada nas vozes e o comportamento agradável os marcava como irmãos. Mas as qualidades de Frank evocavam algo que seu irmão jamais teria: um belo desespero.”

Porém, um episódio muda a vida de todos na trama. Um quarto específico da casa, o maior deles, apresenta as janelas fechadas e grande umidade, em detrimento do restante da casa. Julia se sente estranhamente atraída para o quarto e passa a frequentar cada vez mais tempo dentro do mesmo, no escuro, como se procurasse alguma coisa.

Em um dia, Julia está mais uma vez dentro do quarto, enquanto o marido trabalha com o cinzel na porta da cozinha. Quando o marido se fere e sobe as escadas em busca de socorro com a esposa, a encontra dentro do quarto. Sua mão sangrando em profusão, suja o chão do quarto escuro enquanto Julia fazia os curativos. Logo depois, quando revisita o quarto, a esposa nota que o sangue que havia caído no chão não está mais lá. Não haviam nem indícios que alguma vez o chão havia sido manchado pelo sangue do marido. Era como se o chão houvesse sugado o sangue para dentro de si.

Nesse momento ela tem uma visão, onde antes estava a parede sólida. Um campo de cinzas e pássaros negros serve como moldura a uma silhueta sangrenta e deformada, que caminha, frágil e titubeante em sua direção. Quando a criatura para, Julia chocada ouve a mesma dizer numa voz terrivelmente familiar:

– Julia… É Frank… Sangue.

2

MINHA OPINIÃO

Hellraiser é um clássico do cinema e da literatura de terror, tendo sido adaptado para o cinema logo após seu lançamento. A obra é considerada, por nada mais nada menos que Stephen King, como o futuro do terror. Argumento este que aparece nos primeiros minutos do trailer do filme. O Cenobita, especificamente o Pin-head, interpretado no cinema como pelo ator Doug Bradley é um ícone pop que, mesmo quem não conhece a obra reconhece. Povoando assim o imaginário e a cultura do terror.

O filme e o livro são considerados a bíblia poética do sadomasoquismo, visto que os seres conjurados pela caixa tem prazer diretamente relacionado a proporcionar dor e sofrimento. O filme lançado em 1987 angariou $14,564,000 nos EUA e Canadá.

O livro da primeira edição brasileira é pornográfico de tão lindo, a edição tem uma capa que imita o couro com uma ilustração da caixa de Lemarchand aberta na frente, e fechada atrás. Como fazendo uma metáfora que ao abrir o livro, você estaria tendo a mesma experiência de Frank, deixando pra trás o aviso para experimentar o mais hediondo prazer possível.

As ilustrações dos cenobitas são lindas e o cuidado em materializar o universo dos mesmos em forma de livro torna a edição, além de histórica por ser a primeira lançada no país, o xodó de qualquer estante que se preze. Basta dizer que as folhas que revestem a capa são fotografias de closes de fibras de carne. O livro, fecha com chave de ouro ao ter um marca-páginas de preto em tecido que já vem na edição. Fantástico, não menos que isso.

Histórico, hediondo e delicioso.

HELLRAISER

Autor: Clive Barker

Editora: Darkside

Ano de publicação: 2015

Escrito em 1986, Hellraiser – Renascido do Inferno apresentou ao público os demoníacos Cenobitas, personagens criados por Clive Barker que hoje figuram no seleto grupo de vilões ícones da cultura pop como Jason, Leatherface ou Darth Vader. Toda a perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que estimulam a imaginação dos leitores e superam, de longe, o horror do cinema.
Clive Barker escreveu o romance Hellraiser – Renascido do Inferno (The Hellbound Heart, no original) já com a intenção de adaptá-lo ao cinema. O cultuado filme de 1987 seria sua estreia na direção, e ele usou o livro para mostrar todo seu talento como contador de histórias a possíveis financiadores. Nas palavras do próprio Barker: “A única maneira foi escrever o romance com a intenção específica de filmá-lo. Foi a primeira e única vez que fiz assim, e deu resultado”.
De leitura rápida e devastadora, Hellraiser – Renascido do Inferno conta a história de um homem obcecado por prazeres pouco convencionais que é tragado para o inferno. Inspirado nas afinidades peculiares do autor, o sadomasoquismo é um tema constante em sua arte.

É colaborador – intruso – do Resenhando Sonhos.
Formado em publicidade e propaganda, especialista e mestrando em artes visuais, aprendiz de feiticeiro, astrólogo, cozinheiro e da casa Grifinória.
  • Adorei as fotos *_*

    É estranho falar isso, mas eu adoro a história! Ele é um dos meus favoritos do terror.. E a pesar de já ter tido vários pesadelos na infância, recomendo o filme para várias pessoas.
    Ainda não li, mas fiquei morrendo de vontade para ter essa edição maravilhosa *_*

    http://www.saidaminhalente.com

    • Raphael Vargas

      Oi Claycielle! Obrigado, eu tentei fazer as fotos na vibe do livro hahaha

      Eu nunca tinha visto o filme, uma vergonha pra quem curte o estilo como eu.
      Curti bastante o livro, visto que no filme tem algumas mudanças né.
      Recomendo comprar o livro, que é bem baratinho e muito bonito.

      Abraçoo

  • Dai Castro

    Nossa! Estive com esse livros em mãos ainda outro dia, achei a encadernação muito bonita!

    Não sabia que o teor do livro era tão pesado, ainda não li nenhum livro de terror moderno, apenas alguns contos do Alan Poe, que são mais psicologicos, mas pelo que você conta o livro é bem pesado, fiquei com medo só de ler as descrições dos rituais hahaha.

    As fotos ficaram muito legais!
    Beijos

    http://colorindonuvens.com

    • Raphael Vargas

      Oi Dai

      O livro é lindíssimo sim, ele chama atenção nas livrarias.
      É, o foco dele é mesmo esse lance do masoquismo e de mutilação, mas é bem de boa. Vale a pena experimentar! Não o masoquismo, mas sim o livro hahaha

      Beijos!

  • Ruh Dias

    Caramba, pre-ci-so ler este livro para ontem! Parabéns pela resenha!

    Abraço,
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

    • Raphael Vargas

      Oi Ruh!

      Eu quando vi ele na livraria nem titubeei haha
      Muito obrigado e volte sempre

      Abraçoo

  • Alessandra Maria

    Edição maravilhosa hein?

    Beijinho

    • Raphael Vargas

      Oi Alessandra!
      A edição é fantástica, a Darkside capricha sempre nas edições.
      Todas as que eu tenho da editora são muito bem pensadas, pra capa fazer parte da composição do livro. Demais.

      Beijos

  • Tisa Prata

    Não assisti o filme até hoje mas só porque estou doida pra ler o livro! E nem preciso comendar sobre a edição brasileira, pois sou fã da Darkside, se eu pudesse teria todos os livros deles só por serem lindos demais, hahahah

    http://magoevidro.blogspot.com.br/