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Hex – Thomas Olde Heuvelt

Hex é do autor holandês Thomas Olde Heuvelt, e lançamento de 2018 da editora Darkside.

Sobre o Livro

Em Black Spring, nos Estados Unidos, algo sombrio permeia a história da cidade. Porém, diferente de lugares assombrados, onde algo tenebroso se esconde em algum canto ou em uma floresta perigosa, aqui o que todos temem está a olho nu. Por séculos, a bruxa Katherine van Wyler, aparece em lugares inusitados com seus olhos e boca costurados, um presente da própria cidade, quando há muito anos ela foi julgada e condenada por bruxaria.

Essa comunidade, então, se organizou a esconder a Bruxa de Black Rock dos turistas ou forasteiros, monitorando todos os seus movimentos através das câmeras de segurança espalhadas pela cidade e das entradas de alerta que os moradores fazem no Hex App. Porém, mesmo com as histórias de todas as tragédias que aconteceram toda vez que alguém tentou interagir ou descorturar Katherine, há entre os mais jovens a dúvida se isso tudo é mesmo real.

É assim que um pequeno grupo começa a fazer alguns testes com a bruxa, que já faz parte do cotidiano das pessoas. Descobrindo logo em seguida que podem ter cometido um grande e irrevogável erro.


Minha Opinião

Thomas Old Heuvelt faz sua estreia no Brasil com um livro que mistura o terror clássico com tecnologia, e situações cotidianas que arrepiam o leitor, não por ser uma história aterrorizante, mas por trazer muito da natureza humana e de suas falhas de caráter.

Eu, particularmente, quando pego um livro assim, sempre coloco um pé atrás, pois sou difícil de assustar com narrativas de suposto terror. Porém, mesmo não tendo encontrado o assombro aqui, me deparei com algo tão interessante quanto: uma releitura mais moderna de algo que já vimos muitas vezes por ai, uma cidade “assombrada”. E, quando isso se torna “casual e corriqueiro”, as pessoas perdem o medo das consequências, se colocando em posições que podem ser ainda mais assustadoras que a própria bruxa.

Bruxa essa, aliás, que foi por quem eu torci em grande parte da história. E isso, por si só, já traz um diferencial. Em quantos livros do tipo você já se pegou torcendo pelo suposto “vilão(ã)”, ao invés do mocinho(a) que sofre as consequências terríveis dessa interação?

A questão é que aqui, logo percebemos que há coisas muito piores em Black Spring do que Katherine, além do fato de irmos e voltarmos na narrativa, conhecendo o que verdadeiramente aconteceu com ela no século XVII e perceber que ela pode ter sido mais uma vítima do famoso período de caça às bruxas que levou tantas mulher a mortes injustas.

E, claro, temos os adolescentes que querem testar todas as lendas. É insensato, mas completamente compreensível. Você tem um grupo de pessoas mais velhas, que impõe uma série de restrições a todos eles, inclusive de internet, afinal, não pode vazar nenhuma foto ou imagem da bruxa se não todos correm riscos de terem a cidade invadida por curiosos e pessoas querendo realizar testes, como já ocorreu previamente. Porém, a forma como alguns desses jovens agem frente à situação, é extremamente abusiva e repulsiva. Porque, mesmo cercada de lendas e história, Katherine não parece alguém mau que “merecia” ser tratada da forma que é, num primeiro momento. E, sim, eu sei que há muitos poréns e questionamentos nessa afirmação.

A questão aqui é exatamente todos os questionamentos que surgem por esse caminho ao longo da narrativa? Quem está certo? Há muito sobre velhos costumes aqui, uma sociedade regada por crenças passadas, preconceitos enraizados e tudo isso sendo espelhado na forma como eles lidam com cada situação. E, a forma como agimos frente as coisas nos mostra muito sobre quem somos ou no que acreditamos e, ao meu ver, Hex é muito mais sobre esse mal que emerge das pessoas em situações assim, do que realmente sobre uma bruxa que assombra a cidade.

A escrita de Thomas toma seu tempo para contar a história e vai e volta trazendo o momento presente e fatos do passado. Em certos pontos há bastante descrição, em outros a narrativa flui super rápido, especialmente no final.

Hex foi uma surpresa, não por ter sido aterrorizante e amedrontador, mas sim pra provar que as histórias que já conhecemos de trás pra frente podem se reinventar e levantar questões diferentes, mais atuais e com mais propósito.

HEX

Autor: Thomas Olde Heuvelt

Tradução: Fábio Fernandes

Editora: Darkside

Ano de publicação: 2018

Toda cidade pequena tem segredos. Mas nenhuma delas é como Black Spring, o pacato vilarejo que esconde uma bruxa de verdade do resto do mundo. Os moradores sabem que não se deve mexer com ela. Assim como aconteceu com as bruxas de Salem, Katherine Van Wyler foi condenada à fogueira. Mas a feiticeira sobreviveu e continua rondando a cidade, mais de trezentos anos depois. Seus olhos e sua boca foram costurados, para impedir que ela lance maldições fatais.
Os habitantes de Black Spring controlam seu passos através do HEXApp, um aplicativo de celular, 24 horas por dia. A vigilância constante aumenta o clima de paranoia na cidade, enquanto um grupo de adolescentes desafia as regras e resolve zoar a bruxa para ver se ela é tão perigosa quanto dizem…

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.