Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) | Crítica

Enquanto o Homem-Aranha é o super herói favorito de muita gente, aos meus olhos ele sempre foi o mais sem sal. Tobey Maguire não me convenceu e achei Andrew Garfield e Emma Stone mais tragáveis. Nenhum dos dois tinha a jovialidade que o personagem precisava e nenhum dos dois me passava a verdade que eu precisava ver. Eu enxergava um garoto inseguro, bobo por amor e que fraquejava na frente de coisas importantes. A questão é que esses Spider Man’s eram muito mais da Sony do que da Marvel.

Com o sucesso estrondoso dos filmes de franquia da companhia, a ânsia dos fãs pelo resgate do herói virou quase um grito preso na garganta. Com Capitão América: Guerra Civil e o anúncio de que teríamos o jovem dentro do quadro oficial da Marvel e ao lado dos Vingadores, o alívio começou a surgir. Mas ainda tinha algo importante a ser resolvido: como recriar um herói que já havia sido recriado 2 vezes nas últimas décadas e dar a ele uma personalidade própria? E, o mais importante, quem iria carregar a missão nas costas e ser a nova cara do Homem-Aranha?

Quando Tom Holland foi anunciado eu não botei fé. Apesar de ele ter 21 anos agora e 19 quando foi escalado, a cara é de 12  e passa uma certa insegurança. A questão é que isso acabou sendo uma das coisas que mais o posicionou corretamente, afinal nosso protagonista está mais jovem aqui e é apenas um garoto de 15 anos. Mordi minha língua e digo a vocês que, na minha humilde opinião, Holland é o melhor Homem-Aranha até o momento e o papel serviu como uma luva. Talvez ele não tivesse funcionado com as propostas do passado, mas certamente funcionou aqui.

Esqueça o bê-á-bá padrão de Peter Parker. De Volta ao Lar não é uma história de origem (esse simples fato pra mim já é um fator 10/10). O filme começa com Parker prestes a entrar em ação depois de ser recrutado por Tony Stark, e o mais legal: ele é um vlogger que não deveria estar gravando nada daquilo. A partir dai a trama segue na direção do “depois”. Peter esperando um novo chamado após sua aventura com os Vingadores. Porém, isso não acontece, e ele vai ter que lidar com as coisas mais comuns de sua vida, como a escola, os amigos, e os pequenos problemas da vizinhança.

Mas esses conflitos não são vazios e despropositais, há um porquê de ser assim. São pequenos detalhes na identidade intrínseca desse personagem que o moldam como um novo Homem-Aranha. Ele é muito jovem e ainda tem algumas inseguranças, mas ele é corajoso, confiante e quer fazer mais. Até demais. E é ai que entra a presença de Tony Stark na história. Como ele foi o responsável por recrutar o garoto, ele é o contato de Parker com o mundo exterior fora de sua realidade. É quando Stark entra em cena que temos pequenos vislumbres sobre o que está acontecendo nesse universo e que deve ser base para o próximo Vingadores. E, pra quem gosta do Homem de Ferro, sempre bom ter o humor ácido do personagem. Já pra quem não é fã, não se preocupe, ele não rouba a cena e tem um tempo mínimo de tela.

Peter pode até ter 15 anos, mas tem uma postura muito mais ativa, esperta e decidida do que os seus antecessores trouxeram. Fora isso, há outros tantos detalhes que foram levemente modificados para fugir dos estereótipos e impedir que o espectador tivesse um déjà-vu mais uma vez. Não temos Mary-Jane Watson ou Gwen Stacy, nossa garota aqui é a Liz, que apesar de aparecer nos quadrinhos, foi também repaginada em suas posturas. A tia May também não é uma senhora de idade e ainda arranca uns suspiros por ai. E nosso Parker não tem apreço pela fotografia ainda, então nada de day job no Clarim Diário pra ele.

E, como a fórmula dá Marvel que dá certo é trabalhar com humor, temos aqui um filme divertidíssimo do início ao fim. É impossível não gargalhar em vários momentos e, mesmo assim, a história não fica boba ou perdida. Há muita conexão com o que está acontecendo. Há boas cenas de ação, apesar do último ato parecer um pouco confuso graficamente e a bagunça ganhar cena. A trilha sonora também não tem nenhum destaque e vamos ter os tradicionais sons quando preciso, mas sem deixar uma marca.

Maicon Keaton está muito bem no papel e desenvolve aquilo que lhe foi dado. Ele tem menos tempo em cena do que seria aconselhável para um completo desenvolvimento do vilão, mas isso não chega a atrapalhar de forma geral. Há inclusive um leve plot twist no ato final que ficou sensacional e dá um desconforto engraçado a quem está assistindo. É quase como se estivéssemos na pele de nosso herói.

Há duas cenas pós crédito, sendo a segunda depois que acabam todos os créditos e a minha dica é: fiquem. VALE MUITO A PENA. Vou ser até mais audaciosa, acho que é a melhor cena pós credito que a Marvel já fez. Mas não assista solto na internet quando vazar, porque não vai fazer sentido e você vai perder o legal da experiência.

Então, sendo você fã ou não do Homem-Aranha, vá aos cinemas conferir esse novo filme. É uma nova pegada, uma nova proposta, um novo personagem. Está bem claro que ele tem muito caminho pela frente e certamente vamos ter coisas muito boas a seguir. Eu, que nunca fui fã dele, dobrei o joelho. Imagino que pra quem o idolatra, vai ser ainda mais incrível.

thumb_livro

4estrelasb

HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR

Diretor: Jon Watts

Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr. e mais

Ano de lançamento: 2017

Depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker (Tom Holland) voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre (Michael Keaton) surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.