Império de Tempestades – Sarah J. Maas

Império de Tempestades é o quinto livro da série Trono de Vidro, da autora Sarah J. Maas. O lançamento é de 2017 pela Galera Record.

*Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores

Sobre o Livro

O maior rival de Aelin foi deposto e é Dorian quem comenda Adarlan agora, tentando manter as coisas sobre controle. Porém, nessa jogada, a herdeira Galathynius descobriu que há forças mais profundas em todo esse jogo, e o antigo rei na verdade era uma peça nas manobras. Ela está determinada a retomar seu lugar em Terrasen, mas pra isso precisa de aliados e aceitação.

Junto de sua corte, Aelin sai em busca dessas coisas, mantendo olhos e ouvidos abertos sabendo que seus inimigos estão a espreita. Enquanto ela trilha seu caminho, no entanto, novas conspirações e planos se formam nas montanhas, com os seres criados e o clã das bruxas, sem esquecer também a temível Maeve. Manon, a herdeira das bico negro, terá de tomar uma perigosa decisão que pode mudar o destino de muita gente, inclusive o dela, enquanto Lorcan tem contas a acertar diretamente com Aelin. E, caminhando em direção ao caos, após fugir dele, temos Elide, que quer encontrar sua Rainha e Celaena, sem saber que ambas são a mesma pessoa.

“Talvez viver com monstros a tivesse desprovido de um medo saudável.”

Num jogo político de xadrez e gato e rato, Aelin, Dorian, Rowan, Aedion e Lysandra precisam encontrar maneiras de driblar os problemas e montar um plano que os conceda vantagem, já que os aliados são cada vez mais escassos. Atrás de seu trono, Aelin Galathynius pode estar disposta a romper um número infinito de regras para alcançar o que deseja.


Minha Opinião

Eu sempre fui uma enorme defensora da Sarah J. Maas, da série Trono de Vidro e de todas as escolhas que ela fez ao longo dos outros quatro livros. Ao invés de desistir da leitura, como muita gente fez, porque viu problemas, eu tentei compreender e me apaixonei ainda mais pela trama. Mas aqui a autora realmente tropeçou comigo. Essa não é a primeira vez que me decepciono, já que não sou nem um pouco fã de Corte de Espinhos e Rosas, e só acreditei nessa outra série a partir do segundo livro, que é imensamente melhor que o primeiro. Porém, confesso, que a decepção aqui doeu, afinal é uma série muito querida pra mim.

Diferente do que possa parecer por esse primeiro desabafo, eu não achei o livro ruim, apenas apagou um pouco da fé que eu tinha nessa história, já que muitas das coisas que eu sempre defendi na autora foram desconstruídas aqui. E, com essa resenha, que provavelmente será enorme, eu vou tentar explicar tudo o que me incomodou e também os pontos fortes da história, pois eles certamente também estão presentes. Já deixo claro, que vou falar de Império de Tempestades como um todo, ignorando a separação de tomos (a qual sigo achando um absurdo).

A primeira coisa que me tirou um pouco do sério e que vai completamente de encontro com a reclamação já feita diz respeito ao romance. Eu compreendi todas as mudanças de interesse e os relacionamentos que Aelin ou Celaena tiveram. Eu entendo o sex appeal e as escolhas. Fui #TeamChaol e agora sou #TeamRowan. Acho a química dos dois muito positiva, mas aqui foi demais. O livro já tem uma cena logo no inicio que evidencia a enorme tensão sexual que há entre eles, mas isso perdura todo o livro, rompendo momentos importantes. Leitores fieis da série compreendem o elo de ligação “feral” que existe entre os dois sem a necessidade de tamanha exposição ou tentativa de criar cenas sensuais. O que aconteceu aqui foi uma mega exposição desnecessária que não combina com o tópico central e me tirou do clima em diversos momentos.

“Prefiro morrer amanhã a viver mil anos com a vergonha de um covarde.”

Também já entendi o quanto os machos feéricos são sensacionais. Mas não consigo entender, porque em uma cena onde não há uma única mulher no local, a voz de narração precisa que eles fiquem se admirando e dizendo o quanto fulano é lindo, estonteante e diabo a quatro. Simplesmente não é coerente, pois não faz sentido, principalmente quando o tema de discussão dessa cena, são estratégias de guerra.

Falando em falta de coerência, vamos falar sobre Aelin. O cenário inicial do livro é de um descontrole notável da personagem. Ela quer que todos cedam frente ao seu poder e essa ansiedade reflete em ela perder temperança várias vezes. Porém, essa não é a mesma personagem que teria tomado as decisões do fim do livro. E, nós não temos tempo hábil para que ela tenha sofrido tamanha mudança. Ou ela é estrategista e meticulosa ou ela é descontrolada. Escolha uma linha e siga com ela ou crie uma evolução de status. O pulo de um ponto a outro sem progressão não é convincente.

O arco que envolve o Lorcan é o mais previsível possível. Ele, aliado a relação que se cria para Lysandra, que na minha opinião é muito bonita, mas deveria ter sido mais sutil, estipula que, realmente, não pode haver mulher solteira nesse livro que um par tem que ser dado a ela. Aqui entra naquela velha história da reclamação antiga dos fãs e ai, “não dá pra te defender, amiga”, pois você foi lá e fez de novo, dessa vez de forma repetitiva.

Pra mim o grande destaque desse livro é Manon Bico Negro. Quando o arco dela se iniciou no terceiro livro eu não era a maior fã da personagem, mas ela realmente ganhou voz, importância e é uma das mais alinhadas em sua postura. Já sabíamos que havia uma inclinação pro que se desenrola nesse 5º livro, mas foi espetacular acompanhar seu papel em toda a trajetória. Aliás, ela é a personagem responsável pela transição do tomo um para o dois e é uma ótima cena, que deixa a gente com muita expectativa.

Quanto a isso, não há o que reclamar. A autora sabe criar clímax e construir cenas que deixam o leitor sem fôlego. Há duas sequências espetaculares envolvendo batalhas que são ótimas. A cena final, em contra partida, que envolve Aelin, pra mim, deixou a desejar. Estávamos esperando por aquilo, certo? E ai é isso que acontece. Eu sequer consegui me sentir chateada com a situação de tão pistola que eu tava com todo o desenrolar ter acabado ali, com uma leve surpresa que mal salvou a situação e faz parte da inconstância da personagem.

Felizmente, várias coisas se salvam e há picos ótimos. Alguns exemplos são os personagens que vamos reencontrar aqui, tanto de livros passados quando to prequel A Lâmina da Assassina. Eu fiquei muito empolgada com isso, pois mostra que há um penso acontecendo e certas coisas não vão ficar desatadas.

Lysandra tem um papel essencial nesse livro, muito mais que Rowan, Aedin ou o apático Dorian. Outra decepção (ta complicado né?). Tirando os flertes, Dorian é um imprestável nesse livro. Ele é um rei agora, ele é inteligente, sagaz, competente, idealista. Mas cadê o reflexo disso? Ele fica de um lado pro outro e não tem o devido valor explorado na história. É um personagem que eu gosto bastante, porque ele é simplista, raramente exigindo coisas em retorno, mas é deveras importante, significativo e pode definir muitas coisas aqui. Só que precisa ser bem usado e desenvolvido.

Eu posso ir e ir sobre esse livro, pois pra cada ponto positivo tenho outros dois negativos pra explorar. E, como eu disse, o livro não é ruim, mas foi uma decepção enorme e, nessas horas, o ruim salta ainda mais aos olhos. Trono de Vidro é um marco na minha vida literária, foi uma das série que me introduziu no youtube, que me despertou pra vontade de gravar vídeos sobre livros de fantasia, então é claro que fico um pouco triste, principalmente agora que falta apenas um livro para concluir essa história.

O sexto e último volume deve sair ano que vem e eu não vejo a hora de finalizar essa trama, por mais que tenha certeza de que vai deixar saudades. Também quero muito ler o spin off dedicado a Chaol que também foi lançado e que deve dar voz a esse personagem que sequer aparece em Império de Tempestades.

Esse livro de Trono de Vidro teve seus altos e baixos pra mim, e isso prejudicou um pouco a minha relação com o livro. Porém, é claro que não destruiu o amor que eu tenho por toda essa construção e o desejo que tenho de ver as coisas se resolvendo no final. Aguardo um ótimo livro final para tirar a sensação de bad vibe e poder concluir essa história com chave de ouro.

IMPÉRIO DE TEMPESTADES

Autor: Sarah J. Maas

Editora: Galera Record

Ano de publicação: 2017

Antes de serem traídos pelo atual rei, os Galathynius reinaram em Terrasen por séculos. E agora Aelin deseja recuperar a coroa e voltar a seu trono de direito… Mas o caminho até lá é longo e sinuoso. Amigos serão perdidos, lealdades serão quebradas e alianças inesperadas surgirão. Com a vida e poder jurados ao povo que está determinada a salvar, a antiga assassina, conhecida como Celaena Sardothien, colocará a própria segurança em risco para proteger os seus. Mas a única salvação está numa relíquia enterrada nas ruínas de um velho pântano.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.