IT: A Coisa (2017) | Crítica

No verão de 1989, na pequena cidade de Derry, localizada no Maine, coisas estranhas acontecem. É lá que vivem crianças que não sabem o que o destino guarda para elas. Há pouco tempo Georgie, o irmão mais novo de Bill, desapareceu sem deixar vestígios. O mais inusitado é que ele não foi o único, várias crianças desapareceram em um curto período de tempo. Bill nunca acreditou que seu irmão estivesse morto e procura a ajuda dos seus amigos para sair em busca dele nos esgotos da cidade, pois ao que tudo indica, o menino pode ter sido levado para um bueiro.

Bill, que é gago, conta com a ajuda do hilário Richie, que tem sempre uma piada pronta para tudo, Eddie, que está sempre com um remédio a mão e Stanley, um menino judeu e muito calado. Aos poucos esse grupo aumenta com a chegada de Ben, um gordinho que é novo na cidade, Mike, que sofre preconceito por sua cor e Beverly, a única menina do grupo. Juntos eles formam o Clube dos Perdedores, justamente por se sentirem deslocados e por cada um sofrer algum tipo de preconceito. Eles mal sabem que em busca de respostas para o sumiço de Georgie, eles encontrarão um grande inimigo que incorpora os seus medos mais profundos. Pennywise, que na maioria das vezes assume a figura de um palhaço, é a A Coisa que espreita os esgotos de Derry.

Sete crianças, sete personalidades diferentes, cada uma com um problema familiar, mas todas com uma vontade em comum: derrotar A Coisa. Essa entidade sobrenatural passa a persegui-las e munidas da sua união e coragem elas partem em uma jornada sombria para derrotar esse inimigo. Elas encontrarão diversos obstáculos e vão precisar de toda a sua coragem para vencerem seus medos.

Ouso dizer que esse foi o melhor filme de terror de 2017. Ok, sei que o meu negócio são os livros de terror e não tanto os filmes, mas não sou a única que pensou isso. O filme está excelente, impecável e maravilhoso. Levei vários sustos e fiquei tensa o tempo inteiro. O diretor, Andy Muschietti, conseguiu dar um clima de suspense do início ao fim. Pennywise está com um visual diferente do que vimos no filme It: uma obra prima do medo, que foi lançado em 1990. E eu, que pensei que esse palhaço não daria medo, fui pega de surpresa. O filme dos anos 90 é totalmente diferente desse. O clima não é tão sombrio e não levei susto algum. Aqui a história é bem diferente.

Um dos meus maiores medos era que focassem mais no Pennywise e não tanto na amizade dos perdedores. Para minha felicidade os atores mirins conseguiram passar isso com maestria. É visível o clima de união, amizade e cumplicidade entre eles. Parecia que essas crianças já eram amigas fora das telas há muito tempo. Não sei dizer qual deles me encantou mais. Eles estão perfeitos. Meu coração acabou sendo dividido em várias partes e cada uma ficou ocupada por um integrante do clube.

Mas, é claro que tenho o meu preferido, afinal Richie é o dono do meu coração desde a primeira vez que li o livro. Aqui ele é interpretado por Finn Wolfhard, que faz o Mike na série Stranger Things. Eu já achava ele maravilhoso na série e agora, no filme, confirmei mais ainda. Ele incorporou o papel perfeitamente. E é o responsável pela cenas mais engraçadas. Sim, no It também temos comédia. Muita comédia, aliás.

Mas como falar de tudo isso e não citar Beverly? A única garota do grupo e também a mais corajosa. Ela sofre diariamente com um pai pedófilo que atormenta sua vida e vê nessas amizades uma chance de escapar disso. Ela está sempre pronta para ajudar seus amigos e é a primeira a correr para solucionar um problema. A atriz que a interpreta, Sophia Lillis, conseguiu capturar toda a essência da Bev do livro, bem diferente da do primeiro filme.

Bill Skarsgård, o ator que interpreta Pennywise está fantástico! Com um visual completamente repaginado e cada vez mais sádico. Eu, que não tinha medo de palhaços, acabei mudando o meu conceito. Ele pode assumir diversas formas e consegue descobrir qual a melhor delas para afetar cada um. Esse ser misterioso esconde diversos segredos e nem todos serão desvendados nessa primeira parte.

Além disso, o longa retrata os problemas pessoais e familiares que as crianças enfrentam. Ele mostra o que elas sofrem diariamente. Um por ser mais gordinho e novo na cidade, outro por ser negro, um por ser gago e assim por diante. E são justamente essas particularidades que os unem e fazem com que juntos sejam ainda mais fortes. O filme também trata de um assunto muito delicado que é a pedofilia, algo que ainda é tabu, mas que precisa ser debatido cada vez mais.

E não temos apenas temas ruins, o filme também mostra a pureza da amizade das crianças (vamos esquecer do ritual de Chüd que temos no livro, ok?) e no quanto elas são companheiras e protetoras umas com as outras. Crianças que são diferentes e que procuram nessas diferenças uma forma de superar as barreiras que encontram em suas vidas.

Sei que sou suspeita para falar, mas achei esse filme espetacular. Notei em algumas cenas várias referências para quem leu o livro, percebi vários ganchos que acredito que serão explicados na parte dois e mal posso esperar pela continuação, que infelizmente, vai demorar. Nessa segunda parte teremos a versão adulta das crianças, mostrando como cada um seguiu a sua vida. Se você ainda não assistiu esse filme, corra! Você não vai se arrepender. Essa é a minha maior indicação para vocês. Todos flutuamos lá. E você? Quer flutuar também?

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IT: A COISA

Diretor: Andy Muschietti

Elenco: Bill Skarsgård, Jaeden Lieberher, Finn Wolfhard e mais

Ano de lançamento: 2017

Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado “Losers Club” – o clube dos perdedores. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

É colaboradora do Resenhando Sonhos.
Natural de São Sepé, atualmente morando em Santa Maria.
Formada em Gestão da TI pela URCAMP e cursando Produção Editorial na UFSM.
Apaixonada por livros, Johnny Cash e cachorros.