Logan (2017) | Crítica

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Dentre todos os x-mens, Wolverine sempre foi o meu preferido. Ele certamente não seria a escolha óbvia, mas foi a que eu fiz. Eu sempre gostei de pessoas com histórias, que por mais que tivessem poderes mantivessem instintos humanos e reais. Querer salvar o mundo é algo altruísta, mas será que isso serve para todos? A resposta é certamente não. E não ser assim não faz de ninguém uma pessoa ruim, apenas mais complexa, pois significa a presença de vários sentimentos. Confusão, medo e vontade de se proteger.

Eu não sei se Logan teve medo, mas ele certamente não queria ser um herói. Desde o começo tudo aquilo era demais pra ele. Haviam guerras no seu passado. Sofrimento e sangue. Coisas que ele não podia apagar. Que haviam o marcado pra sempre. Isso também o tornava real. Somos o resultado da dor de todas as nossas cicatrizes, e por mais que as dele desaparecessem num primeiro olhar, ficavam gravadas na alma.

Sempre que um novo filme com o personagem era anunciado vinha a expectativa: será que veremos o verdadeiro Logan?. A resposta era sempre não. As franquias de super heróis são pra serem apreciadas em família, com violência na medida certa a não afastar o público juvenil do cinema. Estratégias de marketing que desmontaram muitas características essenciais de vários personagens ao longo dos anos. Ano passado tivemos Deadpool, e a constatação de que filmes adultos de super-heróis podem sim ser feitos, e dão bilheteria. Eis que, como último filme de Hugh Jackman como Wolverine, uma decisão muito sábia foi tomada. Era hora dos fãs terem algo real.

A história se passa vários anos a frente. Os mutantes estão praticamente extintos e há anos não se ouve falar de um nascimento. Há alguns vivos, é claro. E muitos deles são caçados. Logan trabalha agora com chofer, tentando de manter fora do radar. Ele vive em um lugar isolado, na companhia de um rastreador e de um frágil e doente Professor Xavier. A mente mais perigosa do mundo precisa de atenção e nem Logan consegue isolar tudo completamente.

Sua realidade vai ser bagunçada quando uma mulher e uma criança vão cruzar seu caminho. Por algum motivo a menina Laura é especial. Especial o suficiente para ter uma organização perigosa a caçando. E, antes que Logan possa fazer qualquer coisa a respeito, seus planos de desaparecer sem deixar vestígios são rapidamente transformados em uma jornada de vida ou morte.

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Meu primeiro comentário sobre esse filme é que há violência. Muita violência. Desde o começo. Se você é uma pessoa sensível a isso, esteja avisada. Vão rolar muitos cérebros sendo espetados por garras de adamantium. Todas aquelas cenas que desejamos ver desde o primeiro filme. Não o Wolverine controlado, mas o verdadeiro Logan. Há algo sombrio sobre sua personalidade. Ele está envelhecendo, não se cura mais como antes. A morte, algo antes difícil de vislumbrar, começa a sinalizar no fim da estrada. A vida gloriosa de herói que ele nunca gostou de ter deixou lembranças amargas, e uma realidade marcada.

A direção, em minha opinião, soube trabalhar isso muito bem. Sua dor e agonia são palpáveis ao espectador e dói ver nosso tão querido personagem passando por tudo aquilo. No filme em que temos o que queremos, também temos bem mais que isso. É o fim e há muita coisa pra dizer. Hugh Jackman dispensa comentários porque ele é sempre impecável em suas atuações. Imagino que o Wolverine seja algo que ele já faz de olhos fechados, mesmo que o Logan desse filme seja bem mais profundo do que qualquer outro.

“Não seja aquilo que te fizeram.”

Há sequências incríveis de lutas e perseguições em movimento. Existe aqui um senso de perigo constante que atormenta quem assiste, fazendo com que fiquemos atentos o tempo todo. Laura pra mim é um contrapeso na história. Ela trás um ar mais humano e infantil enquanto não é bem isso o que ela é. Quando seu instinto quica, a menina assume um papel que extravasa tudo isso. Não se se me incomodei com sua atuação ou com algumas cenas específicas, mas ela, mesmo que bem pouco, foi a única coisa que ficou um pouco off.

A trilha sonora é bacana e é um filme de ação, então há bastante efeito sonoro. Achei o inimigo na história bem interessante e é algo que realmente se encaixaria naquela realidade. E, é claro, temos o Prof. Xavier. Ele não é nem de longe o homem que era antes, mas há algo que permaneceu, sua resiliência e capacidade de ver a bondade nas pessoas. Se houve alguém que acreditou em Logan durante toda a sua trajetória foi ele, então nada mais justo ele estar ao seu lado no ato final.

É um filme emocionante, mas com alguns alívios cômicos. Há uma cena em particular, de uma conversa que Logan trava com Laura dentro do carro já do meio do fim da história que é sensacional e arrancou gargalhadas de todos que estavam no cinema.

Eu como fã, fiquei imensamente feliz com o resultado. Mas também desolada porque acabou. Daqui a alguns anos um novo Wolverine será escalado, afinal vivemos na era dos reboots e remakes, e ninguém será capaz de fazer o que Hugh Jackman fez por esse personagem. O ator que vier em seguida vai carregar um peso enorme nas costas e eu certamente não estou ansiosa por isso.

Então, se você é um fã ou apenas curte a saga dos x-mens, vá conferir Logan. É um filme que chegou tarde demais, mas que felizmente aconteceu.

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LOGAN

Diretor: James Mangold

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen e mais

Ano de lançamento: 2017

Em 2029, Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como chofer de limousine para cuidar do nonagenário Charles Xavier (Patrick Stewart). Debilitado fisicamente e esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma mexicana que precisa da ajuda do ex-X-Men para defender a pequena Laura Kinney / X-23 (Dafne Keen). Ao mesmo tempo em que se recusa a voltar à ativa, Logan é perseguido pelo mercenário Donald Pierce (Boyd Holbrook), interessado na menina.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.