Loney – Andrew M. Hurley

Loney é do autor Andrew M. Hurley e foi lançado em 2016 pela Intrínseca.

Sobre o Livro

Quando o corpo de uma criança é encontrado soterrado após um deslizamento em um local que costumava fazer parte da infância de dois irmãos, as sombra do passado voltam para contar como eles eram diferentes naquela época e de como sua relação mudou ao longo do anos.

Durante muito tempo quem comandou a paróquia foi o Padre Wilfred, um conservador da igreja que conduzia os súditos com pulso firme. “Tonto”, apenas um garoto na época, era seu coroinha. Porém, algo mudou ao longo dos anos com esse padre e ele acabou morrendo em uma situação um tanto duvidosa. Um novo padre chega a comunidade para tomar as rédeas da congregação. Com um pensamento mais moderno e jovem ele vai ter que encarar o conservadorismo de Laura, a mãe de Tonto.

“No Loney as coisas viviam como deveriam viver. O vento, a chuva, o mar existiam em seu estado bruto, sempre recém-nascidos e ferozes. A natureza se revigorava. Seus processos de morte e reabastecimento aconteciam sem que ninguém percebesse, exceto Hanny e eu.”

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Esse garoto que  nos conta sua história tem um irmão, Hanny, e logo sabemos que há algo de errado com ele. Sua mãe vê nisso uma grande vergonha para a família e, como o garoto se comunica com dificuldade, fica a cargo de Tonto tomar conta do irmão. Com a desculpa de que seria ótimo voltar às origens, Laura sugere ao novo padre que eles retornem a Moorings, uma casa enorme e sombria onde eles costumavam passar os feriados com o padre Wilfred antes de ele ficar introspectivo.

Tentando agradar a congregação, o novo padre topa e eles partem em direção ao Loney, um estranho pedaço entre lugar nenhum entre dois rios. Lá, além do pretexto de voltar às origens, Laura também está em busca de um milagre que “conserte” seu filho Hanny. Para Tonto e o irmão é só mais uma viagem a um lugar já conhecido que guarda várias lembranças de viagens passadas, porém, eles vão acabar de metendo em algumas encrencas enquanto passam os dias por lá, e também entram na mira de pessoas da comunidade que não estão felizes em ter esses “forasteiros” em sua região. Será que o corpo encontrado atualmente, 30 anos depois da última vez que estiveram em Coldbarrow, tem algo a ver com eles?


Minha Opinião

Eu ouvi tanta gente reclamando de Loney que comecei a ler o livro com as expectativas no chão, e ai qual foi a minha surpresa quando me vi realmente apreciando o livro. Depois do lançamento de Garota Exemplar, A Garota no Trem e tantos outros thrillers, o estilo acabou ficando associado a ação, reviravoltas e mistérios instigantes, sem que os leitores percebessem que existem vários desdobramentos dentro do gênero. A confusão, aparentemente, também veio do marketing da editora, que não parou para explicar a diferença e foi na onde do sucesso que o gênero vinha fazendo, vendendo um livro pelo que ele não era.

Loney é um suspense de drama. Não tem nada de parecido com Garota Exemplar. A não ser por uma provável descoberta ou constatação no final, no momento em que os pontos se ligam. Acredito portanto, que se as pessoas tivesse lido o livro sem essa comparação em mente e preparadas para o que o livro realmente tinha a oferecer, o resultado da frustração seria diferente.

“Quanto mais desumano o sofrimento que somos capazes de causar uns aos outros, mais compadecido Deus parecia como um contraponto a nós. Era por meio da dor que saberíamos qual distância ainda tínhamos de percorrer para sermos perfeitos aos Seus olhos.”

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Além de ser um drama esse é um livro que vai falar bastante sobre religião e sua sombra na vida das pessoas. Laura, a mãe dos garotos é uma crente (nada de pejorativo na palavra, ok?), ela tira toda a sua força e princípios da palavra de Deus. Ela acredita que o seu Deus curará seu filho, que é só uma questão de o momento certo e o sacrifício certo. Quando o velho e tradicional morre para ser substituído por alguém mais jovem e com crenças mais modernas ela não aceita isso com naturalidade.

O Padre Bernard McGill é um santo somente por aturar ela lhe dizendo o que fazer ou como “o Padre Wilfred fazia de outra forma, será que não seria melhor manter como estamos acostumados?”. E ele cede com toda a compostura, tentando sempre agradar a todos, mesmo que o seu método lhe pareça melhor. Isso por si só, desconsiderando até a parte do quanto Laura é uma mãe péssima, já serve pra termos um tremendo desgosto da personagem.

E toda essa questão é trabalhada: a fé, as formas de crer em Deus, como ele se manifesta nas pequenas coisas, a tradição e o convencional. Mesmo que o livro não debata isso de forma aberta ou aprofundada, os questionamentos sobre o peso da fé estão sempre presentes na narrativa da história e nos atos dos personagens, sendo um dos pontos principais da trama. A fé é a coadjuvante – principal – da história.

“O Juízo Final me lembrava do pátio da escola com seu despotismo informal, e a constante ansiedade de nunca saber que traços de personalidade num menino seriam passíveis de punição com violência instantânea. Alto demais, baixinho demais. Órfão de pai, órfão de mãe. Xixi nas calças. Sapatos furados. Classe social errada. Irmã putinha. Piolhos”.

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Tonto é um personagem muito legal. Ele é uma criança esperta, um coroinha porque a mãe desejava, mas fiel ao seu dever. Ele sabe que precisa olhar sobre o irmão e, por muito tempo, não sabemos o que há de errado com Hanny até que parte do mistério seja revelado. Mas, acima de tudo, Tonto é curioso e cauteloso, duas coisas que não exatamente combinam, mas que funcionam bem juntas. Ele ouve o que não deve as vezes, mas não é pego. Ele protege o irmão e depois lida com as consequências. Mantém segredos e tenta ser o mais justo possível. Faz por Hanny o que não vê a mãe fazendo. Ajuda o padre, e observa a tudo e a todos.

Temos vários personagens coadjuvantes, alguns da congregação e outros do lugar para onde eles vão. Cada um pensa de uma forma e, apesar dos membros da igreja todos crerem em Deus, suas visões são diferentes e um pouco conflitantes em vários momentos. E, acho que já ficou óbvio, que Laura é a dominante, e certamente uma mãe duvidável. Ter um filho com problemas é uma vergonha pra ela e se para que isso se reverta ela precise mal tratar o garoto, parece estar super ok pra ela, o que é bastante frustrante como as coisas acabam acontecendo a sua mercê durante toda a narrativa.

Sabemos que no futuro, logo pelo começo do livro, o cenário é bem diferente. E, se você se tocar, vai ficar se perguntado como as coisas mudaram tanto e como foi possível chegar àquele ponto. O Loney, que dá nome ao livro não é exatamente algo importante na trama, é apenas um lugar, um cenário onde o show vai se desenrolar.

Apesar do mistério, de tentar descobrir o que há com Hanny, o que há no Loney, o que o corpo da criança tem a ver com eles, esse não é um livro de reviravoltas e enormes descobertas. É uma sensação diferente, uma busca mais por compreender a natureza dos diversos tipos de pessoas do que realmente ansiar por ação. Essa foi a minha interpretação e sentimento com a leitura.

Loney foi uma experiência mais introspectiva e de reflexão do que foi de êxtase de leitura, e eu realmente compreendo a frustração dos leitores que não gostaram. O livro e sua proposta foram vendidos de forma errada e isso trouxe um efeito diferente do esperado. Porém, verdadeiramente acredito que se você ler Loney pelo que ele é e não pelo que muitos queriam que ele fosse, é possível encontrar aqui sim um bom livro, com bons personagens, narrativa fluída e ótimas reflexões.

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LONEY

Autor: Andrew M. Hurley

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2016

Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era criança e visitou o lugar.
À época, a mãe de Smith arrastou a família para aquela região numa peregrinação de Páscoa com o padre Bernard, cujo antecessor, Wilfred, morrera pouco tempo antes. Cabia ao jovem sacerdote liderar a comunidade até um antigo santuário, onde a obstinada sra. Smith crê que irá encontrar a cura para o filho mais velho, um garoto mudo e com problemas de aprendizagem.
O grupo se instala na Moorings, uma casa fria e antiga, repleta de segredos. O clima é hostil, os moradores do lugar, ameaçadores, e uma aura de mistério cerca os desconhecidos ocupantes de Coldbarrow, uma faixa de terra pouco acessível, diariamente alagada na alta da maré. A vida dos irmãos acaba se entrelaçando à dos excêntricos vizinhos com intensidade e complexidade tão imperativas quanto a fé que os levou ao Loney, e o que acontece a partir daí se torna um fardo que Smith carrega pelo resto da vida, a verdade que ele vai sustentar a qualquer preço.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Lara Caroline

    Oi Tami, tudo bem?
    Quando eu vi este livro pela primeira vez e aquele auê que as Intrínseca fez, fiquei doida achando que este livro seria aqueles super trillers loucões, mas ao ver as resenhas fiquei meio com o pé atras. Ainda não li o livro, mas pretendo e a sua resenha foi muito boa para me mostrar para ir com um pouco menos de sede ao pote. Adorei!
    Beijos

  • Marta Izabel

    Oi, Tamirez!!
    Li muitas resenhas sobre esse livro a maioria delas foi bem negativas. Acredito que a sua resenha foi a mais completa e positiva que li. Longo quando teve o lançamento desse livro queria muito ler mais acabei desanimado quando li tantos comentários negativo. Agora estou animada novamente para ler Loney espero gostar tanto quanto você gostou.
    Beijos

  • Bruna Prata

    Li e ouvi tantas críticas negativas sobre esse livro que nem me dei o trabalho de ler a resenha, tanto que nem sabia do que se tratava. Essa deve ser a primeira resenha que leio sobre o livro falando sobre os pontos positivos. Mas, a visão de negatividade está tão enraizada sobre a obra que ainda estou com os dois pé atrás.

  • Daiele

    Oi Tami!
    Então, como vc ja sabe eu li esse livro e me decepcionei, justamente por ter esperado outra coisa, afinal existia um comentário na capa falando que era um otimo livro de terror, então eu fiquei o tempo todo esperando esse terror aparecer e nada acontecia, se tornando assim uma leitura bem dificil porque foi lenta e ao mesmo tempo densa.
    Mas, pensando bem depois de um certo tempo de ter lido, eu gostei da historia, é interessante, mas o fato de eu ter sido enganada não me agrada nem um pouco haha.
    Acho que se fosse um filme, eu teria apreciado bem mais a historia..

  • Lili Aragão

    Oi Tamirez, resenha super interessante, gostei muito do fato de você preparar o leitor para o que está por vir e apresentar a história como ela é de fato :) Tonto parece ser o melhor personagem do livro e acho que se tiver a oportunidade de ler vou amar ver as cenas dele ajudando o irmão. Ah! gostei muito da capa ;)

  • cristiane dornelas

    Vi mesmo um pessoal falando mal dele ou que se decepcionou, mas outros falaram super bem e no fim das contas acho que é um livro que depende do leitor e da expectativa de cada um. Acho que iria gostar porque curto uns livros assim. Ele parece ter uma história mais lenta, mas também gosto disso dependendo de como o autor escreva. Estou com ele aqui e quero ver se leio logo pra saber se é bom ou ruim mesmo, porque só lendo pra ver né. Mas é uma boa dica de leitura.

  • Gislaine Lopes

    Oi Tamirez,
    Obviamente houve um erro de propaganda do livro pela editora e um erro de interpretação por parte dos leitores. Loney foi lançado em um ano onde tivemos muitos thrillers publicados e isso fez com a ideia do livro fosse vendida de forma errada. A premissa traz um tema, ainda, muito delicado de se falar que é a religião, mas que com certeza rende muito assunto. O conservadorismo da mãe dos meninos é o que faz a personagem ser chata e insuportável do meu ponto de vista. Mas o que me chamou atenção mesmo foi o mistério envolvendo o corpo do menino encontrado, pois acredito que está relacionado ao passado dos meninos. Mas dá para se notar que o livro não se trata de um thriller, é um livro com dramas familiares, tem temas pesados e delicados, com uma pitada de mistério. A Intrínseca caprichou muito na edição e, quando possível, pretendo adquirir um exemplar e fazer a leitura!!

  • Manuelle Schimainski

    Oi Tami. Bem, quando comecei a ler esse livro eu já sabia das inúmeras decepções de muita gente sobre a história, então por isso fui à lê-lo sem expectativas. E por final, gostei da história. Ótima resenha, beijos

  • Gabriela Souza

    Oi Tami. Eu sinceramente não fazia ideia que esse livro abordava tanto sobre religião. Eu era uma das pessoas loucas pra ler esse livro, e dou graças a Deus que eu não comprei. Com certeza eu teria me decepcionado e , como esse “gênero” não faz o meu estilo, eu não teria paciência para ler até o final. Principalmente com uma personagem tão chata que nem a Laura. Beijos

  • Anne

    Eu comprei esse livro e ainda não li porque tantaaaaaa gente falou mal. Mas com suas 4 estrelas acho que me animei em ler. Além disso, AMO DRAMA! Kkkkkkkkk!!! Eu comprei sem nem ler a sinopse, kkkkkkkkk, nao fazia ideia que tinha tanta coisa sobre religião no livro. Aih meu Deus, será que vou gostar?! kkkkkkkkkkkkkkk #medo Vamos ver, 2017 ele entra na fila! Rs

  • Ainda não conhecia esse livro, gostei da capa e a trama me interessou. Sem falar que eu adoro drama então acho que vou gostar desse livro :D

  • Naiara Fidelis

    Quero muito ler este livro, para saber se ele é tão bom quanto eu imagino.
    Minhas expectativas estão bem altas, por isso que ás vezes fico com receio de ler e acabar não gostando por causa disso.