Mais um post clichê sobre a blogsfera

Lost-interest

Desde quando comecei a blogar lá em 2003, sempre tive como princípio básico escrever sobre coisas que eu gosto ou que me interessem. Jamais tentei falar sobre algo que não sabia ou reproduzir notícias que não tivessem nada a ver com o conteúdo que normalmente trago.O universo dos livros, por exemplo, apesar da palavra “Resenhando” no nome do blog, surgiu com o tempo e com a necessidade que senti, ao ler, de compartilhar minhas impressões e sentimentos após cada leitura.

Por estar a 12 anos nesse mundo, tenho acompanhado vários grupos de blogueiros no Facebook, alguns nos quais fui inserida e outros que senti interesse em participar. No início, logo que voltei com o blog fiquei super feliz e empolgada em estar ativa novamente e, em comunidades que pareciam ajudar o blogueiro, além de dar sugestões de posts. Porém ao passar dos meses vi o quanto grande parte desses grupos foi levada ao abismo do segue que te sigo de volta. Acredito que muito é por deixar muitos novos blogueiros adentrarem os grupos, mesmo quando alguns deles tinham como bandeira reunir os blogueiros da antiga ou simplesmente instituir um lugar onde a troca de experiência pudesse ser o foco. É óbvio que eu não sou ninguém pra criticar as decisões desses moderadores em aceitar ou não gente nova. O ponto que quero levantar aqui nem é esse.

A questão é que acompanhando esses grupos posso ver o quanto a moral de ter um blog para falar das coisas que você gosta anda perdendo a força. Já me acostumei em ver publicações pedindo sugestões para o primeiro post ou primeiro vídeo do canal. Se você não sabe sobre o que postar, criou um blog pra que? Para agradar outras pessoas? Pra faturar?

Hoje em dia muita gente acha que ganhar dinheiro com blogs é algo simples, porém grande parte das blogueiras famosas que vemos hoje por ai estão na blogsfera a muito tempo e começaram fazendo vídeos ou escrevendo posts sobre coisas que gostavam e consequentemente essas coisas geraram lucros. Não é um passe de mágicas, não é do dia pra noite e não é algo que se possa planejar ou contar com. Por isso não deve ser o fator motivacional para se criar um blog ou um canal. Vejo gente querendo fazer Mídia Kit alguns dias após a criação do blog, no desespero de conseguir parceria ou ganhar coisas de graça. Gente, a coisa não funciona assim.

Eu tenho alguns posts pessoais, mas muito poucos são no estilo diarinho, que eu costumava fazer antes, lá no início dos anos 2000. Eu mudei, e hoje gosto de falar sobre outras coisas, porém, eventualmente também quero contar que meu dia foi uma merda porque o ônibus atrasou ou porque choveu. E esse tipo de coisas não só não se encaixa dentro de um modelo “comercial” de blog, como parece banal aos olhos de muita gente.

Esse ano eu dei minha cara a tapa preparada para receber incontáveis nãos. Mesmo não me enquadrando em grande parte dos pré requisitos para as parcerias com Editoras, que em sua maioria exigem mais de 2 anos de atividade e números de seguidores e visitantes que ainda não são a minha realidade, resolvi me inscrever pra ver como era o processo de seleção. No fim das contas acabou por dar certo e em 2015 serei parceira das Editoras Gente, Única e Novo Conceito. Já sabendo que não tenho os acessos exorbitantes, tenho certeza que o mérito de conseguir a confiança dessas editoras é o simples fato de que tento fazer minhas resenhas e vídeos com a maior dedicação, domínio de assunto e acima de tudo, com muito amor, pois é algo que adoro fazer. Quando comecei a gravar vídeos eu não fazia ideia do quanto ia se tornar algo importante pra mim, ou do quão bom o feedback seria. Hoje, penso no blog como uma extensão de quem eu sou e acabo por ficar chateada quando não sobra aquele tempo pra vir aqui postar ou responder comentários.

Talvez, no fim das contas, esse seja mais um post clichê sobre o cenário atual da blogsfera, mas eu realmente não me importo. Sinto falta de um tempo que não vai mais voltar e de grupos que sejam realmente para unir as pessoas numa comunidade que se ajude, e não mais uma oportunidade pra alguém vir pedir pra que eu visite seu blog. Aliás, só pra ressaltar, em alguns grupos isso é proibido, mas os moderadores são os que mais descumprem as regras. Então quem que vai falar né? Sei que dou mais risada de algumas dúvidas e postagens do que realmente participo.

Quem sabe valha uma reflexão maior sobre o verdadeiro motivo pelo qual você bloga, se ele condiz com o que você gosta ou com a pessoa que você quer ser.

 

~post revoltadinho da semana, pra não perder o costume ;)

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.