#Medo31: Cabrito (2015) – Luciano de Azevedo

Cabrito é um curta de terror lançado em 2015 e dirigido por Luciano de Azevedo.

Neste curta de 19 minutos acompanhamos a história de uma mãe fanática religiosa e de seu filho, um homem que se mostra cada vez mais atormentado e persecutório. Em uma cidade que aparenta ser interiorana ele vende algodão doce para ajudar no sustento da casa, mas as dificuldades financeiras e a miséria revelam um lado macabro da relação completamente desestruturada que há nesta família. E enquanto crescem o ódio, a violência e o horror, acompanhamos o destino dos personagens caminhar para uma direção que fica mais terrível a cada minuto.

Com uma fotografia mais sombria e alto apelo religioso, o filme pode gerar desconforto de diversas maneiras, e as que mais impactam são: o antagonismo escrachado entre o rosário que acompanha a reza da mãe duelando com seu discurso de ódio e insanidade; as imagens sagradas dos santos espalhadas pela casa que aparecem num frame para em seguida serem substituídas por representações do que seria o próprio mal; a trilha sonora que arrepia, seja ela través da sonoplastia em momentos importantes ou através do discurso insano do protagonista quando ele finalmente decide que é hora de falar alguma coisa, justamente no momento em que ele come… Bom, este é um filme sobre canibalismo também. Portanto é impossível ficar confortável diante disso.

Eu me senti incomodada desde a abertura deste curta. Isso aconteceu porque não sou fã do gênero e por isso me considero um tanto sensível a tudo que envolve terror, horror e seus derivados. Mas também porque, se tratando de gore, o que é o caso de Cabrito, o incômodo aumenta ainda mais porque o excesso de sangue e vísceras dá um tom de crueldade responsável por deixar tudo pior. Se somarmos a isso o fato de que aqui não há fantasmas ou assombrações e sim o ser humano mostrando como pode ser vil, nojento e bárbaro; o incômodo tende a crescer exponencialmente. Terminei de assistir a obra estarrecida. Não à toa este curta é tão premiado, ele consegue mexer de verdade com que o assiste. Vale lembrar que ele faz parte de uma trilogia, Rosalita é o segundo filme e conta a história a partir do ponto onde termina Cabrito. E o terceiro, não encontrei nada relacionado ao nome ou andamento de filmagens, será uma espécie de prequel e contará tudo o que se desenrolou na vida da mãe do protagonista para transformá-la no que acompanhamos no vídeo. Ainda não sei se estou ansiosa para assistir.

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.