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Meia Guerra – Joe Abercrombie

Meia Guerra é o terceiro e último livro da trilogia Mar Despedaçado, do autor Joe Abercrombie. O lançamento é de 2018 pela editora Arqueiro.


*Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores

Sobre o Livro

Skara é a princesa de Throvenland e após a aliança firmada entre seu avô e o reis de Gettland e Vansterland, vê seu lar devastado e sua família morta sob as ordens do Rei Supremo e a espada de Yilling, o Brilhante. Sem ter para onde ir, ela vai até os supostos aliados e pede ajuda para retomar o que é seu.

“Mãe Guerra. Mãe dos Corvos. Aquela cujas Penas são Espadas. Aquela que Reúne os Mortos. Aquela que Torna a Mão Aberta um Punho. Você esculpiu isso?”

Pai Yarvi comanda os planos pelo lado de Uthil e quer ver a batalha alcançando seus objetivos muito em breve. Porém, a concordância entre os dois soberanos está longe de ser algo fácil e é ai que Skara pode ganhar seu lugar. Vista como alguém que não ameaça nenhum dos dois, sua voz vai ganhando destaque e sua visão sobre os assuntos, importância.

O que eles precisam agora, nesse momento final, é uma frente unida de poderosa para tirarem do poder o soberano que os oprime. Porém, quando isso for alcançado, quem tomará essa posição?


Minha Opinião

Meia Guerra fecha essa trilogia de Joe Abercrombie e a história que começou com Yarvi, passou por Thorn e se encerra com Skara. E, de longe, ela foi a narradora de quem menos gostei, no livro que me pareceu mais bem escrito. Faz sentido?

Há personagens escorregadios, que escondem coisas, que tem muitas facetas e há Skara. Ela, à princípio parece inofensiva, apenas uma bela princesinha. Ai do nada ela é super sagaz, volta a ser ingênua, tem uma sacada muito esperta, comente um erro banal. Sua personalidade é uma gangorra e como ela surge completamente do nada e precisa se “desenvolver” no meio da tempestade, sua construção ficou extremamente comprometida.

“Às vezes parecia que tudo que ele tinha por dentro era medo. De perder seu lugar. De ficar sozinho. Das coisas que havia feito. Das coisas que poderia fazer.”

Pra salvar a trama, no entanto, e dar ao livro o peso que ele merece, temos Yarvi, como sempre muito astuto e com muitas tramoias no bolso e Thorn, nossa temível Escudo Escolhido. Também voltamos a ver a rainha Laithlin, Brand e Avó Wexen. Além de novos personagens, com um destaque especial para Raith, que ajudou a salvar toda a narrativa.

Ele é, de longe, o melhor personagem desse volume em termos de crescimento do começo ao fim do livro. Daquele que carrega a espada de Grom-Gil-Gorm a alguém que passa tanto ou mais sentimento e o peso que carrega nas costas do que já havíamos visto em Thorn, em Meio Mundo. Aliás, personagem essa que poderia ter tido um pouco mais de destaque, mas que também apareceu bem quando lhe dado espaço. Há uma cena de despedida muito divertida e sua última parte no livro também vale a leitura.

Com relação à trama e ao fato de ter curtido mais esse livro do que os outros, se deve totalmente à reviravolta final. Quem diria que fôssemos ser tão trouxas. Eu, pelo menos, me senti assim. Tanta coisa que não era bem o que imaginávamos, que não víamos como o todo. Personagens que representavam algo, mas interpretavam um papel completamente diferente. Não que fosse completamente inesperado, eu apenas me senti bem enganada quando tive certos nomes em alta estima e os vi sendo atirado ao chão por serem na verdade cobras traiçoeiras. Então, já vai o aviso, adentre a leitura de olhos bem abertos para não ser picado.

“Como acontece frequentemente com os homens, mostram-se mais ferozes falando do que lutando.”

E, claro, a proposta é realmente encerrar o ciclo com um final digno para todos. Por um segundo eu achei que iríamos ter algo muito aberto, mas isso logo foi resolvido. O que, de certa forma, também soou levemente abrupto. Mas mesmo que pareça que o livro tem vários problemas, a jornada foi tão instigante que consigo deixar tudo isso de lado e apenas ficar feliz com todo o fechamento.

Foi, certamente, o livro que li mais rápido dentre os três, mesmo não gostando de quem estava me contando a história e isso por si só já é estranho. Mas, novamente, acho que todo o meu fascínio com Meia Guerra é pela descoberta final e os muitos picos que temos aqui. Há pequenas e grandes batalhas pra todo lado e não apenas um confronto final. Isso ajuda a distribuir o peso do livro e também sair da fórmula tradicional.

Meia Guerra me entregou o que eu precisava pra adicionar o nome de Joe Abercrombie a lista de autores de fantasia que eu fico de olho e despertou a vontade de ler a outra trilogia do autor que já havia sido previamente publicada pela Arqueiro, mas nunca me chamou a atenção por suas capas.

Sendo assim, se você só precisa ler Meia Guerra pra encerrar essa trilogia, vá em frente. Agora, caso você esteja procurando uma dica de fantasia para se aventurar, Mar Despedaçado é uma boa pedida. Os três livros tem narradores diferentes em uma história linear, que possui um tom e um foco bem diferente em cada um deles, tornando a descoberta de juntar todas as peças ainda mais surpreendente.

MEIA GUERRA

Autor: Joe Abercrombie

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2018

A princesa Skara vê todos os que ama morrerem na sua frente e o seu palácio ser consumido pelas chamas. Tudo o que lhe resta são palavras… Mas palavras podem ser tão letais quanto armas. Disposta a se vingar, ela enfrenta seus medos e aguça a inteligência, indo atrás de pai Yarvi.
O ministro de Gettland já percorreu um longo caminho desde a escravidão, fazendo aliados entre antigos rivais e estabelecendo uma paz instável. Porém, agora, a cruel avó Wexen arregimenta o maior exército desde que os elfos guerrearam contra a Divindade Única e põe Yilling, o Brilhante, como seu comandante – um homem que venera apenas a Morte.
Skara pode ser a peça que faltava para forjar de vez a aliança entre Gettland e Vansterland, alicerçada na fortaleza de seus antepassados, pronta a enfrentar a fúria do Rei Supremo. Nessa guerra, ela contará com o apoio de uma ministra inexperiente, mas leal, e de um matador imprudente que espera superar fantasmas de antigos conflitos sangrentos.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.