Menina Má – William March

Menina Má é do autor William March e foi publicado em 2016 pela Darkside.

Sobre o Livro

Rhoda Penmark é a filha que todo mundo quer ter. Ela é educada, inteligente, sensata, tem um comportamento maduro, sabe sempre o que dizer e tem uma etiqueta perfeita. Porém, nem tudo são flores e o que ela esconde por trás de todas essas qualidade pode não ter nada se bonito e muito de sombrio.

Rhoda mora com a mãe Christine enquanto o pai está em viagem de trabalho. Eles acabaram de se mudar para uma nova cidade e tudo ainda é novo para ambas, principalmente o contato com a sociedade local. Rhoda está na escola particular e está muito ansiosa para o concurso de caligrafia, porém na hora da premiação quem ganha é um garoto. As professoras afirmam que ela até poderia ter a melhor letra, mas eles avaliaram a evolução dos alunos e o outro garoto tinha se saído melhor.

“Sempre houve algo de errado com Rhoda, mas eles ignoraram suas esquisitices, esperando que, com o tempo, ela fosse se tornando mais parecida com as outras crianças. Mas isso não aconteceu.”

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Com isso a menina fica transtornada e começa a perseguir o menino, até que em uma excursão a um lado ele acaba caindo na água e se afogando. Porém, o que parece ser um acidente triste, pode não ser assim tão aleatório e Christine, a mãe de Rhoda, começa a analisar melhor o comportamento da filha, assim como alguns fatos que já ocorreram no passado. O que será que o rosto bonitinho e o comportamento exemplar de Rhoda escondem?


Minha Opinião

Menina Má é um clássico de 1954 que chocou a sociedade quando foi lançado. Falar sobre uma criança com tendências psicopatas não é exatamente um tópico aberto ou acessível para todos naquela época. O autor morreu ainda no mesmo ano e, conforme conferimos no prólogo – que você deve ler e não pular -, ele era uma pessoa perturbada.

William March era visto com receio, como alguém que ficava desconfortável ao estar na presença das pessoas e que também gerava desconforto. Ele teve um histórico de internação em hospitais psiquiátricos, foi a guerra, parecia ter a sexualidade reprimida já que nunca se relacionava com ninguém e talvez tivesse sido vítima de algum trauma para que tudo isso junto gerasse o seu comportamento.

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A década de 50 é marcada por várias coisas, mas uma delas é ser considerada a “era de ouro da psicanálise nos Estados Unidos“. Sendo assim, o livro de March caiu como uma luva com o tema que vinha sido debatido e, que com o livro, abriu uma nova gama de discussões. Hoje esse assunto já é mais amplamente debatido e já tivemos inúmeras tragédias envolvendo crianças e jovens que, infelizmente, acabam por corroborar a visão de psicopatia explorada pelo autor nesse livros.

Pra mim, criança é sinônimo de inocência e ver isso distorcido aqui é o que mais faz com haja desconforto no livro. Logo que percebemos que há algo de errado nosso olhar se volta de Rhoda para a mãe e de como essa mulher vai lidar com isso. Christine é a dona de casa conservadora que está a espera do marido, ela tem pouca personalidade, não sabe como lidar com a situação e fica entre rodeios tentando descobrir o que está acontecendo e, quando está tudo mais do que óbvio, ela não faz ideia do que fazer com aquilo.

Imagino que para uma mãe seja algo extremamente complicado mudar a forma como se vê um filho. As crianças são parte dos pais e jamais passa pela cabeça de um que possa estar criando um monstro, então em parte eu compreendo todo o caos mental e psicológico que ela enfrentou e a sua indecisão sobre o que fazer. Ela escreve cartas para o marido mas nunca as envia. Ela pensa que pode causar estresse a ele ou parece que ela não é uma boa mãe, sendo que essa é uma de suas poucas atribuições além de manter a casa em ordem.

“Rhoda é uma atriz e tanto. Ela sabe exatamente como ganhar as pessoas quando quer alguma coisa.”

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Rhoda é o melhor exemplo de menininha dissimulada e manipuladora que você vai encontrar. Ela sabe exatamente o que fazer e o que dizer para ter tudo e todo mundo nas mãos. Ela veste uma máscara muito bem interpretada que só cai quando ela se enfurece por não ter algo que deseja e, é ai, que conhecemos além da superfície da menina prendada e educada: a verdadeira Rhoda.

Sempre que ela bota algo na cabeça não há quem tire. Sempre que ela deseja algo de forma voraz, saia da frente, porque você pode ser a próxima vítima. E não, não será algo explicito, será frio, calculado, e de forma que ela possa se sair de forma ilesa e sem nenhuma suspeita. Porém, parece que isso não tem mais dado tão certo, principalmente quando sua mãe começa a ficar de olho em seus atos e na forma como ela se comporta.

Eu achei o livro bacana, porém não foi tudo que eu esperada. Pra mim a verdadeira face da Rhoda ficou clara desde o início e eu só fui aguardando conforme escalava. Parece que a verdadeira protagonista da história sequer é a garota e sim a mãe e como ela está lidando com todo o caos que está se formando ao seu redor. Rhoda é um problema, mas também é sua filha, como resolver isso?

“Agora via que Rhoda não era responsável pelos seus atos. Ela, e não Rhoda, era a culpada.”

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É perturbador pensar sobre essas coisas e como realmente podem haver crianças assim pelo mundo, capazes de matar a sangue frio e de forma premeditada outra pessoa. Mas é real e é preciso estar atento também para que, caso algum sinal apareça, a criança seja tratada e acompanhada da melhor forma possível, sendo a situação contida.

O final do livro pode gerar vários debates e pra mim o que aconteceu parecia óbvio. Achei interessante a história que se desenvolve por trás, sobre o passado, sobre a vida de Christine e a influência que ela pode ter sobre quem a filha se tornou. É um tópico muito interessante que também rende muitas teorias e gostei da forma como foi apresentado, impondo ao leitor a condição, mas contando uma história plausível.

A edição da Darkside está muito bonita e bem trabalhada. Ela vem com o rosto da menina na capa e com um detalhado trabalho gráfico nas páginas internas nos entregando mais uma vez uma edição super caprichada. A leitura fluiu normalmente pra mim e não tive dificuldades, a não ser em colocar na minha cabeça que o nome da menina é Rhoda e não RhoNda, como costumo falar. Bugs do meu cérebro!

Sendo assim, Menina Má é uma boa opção de leitura se você gosta desse aspecto psicológico da discussão e pode ser uma leitura casada com o filme já existente, que eu ainda não vi, mas que o pessoal diz que não termina exatamente da mesma forma. Quando eu conferir conto pra vocês o que achei e como a adaptação ficou nas telas, dando vida a essa menina cruel e dissimulada.

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MENINA MÁ

Autor: William March

Editora: Darkside

Ano de publicação: 2016

Quando nasce a maldade? Nascemos todos inocentes e somos corrompidos pelo mundo à nossa volta? Ou será a maldade uma espécie de semente que carregamos dentro de nós, capaz de brotar mesmo na mais adorável das crianças? Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.
Menina Má é um romance que influenciou não só a literatura como o cinema e a cultura pop. A crueldade escondida na inocência da pequena Rhoda Penmark serviria de inspiração para personagens clássicos do terror, como Damien, Chucky, Annabelle, Samara, de O Chamado, e o serial killer Dexter.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Daiele

    Oi Tami!
    Eu ja li menina má, e ouso dizer que foi um dos ou senão o melhor livro desse ano. Quando eu comecei a leitura, achei que seria cansativa e chata. Mas pelo contrario, ela foi muito fluída e interessante. Concordo com vc, que é importante ler aquele comecinho do livro antes de ir para a historia, fiquei chocado com os relatos da historia do autor.
    Bom, mesmo ter pensando em um final igual ao que foi, eu fiquei surpresa com ele, talvez pelo fato da minha irritação de ter sido assim. Pq de certa forma eu odiei aquilo, mas acho que foi um bom fechamento para a história. O fato que mais gostei, foi da narração do ponto de vista da mãe. Eu fiquei completamente imersa na historia e agoniada junto com ela. Entendi completamente todos os pensamentos e em consequecia suas atitudes, acho que no lugar dela eu faria a mesma coisa..

  • Lara Caroline

    Olá Tamirez!
    Nossa faz um tempão que estou louca por este livro, estou só esperando eu ter dindin pra comprar. Eu adoro esta capa, e a diagramação está muito linda. Adorei saber essas informações sobre o autor, ajuda bastante a dar uma contextualizada antes de ler o livro. Como sou estudante de psicologia sempre fui muito fascinada por estudar casos de psicopatia, inclusive, na faculdade me recomendaram um documentário chamado A Fúria de Um Anjo (se não me engano do nome).
    Adorei a sua resenha, que além de falar do livro, ainda fala da importância de diagnosticar e tratar uma pessoa psicopatia.
    Beijos

  • Alison de Jesus

    É incrível como a literatura vem derrubando tabus na nossa sociedade,tópicos que antes eram ignorados por todos por serem “mal vistos” hoje nos ajudam a desvendar o que se passa na mentalidade humana seja em sua forma sã ou psicologicamente depravada.Em Menina Má o autor quis mostrar que todos nós estamos aptos a cometer atos insanos,independente da idade.Beijos.

  • ADRIANA HOLANDA TAVARES

    Eu já conhecia, até certo ponto, a premissa de Menina Má. Mas confesso que somente com sua resenha pude perceber o quanto, mas o quanto mesmo, eu me identifico com a obra.
    Tami, essa história tem tudo a ver com Precisamos Falar sobre o Kevin, que mesmo abordando uma visão diferente, um assunto polêmico (os assassinatos em escolas norte-americanas) ainda assim possuí uma essência parecida com a de Menina Má !!!
    Veja bem, Kevin nasceu com a maldade dentro de si, foi levado a ela, se transformou no que é devido a um trauma ou a culpa toda está em seus pais ??? A própria forma como as pessoas enxergam Rhoda de várias formas é a mesma forma como o que vemos na outra obra. Alguns conseguem enxergar a realidade, outros se deixam seduzir pelas mentirar, se deixam levar por uma visão falsa da realidade, outros ainda enxergam parcialmente a verdade. Mas acredito que o pior está na visão das mães … Como é a visão delas de algo tão complexo e até certo ponto, assustador ??

  • Bruna Prata

    Acho incrível os livros e filmes abordarem assuntos tão polémicos e desconhecidos. Lembro que meu último contanto com o tema central dessa obra foi o filme/livro Precisamos falar sobre Kevin. Depois de ler/assistir, fiquei reflexiva sobre o tema durante muito tempo, tanto que esse é o principal motivo que me incentiva a ler Menina Má. Não tinha conhecimento da biografia do autor dessa obra, o que de fato faz com que a leitura seja feita com outros olhos.

  • Oi, Tamirez!
    Primeiramente não tinha me interessado por esse livro por achar que ele ia falar sobre uma menininha meio sobrenatural, algo assim, e também por distorcer a imagem que fazemos de crianças. Porém achei bem mais interessante que fosse pelo lado psicológico, destrinchando o que faria ela ser como é, como a influência da mãe, por exemplo. Adoro o Dexter e quero ler o livro pra ver o quanto a obra influenciou na criação do personagem.

  • Marta Izabel

    Oi, Tamirez!!
    Gostei muito da resenha. Já comprei o meu exemplar da Menina má agora só falta ler e conhecer um pouco mais sobre essa criança!!
    Beijoss

  • suzana cariri

    Oi!
    Vi esse livro a pouco tempo e logo a capa me chamou atenção, que está linda, achei a historia do autor já bem doida e juntando com a historia de terror desse livro da um clima bem sinistro e com certeza é um livro bem diferente ainda mais pelo tema que o autor utiliza !!

  • Aline Lanis

    Fiquei encantada demais com esse livro, não sei se isso tem relação com o fato de que estudo psicologia, mas esse tema é muito foda. E saber que o autor era perturbado só me fez amar mais esse livro.
    Adorei sua resenha, ficou ótima :)

  • cristiane dornelas

    Pela época que foi lançado ele deve ter chocado muita gente. Hoje em dia quase não faz muito isso por a gente ver vários do tipo. Mas acho que ele ainda se destaca por ser bem escrito e pelo lado psicológico. Explora o mal de um jeito interessante e acho que as coisas que a garota faz e aquela máscara de inocência é o que mais marca. Você consegue ver aquilo na vida real. E fico imaginando como é para a mãe dela. O que mais fica na minha cabeça quando vejo esse livro é como a família enxerga essa garota. Deve ser tão ruim =/
    Gostaria de ler pra saber se essas impressões estão certas. E se o final fica óbvio também. Será que é assim tão previsível?
    Parece um ótimo livro.