fbpx

Mês da Consciência Negra: autores(as) negros(as) que você deveria conhecer

Dia 20 de novembro é considerado o Dia da Consciência Negra e durante o mês estão rolando várias ações literárias voltadas a divulgar autores e livros escritos por negros, pois sabemos a necessidade de falarmos sobre o assunto e também a disparidade que ainda temos no mercado.

Então, aqui nesse post você vai encontrar algumas indicações de autores que eu e os demais colaboradores do blog já leram e que são ótimas opções para entrarem na sua lista de leituras.

OCTAVIA BUTLER

Octavia é uma escritora de ficção científica afro-americana que sempre ressaltou em suas obras questões sociais, sejam raciais, religiosas ou de feminismo. Nos anos 90 ganhou os prêmios Nebula e Hugo e é publicada no Brasil desde 2017 pela editora Morro Branco. Atualmente, por aqui, temos Kindred: Laços de Sangue, A Parábola do Semeador e Despertar. (Indicação por Tamirez)


Conceição Evaristo


Uma das escritoras brasileiras contemporâneas mais importantes, Conceição Evaristo demorou para ingressar no mercado editorial. De origem humilde, foi apenas aos 25 anos, ao seu mudar de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro, quando ingressou no curso de Letras e, a partir daí, seguiu carreira acadêmica. Porém foi somente aos 46 anos que começou a publicar ficção, a partir do seu contato com o coletivo e editora Quilombhoje.

Desde então, a escritora já teve obras traduzidas, foi premiada com o Prêmio Jabuti de Literatura de 2015 por Olhos d’água e tornou-se destaque nas principais Feiras Literárias do país. Este ano, depois de grande campanha popular, candidatou-se à cadeira de Castro Alves na Academia Brasileira de Letras.

Seus livros trabalham muito fortemente a condição da mulher negra e, em especial, a mulher negra pobre, seja em livros de contos como Olhos d’água seja em seus Romances como Ponciá Vicêncio. É uma autora que passou despercebida por muitos anos, mas cujo trabalho vem sendo cada vez mais reconhecido e em poucos anos tornou-se uma forte voz da literatura negra brasileira. (Indicação por Maíra)


Machado de Assis


Joaquim Maria Machado de Assis ou Machado de Assis é um escritor brasileiro que viveu no Rio de Janeiro e faleceu em 1908. Suas obras são de extrema importância para a literatura brasileira. Ele escreveu praticamente todos os gêneros literários e fundou , juntamente com colegas próximos, a Academia Brasileira de Letras, onde foi o primeiro presidente unânime.

Dentre suas obras, ressalto Memórias Póstumas de Brás Cubas, que conta a história de um “defunto-autor” que é o próprio Brás Cubras do título. O defunto conta sua história quase como uma autobiografia, essas suas memórias póstumas são recheadas de sátiras e críticas à sociedade da época. Além dela, é impossível não citar um dos meus livros preferidos e que divide seus leitores. Dom Casmurro que foi publicado pela primeira vez em 1899, onde o protagonista Bento Santiago ou apenas Bentinho conta eventos sobre sua vida e sua juventude no seminário, além de narrar sua paixão por Capitu, uma bela moça que desperta nele um ciúmes voraz quando está perto de seu amigo Escobar. Essa trama gira principalmente em torno desse sentimento e da eterna dúvida: afinal, Capitu traiu Bentinho?

É importante ressaltar que existe uma polêmica que questiona se Machado de Assis era negro. Durante os anos, o escritor sofreu um “branqueamento” através das representações feitas sobre ele. Principalmente quando a Caixa Econômica Federal o representou em um comercial com um ator de feições europeias. Tudo isso gerou debates onde diversas pessoas se levantaram para questionar esse fato. Sabe-se, através de sua biografia, que Machado de Assis era mulato e bisneto de escravos.  (Indicação por Geórgea)


Carolina de Jesus

Carolina de Jesus foi catadora de papel e viveu na favela do Canidé, em Sp por boa parte da sua vida. O relato dessa experiência se transformou em seu livro de maior sucesso, Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, traduzido para diversos idiomas, com frequência tem suas edições esgotadas e é anualmente adotado como sugestão de leitura em diversas escolas. A obra, feita em parceria com o jornalista Audálio Dantas, foi escrito na década de sessenta e conta como era a vida de Carolina na favela. Uma narrativa sensível, comovente e indispensável. (Indicação por Krisna)


Ana Paula Maia

Uma das mais importantes escritoras brasileiras de sua geração, Ana Paula Maia já tem sete romances publicados, três dos quais foram resenhados já no Resenhando Sonhos, dezenas de textos publicados em antologias, além  de ter escritos peças e roteiros para o cinema. Seu último romance, Enterre Seus Mortos, recebeu o Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance do Ano (2018).

Seus livros são conhecidos por serem extremamente fortes e lidarem com aspectos duros e violentos da nossa sociedade, mostrando ao leitor sempre o lado que nós estamos acostumados a tentar esconder. São obras que estão entre o Policial, o Suspense e o mais nu e cru Realismo, onde é normalmente uma vida mais periférica que recebe destaque. (Indicação por Maíra)


Emicida

 Emicida contou que estava colhendo amoras com a filha no quintal enquanto conversavam sobre a cor das frutinhas. Ele disse para a menina que as mais pretinhas eram as mais doces, e ela, sozinha, associou a beleza e importância da cor da fruta à cor da própria pele. Naquele momento ele soube que aquela conversa se tornaria algo mais, então logo veio Amoras em formato de música. Depois a música foi colocada nas páginas livro homônimo incrível, com ilustrações de Aldo Fabrini, e rapidamente se transformou naquele tipo de obra necessária.  Este um livro infantil que pode e deve ser lido por pessoas de qualquer idade. Ele é cheio de representatividade, com uma sutileza que empodera e que mostra a beleza e a força que há em ser quem se é. (Indicação por Krisna)


Brittainy C. Cherry

Brittainy C. Cherry vive em Wisconsin, nos Estado Unidos. Formada em arte cênicas com especialização em escrita criativa, ela já tem 24 títulos publicados. Seu livros são romances jovem adulto com uma boa dose de drama. Em O Silêncio das Águas por exemplo, Brittainy colocou um pouquinho de sua história quando adolescente na personagem principal, ou seja, ela gosta mesmo de fazer seus leitores chorar. A autora já esteve no Brasil para o lançamento de seu primeiro livro por aqui, Sr. Daniels, e depois no lançamento de A Força que nos Atrai. É impossível não se apaixonar por sua escrita sensível e cheia de emoção. Portanto, se você não conhece autora, te convido a dar uma chance para esta incrível escritora, e você pode até mesmo começar pelo Silêncio das Águas, livro que já tem resenha por aqui. (Indicação por Daiele)


Victor Lavalle

É autor de quatro livros e ganhador de diversos prêmios literários, entre eles o Shirley Jackson Award e o American Book Award. Foi fortemente influenciado na adolescência pelas histórias de Lovecraft, mas só mais tarde ele percebera que muitas das histórias de seu “ídolo” continham teor xenofóbico e racista. Sendo assim, no livro A Balada do Black Tom, o autor faz uma releitura de um conto clássico – porém extremamente racista – de Lovecraft, conduzindo a narrativa pelos olhos de um personagem negro e marginalizado. (Indicação por Reinaldo)


N. K. Jemisin

N. K. Jemisin é uma autora americana de ficção especulativa e fantasia. Ganhadora de diversos prêmios, foi a primeira a ganhar a premiação Hugo por três anos seguidos com sua série de fantasia composta por A Quinta Estação, O Portão do Obelisco e The Stone Sky (ainda sem tradução). A série chega às mãos dos leitores brasileiros pela editora Morro Branco.


Neil deGrasse Tyson


Tyson é um popular divulgador científico americano, dramaturgo e astrofísico. Atualmente trabalha no departamento de astrofísica no Museu Americano de História Natural. Já publicou diversos livros de divulgação científica, desde astrofísica básica até astronomia. Mais recentemente, foi apresentador da nova temporada da icônica série Cosmos, originalmente idealizada por Carl Sagan. Tyson foi, inclusive, citado como sendo o sucessor de Sagan no que se refere à popularização da ciência.

Tem um asteroide batizado em sua homenagem, o 13123 Tyson e ganhou inúmeros prêmios, como Memorial Klopsteg, Medalha de Reconhecimento por Serviços Prestados (Nasa) e Isaac Asimov Award. (Indicação por Reinaldo)


Após as indicações, o que peço é uma reflexão particular sobre como tá a listinha de autores negros por cada um de vocês e, ao perceber que são poucos ou nenhum, se questionar o porquê e buscar ajudar a igualar a balança!

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.